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O primeiro debate entre os candidatos ao governo da Bahia colocou a segurança pública no centro das discussões neste domingo (9). O encontro, realizado nos estúdios da Band Bahia, reuniu o ex-prefeito de Salvador e ex-deputado federal ACM Neto (União Brasil), o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição, e Ronaldo Mansur (PSOL).
Os candidatos também discutiram o combate ao feminicídio e a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo do encontro, os três apresentaram propostas e trocaram críticas sobre a atuação de governos anteriores e os problemas atuais do estado.
Jerônimo Rodrigues destacou investimentos feitos durante sua gestão e prometeu ampliar as ações na segurança pública. "Tenho dado continuidade na melhoria das condições de trabalho dos profissionais. Sobre o uso de câmeras por policiais, continuarei ampliando a quantidade", disse.
O candidato à reeleição declarou apoio à criação de um Ministério da Segurança Pública, proposta defendida pelo presidente Lula. "Eu não passo a mão na cabeça de criminoso. Criminoso bom é criminoso preso. E concordo com o presidente Lula na criação do Ministério da Segurança Pública", concluiu.
ACM Neto reagiu às declarações e criticou os resultados da atual administração estadual. "Jerônimo criou uma realidade paralela. Tem gente na internet que fala "sabor governador". Ele não assume os próprios problemas", afirmou. O ex-prefeito elevou o tom ao projetar mais quatro anos de governo petista. "Mais 4 anos do seu governo, significa mais gente morrendo", declarou.
Aumento salarial e câmeras corporais entram nas propostas para a segurança
Neto também apresentou propostas para os profissionais da segurança. O candidato prometeu aumento salarial e melhores condições de trabalho para os policiais baianos. "A Bahia quer mudança. E é exatamente isso que quero oferecer, a começar pela segurança pública. Para devolver a paz e a tranquilidade para o cidadão de bem", afirmou.
Ronaldo Mansur também defendeu reajuste salarial para os policiais e a realização de concursos públicos. O candidato, porém, criticou a disputa entre os dois principais concorrentes. "ACM Neto critica hoje Jerônimo, mas não tem moral, porque o seu grupo político teve o mesmo tipo de postura", afirmou.
Mansur ainda defendeu o uso de câmeras corporais como mecanismo de proteção. "A câmera na farda protege tanto os policiais quanto a população", disse.
Candidatos defendem medidas contra o feminicídio e apoio às mulheres
O combate ao feminicídio também entrou na pauta do debate. ACM Neto apresentou o programa "Volta por cima" como uma das propostas para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo o candidato, a iniciativa prevê apoio financeiro para mulheres de baixa renda por até 24 meses. O programa também inclui qualificação profissional e suporte para a entrada no mercado de trabalho.
Neto relacionou a dependência financeira à dificuldade de denunciar casos de violência doméstica. "Porque sabemos que o agressor está dentro de casa e ela não denuncia por medo de não ter o sustento", declarou. O candidato também defendeu punições mais rigorosas para os responsáveis pelos crimes.
Jerônimo Rodrigues citou a "Ronda Maria da Penha" como uma das ações do governo estadual. O programa conta com acompanhamento da Polícia Militar para mulheres vítimas de violência doméstica.
Ronaldo Mansur classificou o feminicídio como um problema nacional e defendeu uma atuação conjunta dos estados. "É preciso ter delegacias que funcionem 24 horas. Vamos mudar isso", afirmou.
O candidato ainda relacionou o combate à violência contra as mulheres à necessidade de enfrentar comportamentos machistas. "Atos machistas, como defendeu Bolsonaro, e que reforçam essa violência, precisam ser combatidos", afirmou.
Relação com Lula coloca alianças e posições políticas no centro do debate
A relação dos candidatos com Lula também marcou o encontro. Jerônimo Rodrigues e Ronaldo Mansur reafirmaram apoio ao presidente e destacaram a aliança política com o petista.
ACM Neto, por outro lado, foi questionado sobre sua posição na eleição presidencial. Apesar de acusações de que apoiaria Flávio Bolsonaro (PL), o candidato afirmou que seu apoio é para Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás e candidato à Presidência.
Mansur recuperou uma declaração antiga de ACM Neto sobre Lula. O candidato do PSOL lembrou que o então deputado federal afirmou, anos atrás, que gostaria de "dar uma surra em Lula".
ACM Neto evitou direcionar novos ataques a Lula e procurou concentrar sua resposta nos problemas estaduais. "Eu quero ter meu nome atrelado a soluções para a Bahia. Eu quero ter meu nome atrelado a um governo que vai enfrentar o problema da violência, da educação, do desemprego", afirmou.




