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Campanha de Lula

Boulos e Camilo entregam sigilos de Lula ao TSE e desafiam Flávio

Boulos e Camilo
Aliados de Lula dizem que petista aceitou desafio de Flávio para abrir sigilos de 19 pessoas e empresas ligadas a ele. (Foto: reprodução/X Guilherme Boulos)

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O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e o senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22) as procurações necessárias para a abertura dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do petista.

Os sigilos incluem as 19 exigências feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para também abrir os seus, desafiado por Lula durante o debate da Band no último domingo (18). O parlamentar condicionou a abertura dos seus dados à revelação das informações sobre familiares e aliados do petista e seus negócios.

Ao entregarem as procurações no TSE, Boulos e Camilo reforçaram o desafio feito a Flávio e cobraram dele a divulgação de seus sigilos.

“Vamos ver se Flávio Bolsonaro fará o mesmo. Aí o Brasil saberá quem é o ladrão”, afirmou Boulos.

Pouco depois, o ex-procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo-PR), foi ao TSE para dizer que analisará em detalhes os sigilos de Lula. Ele foi escalado, minutos antes, pela campanha do senador para examinar as informações que forem prestadas pela campanha petista.

Dallagnol afirmou que pretende se debruçar principalmente sobre os dados financeiros de Lula apurados durante seu período como chefe da Lava Jato. A equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que a divulgação de documentos de Lula e pessoas próximas terá uma verificação criteriosa das informações.

A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou, no entanto, que o senador abrirá seus sigilos apenas se a equipe de Lula realmente apresentar "tudo". "Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Primeiro vou ver se ele trouxe", disse a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, da equipe jurídica do senador.

Sigilos em jogo

A disputa começou durante o debate presidencial da Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos. O senador aceitou a proposta e ampliou a cobrança para incluir familiares, assessores e pessoas próximas ao presidente, levando as duas campanhas a apresentar exigências sobre o alcance e o período da análise.

A proposta inicial de Lula previa a abertura e a divulgação pública de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos últimos oito anos, incluindo dados de familiares. O pedido também abrange a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., apontada na documentação como a única pessoa jurídica da qual o presidente é sócio.

Em contrapartida, Lula cobra que Flávio e seus familiares também tenham os sigilos bancário, fiscal e telefônico examinados pelo mesmo período. A campanha petista exige ainda informações sobre empresas ligadas ao senador e sobre a offshore Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira e associada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.

A equipe de Flávio, por sua vez, ampliou o período de análise relativo a Lula e pessoas próximas para 2003, em vez de restringi-lo aos últimos oito anos. Entre os nomes e entidades incluídos estão Lulinha, sua mulher, Renata de Abreu Moreira, o Instituto Lula, o ex-presidente da entidade Paulo Okamotto e assessores que utilizavam linhas telefônicas para atender ao presidente.

A lista de exigências do senador também inclui registros de visitantes, reuniões e voos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, além de informações sobre encontros com Lula e acessos aos palácios presidenciais. Flávio solicita ainda a divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, da agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e de registros de visitas de familiares do presidente ao Palácio da Alvorada.

Outros nomes e entidades mencionados são o ex-ministro Guido Mantega, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico e irmão de Lula, e o sindicato Sindnapi. A campanha petista classificou as exigências do adversário como uma tentativa de manobra e questionou a ausência da Alcazar Holdings na documentação apresentada por Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A defesa do senador afirma que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da holding e usa esse argumento para justificar a não apresentação de seus extratos bancários relacionados à empresa. A Polícia Federal, porém, indicou que Flávio seria “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, juntamente com Willer Tomaz, ponto que permanece no centro da controvérsia sobre a abrangência da abertura de dados.

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