
Ouça este conteúdo
O ato "Vire à direita: UFRN anti-Lula", realizado no final da tarde desta segunda-feira (19) no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), terminou em confronto entre os manifestantes e estudantes contrários à mobilização.
Os integrantes expressavam oposição ao presidente Lula (PT) e apoio ao seu adversário no pleito presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), além de pedidos de voto ao candidato a governador Allyson Bezerra (União), que enfrentará Cadu de Lula (PT) no segundo turno.
Nas imagens, é possível ver os dois grupos frente a frente. Os estudantes gritavam "recua, fascista, recua", frase que se tornou comum em tentativas de alunos de esquerda de expulsar manifestantes de direita das instituições de ensino.
Em outro momento, integrantes dos dois grupos empurram um gradil de ferro e alguns atravessam a barreira e trocam socos e chutes. Um aluno de Jornalismo foi ferido na boca e teve os óculos quebrados e um portão foi danificado.
O ato contou com um boneco inflável alusivo a Lula e vestido de presidiário, além de uma faixa com "Fora Lula", bandeiras do Brasil e uma com a foto e o número de urna de Flávio. Em uma das imagens, uma das participantes aparece com uma criança de colo.
VEJA TAMBÉM:
Repercussão
Participantes do ato
Um dos participantes foi o presidente do Novo no Rio Grande do Norte, Renato Cunha Lima. Após o confronto, ele compartilhou um vídeo da influenciadora Manu Vieira com críticas à prática da esquerda de classificar visões divergentes como fascismo.
"Criticou o governo? Fascista. Defendeu a liberdade econômica? Fascista. Falou de família e valores conservadores? Fascista também. Parece que, para parte da esquerda, pensar diferente virou extremismo", diz o conteúdo.
O deputado federal General Girão (PL-RN), de 71 anos, ajudou na convocação e participou da mobilização. Em uma das publicações, em que junta fotos das hostilizações, afirma que "a direita tem lugar na UFRN sim".
Outra participante foi a vereadora de Natal, Camila Araújo (PL). Ela diz que o boneco inflável de Lula foi furado com uma faca por um dos manifestantes de esquerda. Araújo disse que o ato foi planejado para ser pacífico e chama a atenção para a realização de plenárias de esquerda que seriam frequentes na UFRN.
"O ato começou pacífico, até surgirem estudantes, militantes, todos com botom no peito, botom de candidato de Lula, botom do 13, botom do candidato Lula. Estavam lá com cartazes, com faixas, mobilizados, parece que esperando o momento que os estudantes de direita iriam chegar", contou.
UFRN não comenta confronto
A UFRN não se manifestou sobre o ocorrido em suas redes sociais. Mesmo assim, fez uma publicação quase simultânea ao confronto, falando do "compromisso com a sociedade brasileira". Apesar de não expressar apoio a nenhum candidato, afirma que defende "uma universidade que seja de todos" e a existência de "muitas formas de existir, pensar e ser".
"Esses compromissos integram a missão das universidades públicas brasileiras e orientam sua atuação em benefício da sociedade. Ao lado da educação, da ciência, da diversidade, da democracia e do futuro do país". conclui.
Entidades estudantis pedem universidade "livre de fascismo"
A Associação de Pós-Graduandos da UFRN e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição divulgaram uma nota de repúdio conjunta se solidarizando com um estudante supostamente agredido. Ao final pede que a universidade esteja "livre de fascismo".
"Não podemos naturalizar manifestações que promovam a intolerância, a violência e a intimidação, tampouco admitir que a integridade física e moral de estudantes seja colocada em risco dentro de um espaço que deve ser seguro para toda a comunidade acadêmica", diz a manifestação.
PT fala em ato não autorizado
Já o diretório do PT no Rio Grande do Norte alega que o ato foi realizado pela "extrema-direita" em um "local não autorizado", com carros de som em alto volume próximos às salas de aula, o que teria prejudicado a rotina da instituição. Para o partido, a presença de parlamentares "torna ainda mais grave o ocorrido", uma vez que estes deveriam ter "responsabilidade pública".
"A divergência política faz parte da democracia. Agressões, intimidações e qualquer forma de violência são inaceitáveis. Defendemos a rigorosa apuração dos fatos, a identificação dos responsáveis pelas agressões e a adoção das medidas cabíveis", conclui a nota assinada pela senadora eleita Samanda Alves, presidente do órgão estadual.




