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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) está sendo cotada como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de 2026 e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, não esconde a preferência.
"Ela é um nome muito forte no agronegócio e tem carisma", disse Valdemar em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele ressalvou, porém, que a decisão final caberá ao próprio Flávio e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Do lado dela, a resposta está permeada de distância. Assessores deFlávio Bolsonaro afirmam, em caráter reservado, que a composição é improvável. E a senadora, em conversas recentes, tem sido clara: nunca foi convidada, não é um projeto pessoal e, se um dia virar convite , aí sim vai pensar.
Enquanto o nome dela circula nas rodas políticas, Tereza Cristina está de olho em outro movimento: o lançamento de uma iniciativa própria, o Instituto Diálogos.
Assessores de Flávio descartam composição e senadora nunca teria sido convidada
A especulação sobre Tereza Cristina como vice não é nova. Em 2022, Valdemar Costa Neto apontava o nome dela como possível vice na chapa do então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PL), sem que houvesse qualquer conversa efetiva. A história se repete agora com Flávio.
Uma pessoa próxima à senadora conta que, há quatro anos, a situação foi a mesma: Valdemar falava publicamente no nome dela, sem que houvesse qualquer conversa de fato. O movimento seria uma dinâmica fechada de decisões na qual ela não é consultada.
O contexto desta vez tem um ingrediente a mais: a percepção do eleitorado. Levantamento do Paraná Pesquisas de dezembro do ano passado indicou que ter uma mulher na chapa pode ser relevante, dado que o eleitorado brasileiro é majoritariamente feminino: 24,4% dos entrevistados consideraram importante que o próximo vice-presidente seja mulher.
Na sequência, 22,3% avaliaram que a principal característica para o cargo é ser um representante do setor produtivo ou do agronegócio, com foco econômico, um perfil que Tereza Cristina preenche com folga.
Mesmo assim, pessoas próximas à senadora são categóricas: não houve nenhuma aproximação real do campo de Flávio Bolsonaro. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro mantém contato frequente com ela e Valdemar Costa Neto a admira, mas isso estaria longe de ser uma negociação.
Metodologia da pesquisa citada: o instituto ouviu 2.038 eleitores entre os dias 18 e 22 de dezembro; a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Presidência do Senado mobiliza mais a senadora do que eventual chapa em 2026
A própria Tereza Cristina tem dado sinais em sentido contrário ao de um eventual plano de compor como vice. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse que ser vice não é seu projeto de vida.
Segundo pessoas próximas, a presidência do Senado é, de longe, o projeto que mais a mobiliza. Com mandato garantido até 2031, a ex-ministra da Agricultura consolida-se como a principal articuladora do setor produtivo no Senado e tem uma agenda que prioriza a segurança jurídica no campo e a abertura comercial. Compõem os eixos de atuação e relatorias dela:
- Acordo Mercosul-União Europeia: Tereza Cristina atua como relatora do tema no âmbito do Parlasul, sendo a voz técnica que equilibra as exigências ambientais europeias com a competitividade do agronegócio brasileiro.
- Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2159/2021): é a relatora do projeto na Comissão de Agricultura (CRA), defendendo a simplificação de ritos para destravar investimentos em infraestrutura e produção.
- Regularização fundiária: lidera o debate sobre a validade de títulos de propriedade em faixas de fronteira, agindo diretamente na articulação para derrubada de vetos presidenciais que tragam insegurança jurídica a esses produtores.
- Comissão de Agricultura e Reforma Agrária: como presidente, pauta temas sensíveis como o marco temporal e o uso de defensivos agrícolas.
- Mineração e terras indígenas: coordena grupos de trabalho que buscam conciliar a exploração sustentável de recursos minerais com a preservação de direitos territoriais.
Senadora lança instituto de debate com foco em propostas práticas
Em fevereiro, a senadora lançou o Instituto Diálogos, com sede em Brasília. A concepção é dela e teve início há um ano e meio. De acordo com pessoas ligadas ao instituto, ela queria algo sem dogmatismo acadêmico, comprometido com um debate aberto e sem partidarismo.
O Instituto Diálogos foi criado formalmente em setembro do ano passado, mas o lançamento público só ocorreu no mês passado. A proposta é ocupar um espaço que, segundo pessoas ligadas ao instituto, não existe em Brasília: um ambiente de debate capaz de produzir análises e propostas que possam ser oferecidas ao governo ou à iniciativa privada.
O primeiro grande evento está previsto para o último fim de semana de maio: um seminário sobre a nova geoeconomia mundial, com especialistas brasileiros e estrangeiros. Ainda de acordo com informações das pessoas ligadas ao instituto, o seminário vai se debruçar sobre o comércio internacional. A guerra na Ucrânia, a política tarifária norte-americana, o confronto com a China e o papel do Brasil entre as potências médias devem estar na pauta.
Tereza Cristina deve percorrer Mato Grosso do Sul de olho em Alcolumbre fragilizado
A senadora também terá um papel relevante na política local, avaliam pessoas próximas a ela: deve percorrer o Mato Grosso do Sul para ajudar na campanha do governador Eduardo Riedel (PP), que busca a reeleição, em dobradinha com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ao Senado.
No plano nacional, o cenário para a presidência do Senado pode estar se abrindo. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União), enfrenta um momento de fragilidade política, o que, segundo fontes próximas à senadora, torna a disputa mais possível do que parecia até pouco tempo atrás.
A presidência do Senado, porém, só se torna um horizonte real para Tereza Cristina se Flávio Bolsonaro vencer a eleição e, neste caso, a disputa provável seria com Rogério Marinho, senador e coordenador da campanha do pré-candidato do PL.
A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato com os senadores Flávio Bolsonaro, Tereza Cristina e Rogério Marinho, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.
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