
Ouça este conteúdo
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica e responsável pelo plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que um eventual governo de Flávio reajustará o salário mínimo acima da inflação e substituirá o atual arcabouço fiscal por uma regra com maior controle sobre as despesas.
Segundo ela, o programa não prevê cortes em programas sociais, mas uma redução de gastos baseada no combate a supersalários, benefícios considerados excessivos e revisão de despesas públicas.
Em entrevista ao UOL, publicada nesta terça-feira (18), Daniella disse que a equipe econômica pretende garantir ganho real para o salário mínimo. Ela não informou, porém, qual percentual de aumento acima da inflação seria aplicado.
À CBN, também nesta terça-feira, Daniella afirmou que o arcabouço fiscal perdeu credibilidade.
A proposta de Flávio prevê a revisão da regra fiscal e a criação de um novo mecanismo para controlar a trajetória da dívida pública.
Daniella defende corte de gastos sem reduzir programas sociais
Daniella afirmou ao UOL que o ajuste das contas públicas não deve atingir programas sociais. A estratégia, segundo ela, será concentrar o corte em despesas consideradas excessivas e em privilégios de determinadas categorias.
Entre as medidas citadas estão a revisão de supersalários e benefícios do funcionalismo, além de mudanças na gestão dos ativos da União.
Daniella também defendeu a exploração econômica de imóveis públicos e a revisão de empresas estatais para reduzir despesas e gerar receitas.
A proposta mantém a promessa de um corte expressivo de gastos apresentada anteriormente por Daniella.
Em entrevista à GloboNews em 3 de agosto, Daniella afirmou que o plano prevê uma redução de despesas equivalente a 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, considerando o resultado de 2025. Ela também citou a criação de um Conselho Superior de Governança Fiscal e a ampliação de concessões e parcerias público-privadas.
"Arcabouço fiscal não tem credibilidade"
Na entrevista à CBN, Daniella voltou a defender uma mudança na atual regra fiscal. Para ela, o modelo adotado pelo governo Lula não recuperou a confiança dos agentes econômicos e precisa dar lugar a uma regra capaz de controlar a dívida pública.
"Hoje, a despeito de o Brasil ter o maior juro real do mundo, no último leilão do Tesouro não apareceu ninguém. É sintomático do que está acontecendo com o Brasil. Então esse arcabouço ele não tem credibilidade, precisa ser revisado", afirmou.
A campanha de Flávio propõe substituir o arcabouço por um novo teto de gastos.
O plano também prevê reduzir pelo menos dez ministérios, cortar cargos comissionados e combater supersalários e benefícios considerados privilégios.
Privatização dos Correios
Outro ponto apresentado por Daniella ao UOL foi a situação dos Correios. Segundo ela, um eventual governo Flávio não deve privatizar a estatal.
Daniella considera que a empresa precisa primeiro passar por uma reestruturação para recuperar sua capacidade financeira e manter a prestação do serviço postal.
"Se eu te der os Correios por um real, você leva nove bilhões de dívida, então ele gera um buraco tão grande que impede e penaliza o próprio carteiro aposentado. Então você tem que precisar, em mercado a gente chama de ativo estressado, você vai ter que fazer uma reestruturação. Lembrando que os Correios têm uma função que é a universalização do serviço postal, para você conseguir fazer programa de demissão voluntária, manter a saúde financeira, para conseguir ter uma destinação. Então hoje você não consegue mais privatizar, precisa reestruturar", afirmou.







