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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) parabenizou nesta segunda-feira (26) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), pela reeleição. Em uma mensagem oficial, a entidade afirmou que a polarização “não pode determinar o horizonte do próximo período de governo”.
“O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições democráticas”. Pacificar não significa silenciar as divergências, mas criar condições para que elas sejam enfrentadas com respeito, justiça, verdade e disposição para o encontro”, disse.
A CNBB ressaltou que é preciso “cuidar da unidade do país e reconstruir os caminhos do diálogo, da confiança e da convivência fraterna entre os brasileiros”.
A instituição episcopal disse estar disposta a “manter um diálogo institucional construtivo” em “defesa da vida e da dignidade do ser humano”, bem como na “promoção da justiça, da fraternidade, da solidariedade e da paz”.
A entidade voltou a defender o “fortalecimento das instituições, o respeito à Constituição Federal, a promoção da paz social e do combate à corrupção e a toda forma de violência”.
Ao abordar os rumos do país, a CNBB enfatizou que o desenvolvimento nacional não pode ser avaliado apenas por indicadores econômicos, mas sim pela capacidade de “assegurar condições dignas de existência àqueles que permanecem à margem das oportunidades e dos direitos fundamentais”.
Lula e Alckmin venceram a chapa do PL formada pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ) e pelo deputado Alfredo Gaspar (AL). O petista conseguiu 64,2 milhões de votos (51,79%), enquanto o senador teve 59,8 milhões votos (48,21%).
Um dos episódios que marcaram a campanha deste ano foi a fake news sobre a suposta intenção de Flávio de retirar do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O candidato do PL chegou a dizer que o PT criou a desinformação "com ajuda de gente de dentro" da CNBB.
A entidade negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas à disputa eleitoral. Após a manifestação dos bispos, o senador recuou e agradeceu a entidade por fazer o esclarecimento.
CNBB reforça defesa da vida em carta a todos os eleitos
Mais cedo, a entidade divulgou outra carta voltada a todos os eleitos no pleito deste ano e reforçou sua postura contra o aborto, citando a necessidade de uma “defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural”.
“O Brasil continua diante de desafios que exigem responsabilidade compartilhada: a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural”, diz o comunicado a todos os eleitos.
Segundo a mensagem, essas responsabilidades exigem “políticas públicas consistentes, diálogo entre os poderes e compromisso com a correta utilização dos recursos destinados à população”.
A CNBB destacou que a vitória nas urnas vai além de uma conquista política, representando a assunção de uma responsabilidade diante de toda a população brasileira, incluindo os eleitores que fizeram escolhas divergentes. A instituição enfatiza que a autoridade pública deve ser exercida exclusivamente em função do bem comum.
Ao abordar o clima de tensão que se intensificou durante a campanha de 2026, a CNBB exorta os novos representantes a atuarem na pacificação do país. O documento exige a rejeição inequívoca da violência, da intolerância, da desinformação e de qualquer tipo de discriminação.
A liderança católica pontuou que a pluralidade de ideias é inerente à democracia e não deve inviabilizar a construção de convergências em torno das necessidades essenciais da sociedade. A CNBB ressaltou que sua disposição em debater esses temas com os eleitos “não se confunde com adesão partidária”.
“Nossa contribuição nasce do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, especialmente com os pobres, os pequenos e os que sofrem. Não se confunde com adesão partidária, mas expressa a responsabilidade da Igreja de colaborar para uma sociedade na qual ninguém seja privado das condições necessárias a uma vida digna”, afirmaram os bispos.
O documento é assinado pelos membros da Presidência da entidade: Dom Jaime Cardeal Spengler (Presidente), Dom João Justino de Medeiros Silva (1º Vice-Presidente), Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa (2º Vice-Presidente) e Dom Ricardo Hoepers (Secretário-Geral).




