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Eleições 2026

Os caciques do Senado que despontam para reeleição em outubro

Os caciques do Senado: Barbalho, Calheiros e Jaques Wagner.
Renan Calheiros (à direita) é senador desde 1995 e disputará a reeleição; Barbalho faz campanha para o filho. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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A eleição deste ano terá o maior índice de senadores em busca da reeleição desde 1994, de acordo com os dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

O estudo aponta que 35 parlamentares vão disputar mais oito anos de mandato entre as 54 cadeiras em disputa no Senado, o que representa quase 65% de recandidaturas.

Entre eles, estão nomes conhecidos da política brasileira, como Renan Calheiros (MDB-AL), que ocupa o cargo há mais de 30 anos. Além de Calheiros, outros caciques do Senado vão disputar as eleições deste ano em estados do Norte e do Nordeste.

Renan Calheiros, o cacique mais antigo do Senado

Senador mais longevo em busca da reeleição, Renan Calheiros fez parte da “República de Alagoas”, o núcleo duro da gestão do ex-presidente Fernando Collor no início da década de 1990, quando ocupou o cargo de líder do governo na Câmara dos Deputados.

Durante a crise aberta pelo escândalo PC Farias, Calheiros rompeu com o presidente alagoano, mas votou contra a admissibilidade do processo de impeachment, que culminou na renúncia de Collor. Calheiros foi eleito senador por Alagoas pela primeira vez em 1994 e assumiu o cargo no ano seguinte.

Durante a gestão presidencial do tucano Fernando Henrique Cardoso, o senador comandou o Ministério da Justiça, entre abril de 1998 e julho de 1999. Em 2005, Calheiros se tornou presidente do Senado pela primeira vez e um grande aliado do PT nas gestões de Lula e Dilma Rousseff. 

Reeleito para a presidência da Casa, Calheiros foi afastado após enfrentar denúncias no Conselho de Ética do Senado. Ele foi acusado de usar recursos de uma empreiteira para pagar pensão alimentícia da filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Em 2020, ele foi absolvido das acusações de peculato pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na década seguinte, Calheiros voltou a ser eleito presidente do Senado no governo Dilma Rousseff e se tornou réu durante a operação Lava Jato. Em 2023, o STF mudou o entendimento sobre a denúncia aceita quatro anos antes e livrou Calheiros das acusações de corrupção envolvendo a Petrobras.

Calheiros passou a ter a companhia de Renan Filho (MDB-AL) no Senado, eleito em 2022. O filho do ex-presidente da Casa assumiu o cargo no ano seguinte, mas foi nomeado ministro dos Transportes pelo presidente Lula, deixando o cargo no governo federal no início deste ano para disputar a eleição ao governo de Alagoas.

Jader Barbalho deixa o Senado e participa de campanha eleitoral do filho

Ex-governador do Pará nas décadas de 1980 e 1990 e ex-ministro do governo Sarney, Jader Barbalho (MDB-PA) não disputará a reeleição ao Senado depois de mais de 30 anos no Congresso Nacional. O cacique foi eleito pela primeira vez ao Senado em 1994 e assumiu o cargo no ano seguinte. No entanto, após o primeiro mandato, Barbalho disputou a eleição para uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde atuou entre 2003 e 2010.

Ele retornou ao Senado em 2011 e foi reeleito para mais um mandato de oito anos nas eleições de 2018. Neste ano, o objetivo do clã Barbalho é eleger o ex-governador Helder Barbalho, pré-candidato emedebista ao Senado no Pará, e o ex-ministro do governo Lula Jader Filho, que vai disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Os nomes dos filhos de Jader Barbalho foram confirmados na convenção estadual do MDB, em Belém. A chapa ainda tem a governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição.

Ex-líder do PT, Jaques Wagner terá que enfrentar denúncias por ligação com Banco Master

Deputado federal na década de 1990,Jaques Wagner (PT-BA) governou a Bahia por dois mandatos e retornou ao Congresso em 2019, após vencer a eleição para o Senado no ano anterior. Neste ano, o petista busca a primeira reeleição ao Senado, onde ocupou a liderança do governo Lula até ser alvo da operação Compliance Zero, no último mês de junho.

Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de receber pagamentos, negociar um apartamento em Salvador e viajar em jatinhos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No final do mês passado, o ministro do STF André Mendonça levantou o sigilo sobre o caso, com interceptações telefônicas entre Wagner e o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

A relação entre o empresário e o político teve início durante o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). A Ebal era proprietária da rede de supermercados Cesta do Povo, que realizava venda subsidiada de produtos aos servidores da Bahia durante a gestão do ex-governador Rui Costa em 2018. Naquele momento, Wagner chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do petista informou que Wagner já forneceu todos os esclarecimentos necessários e que "os méritos do procedimento estão sendo discutidos por sua defesa nos autos."

O senador é antigo aliado de Lula e considerado um nome fundamental para a manutenção do governo petista na Bahia. Ele disputará a reeleição ao Senado na chapa em que o governador Jerônimo Rodrigues buscará um novo mandato.

O PT administra o estado há 20 anos, desde a vitória de Wagner em 2006. Na chapa ao Senado, Wagner terá a companhia de Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil de Lula.

Ciro Nogueira também é investigado por elo com Daniel Vorcaro

No Congresso desde 1995, Ciro Nogueira (PP-PI) foi eleito deputado federal por quatro mandatos. Ele venceu a primeira eleição ao Senado em 2010, reelegeu-se em 2018 e buscará mais um mandato de oito anos.

Nogueira deixou o Senado entre agosto de 2021 e dezembro de 2022 para ocupar a chefia da Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No ano passado, o presidente nacional do PP foi responsável pela articulação da União Progressista, maior federação partidária do país, ao lado do presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Nogueira é suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil de Vorcaro, além de outras vantagens em troca da atuação pró-Master no Congresso. A assessoria de Ciro Nogueira não deu retorno ao pedido de posicionamento feito pela reportagem da Gazeta do Povo. Após a operação, em maio, o senador piauiense alegou que a investigação é uma "perseguição política" em ano eleitoral.

Cid Gomes enfrenta briga política com irmão no Ceará

Ex-prefeito de Sobral e ex-governador cearense, Cid Gomes (PSB-CE) dividiu o comando do grupo político no estado com o irmão Ciro Gomes (PSDB-CE) até o rompimento familiar. Cid está afastado do irmão desde 2022, por divergências eleitorais e partidárias.

Cid Gomes foi eleito para o Senado em 2018. Dois anos depois, foi baleado durante uma paralisação de policiais militares em Sobral ao avançar com uma retroescavadeira na direção dos grevistas, que protestavam contra a gestão do então governador Camilo Santana (PT).

Na eleição municipal de 2024, os irmãos Gomes ficaram em lados opostos em Fortaleza. Ciro Gomes apoiava a reeleição do então prefeito José Sarto, que era filiado ao PDT e, neste ano, concorre a uma vaga na Câmara pelo PSDB. Já o irmão reforçou a aliança política com o governador petista Elmano de Freitas e com o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, filho de Eudoro Santana, presidente estadual do PSB. O grupo lançou o petista Evandro Leitão e venceu a eleição no segundo turno.

Com a recente guinada de Ciro à direita, os irmãos Gomes estarão novamente em lados opostos. O tucano tem na chapa ao governo cearense os pré-candidatos ao Senado Alcides Fernandes (PL-CE) e Capitão Wagner (União-CE), adversários de Cid nas urnas em outubro. Além de concorrer a um segundo mandato, o senador do PSB apoia a reeleição do governador petista.

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