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Partido Missão

Candidatura antissistema de Renan Santos ameaça ex-governadores na corrida à Presidência

Pré-candidato a presidente Renan Santos, fundador do MBL
"Eu sou um candidato de direita, o Flávio é do Centrão e o Lula é um candidato de centro-esquerda”, declara Renan Santos. (Foto: Divulgação/Missão)

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Braço político do Movimento Brasil Livre (MBL), o partido Missão estreia na eleição presidencial deste ano com a pré-candidatura de Renan Santos. Com discurso antissistema — que não poupa o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula (PT) e sequer Flávio Bolsonaro (PL) — ele passou a fazer parte do grupo de coadjuvantes que almeja furar a bolha da polarização.

A pré-candidatura do fundador do MBL, considerado um outsider — ou seja, alguém de fora do meio — ainda está longe de ser uma ameaça para a reeleição do presidente petista ou para o protagonismo do filho de Jair Bolsonaro na oposição. Mas a estratégia eleitoral de Santos, com forte engajamento nas redes sociais, é se tornar a “terceira força ideológica do país”, o que deixaria para trás os demais concorrentes na corrida presidencial, entre eles os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG). 

Segundo a pesquisa de intenção de voto AtlasIntel divulgada no final de março, Santos aparece tecnicamente empatado com Caiado e Zema em três cenários estimulados de primeiro turno. Lula lidera o primeiro cenário com 45,9% da intenção de voto, seguido por Flávio com 40,1%.

Santos disputa a terceira colocação com os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais, que deixaram os mandatos pela corrida presidencial. O candidato do Missão tem 4,4% da preferência dos entrevistados, em empate técnico com Caiado (3,7%) e Zema (3,1%). A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos.  

Nos outros dois cenários sem Caiado, o pré-candidato do Missão permanece empatado tecnicamente com Zema. Enquanto Santos oscila entre 4,5% e 4,6%, o mineiro pontua entre 3,3% e 3,7%. Nesses cenários, o instituto de pesquisa simulou a corrida eleitoral com os governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul, Ratinho Junior e Eduardo Leite, ambos do PSD. O paranaense desistiu da pré-candidatura e o gaúcho perdeu a disputa interna na sigla para Caiado, que foi o escolhido do cacique Gilberto Kassab.

  • Metodologia da pesquisa citada: A AtlasIntel entrevistou 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março. A pesquisa foi contratada pelo AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-04227/2026. 

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Em entrevista à Gazeta do Povo, Santos disse acreditar que existe espaço para o crescimento eleitoral de uma candidatura antissistema pela falta de respostas da política tradicional a temas importantes para a população, decisivos no voto.

“As duas maiores preocupações dos brasileiros são o crime organizado e a corrupção e nem Lula e nem Flávio têm respostas. Não há uma polarização sobre ideologia com um candidato à esquerda e outro à direita. Os dois fazem parte do Centrão político, sendo que Lula faz um governo de centro, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu sou um candidato de direita, o Flávio é do Centrão e o Lula é um candidato de centro-esquerda”, declara Santos.

Questionado sobre a estratégia nas redes sociais, ele disse que o alto engajamento é um “caminho natural” em virtude da atuação do MBL no meio digital. “Temos uma base mobilizada e estamos ampliando isso. As pessoas têm gostado da mensagem. Estou adotando um caminho que marqueteiros normalmente não recomendam, que é falar de propostas”, acrescenta o pré-candidato do Missão.

Uma das propostas apresentadas por Santos neste início de pré-campanha foi a separação do município do Rio de Janeiro do estado fluminense, transformando a capital em uma cidade-estado, com autonomia para o uso das Forças Armadas com o objetivo de reconquistar territórios dominados por facções criminosas. Além disso, ele defende medidas para o desenvolvimento econômico e desfavelização do Rio.

“Propor medidas para um país em que todo mundo tem preguiça ou medo de propor qualquer coisa é uma ótima largada. Ninguém quer ir ao Nordeste e dizer: ‘olha, vamos ter que mexer nessas bolsas e auxílios’. Não dá para continuar mandando dinheiro do governo federal para sustentar prefeituras que não funcionam”, critica.

“Estive no Paraná e disse para os eleitores que não dá para eles continuarem votando em deputados bolsonaristas que afirmam estar em Brasília lutando contra o comunismo. Enquanto isso, o estado não tem estrada [duplicada] para escoar a produção de Cascavel [oeste do estado] até o porto de Paranaguá”, diz Santos.

A concessão rodoviária à iniciativa privada que inclui a rodovia BR-277, no Paraná, a partir de Cascavel — principal eixo para o escoamento da produção estadual — foi arrematada pela empresa EPR no fim de 2024. O contrato prevê um cronograma de obras, distribuídas pelos 30 anos de concessão.

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O deputado federal Kim Kataguiri migrou do União Brasil para o Missão para atuar como um dos principais aliados de Renan Santos. “Minha saída é, antes de tudo, coerente com tudo que defendi até aqui. O União é um partido sem identidade, sem rumo e sem qualquer compromisso com ideias. É um ajuntado de interesses onde prevalece a lógica de cargo, emenda e manutenção de privilégios”, ataca o parlamentar, em entrevista à Gazeta do Povo.

Kataguiri entrou na política na esteira das mobilizações organizadas pelo MBL pelo país, em favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). “Saímos de um movimento de rua para um projeto político estruturado, com proposta de país que queremos alcançar. A Missão é a evolução natural disso: uma agenda clara de enfrentamento à velha política, ao comodismo e ao avanço do crime organizado”, afirma.

Kataguiri considera que a ascensão da pré-candidatura do Missão pode ocorrer durante a campanha pelo perfil de Renan Santos que, na opinião dele, se diferencia dos nomes tradicionais da direita na oposição à reeleição de Lula.

“O Renan representa uma direita que não tem rabo preso, que não depende de cacife político e que fala o que precisa ser dito, seja contra Lula ou contra Bolsonaro. Sabemos nos comunicar com o eleitor, especialmente o mais jovem, porque falamos a linguagem da realidade, não da bolha do Congresso Nacional”, diz ele.

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