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Dados na Justiça Eleitoral

De Mercedes a Uno Mille, os carros declarados pelos presidenciáveis

Apenas cinco dos 13 candidatos a presidente disseram possuir veículos automotores registrados em seus patrimônios pessoais na Justiça Eleitoral. Isso não significa que candidatos não tenham carros.
Apenas cinco dos 13 candidatos a presidente disseram possuir veículos automotores registrados em seus patrimônios pessoais na Justiça Eleitoral. Isso não significa que candidatos não tenham carros. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)

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De carrões importados a carros compactos modestos, a frota somada de veículos dos candidatos à Presidência da República nas eleições 2026 chega ao valor de R$ 595 mil, de acordo com a declaração de bens prestada pelos postulantes ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apenas cinco dos 13 candidatos a presidente disseram possuir carros ou veículos automotores registrados em seus patrimônios pessoais na Justiça Eleitoral — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Clariana Beltrão (DC), Ronaldo Caiado (PSD) e Samara Martins (UP).

O veículo mais valioso da lista é um Land Rover Discovery Sport, de R$ 376 mil, declarado por Clariana Beltrão. O presidente Lula, por sua vez, declarou um Chevrolet 2010/2011, relacionado ao Omega já declarado em eleições passadas, no valor de R$ 50 mil.

Flávio Bolsonaro declarou um veículo ano 2014, no valor de R$ 133 mil. Trata-se de um Volvo XC60, também declarado em pleitos anteriores. Segundo o jornal O Globo, Flávio possui ainda um Mercedes GLC 300 ano 2025, de R$ 427,5 mil, registrado pelo escritório de advocacia dele.

Caiado apontou apenas um veículo, no valor de R$ 7,1 mil. O preço corresponde à Honda NXR 150 Bros KS 2008, registrada em eleições anteriores. Por fim, Samara Martins declarou um Fiat Uno Vivace 2016, no valor de R$ 29 mil.

Informação prestada à Justiça Eleitoral não significa que candidatos não tenham carros

Alguns dos candidatos à Presidência mais ricos, que declararam possuir os maiores patrimônios totais ao TSE, curiosamente não declararam nenhum carro ou veículo automotor registrado no próprio nome — isso não significa que eles não possuam carros.

A exigência legal de declarar o patrimônio visa garantir a transparência e fiscalizar a evolução de bens de quem disputa cargos públicos. Na prática, no entanto, a natureza autodeclaratória do mecanismo faz com que não haja, a princípio, checagem das declarações por parte da Justiça Eleitoral.

É comum carros e outros veículos ficarem registrados no nome de empresas e familiares, sem isso ser necessariamente um problema. Apesar disso, uma investigação pode ser solicitada pelo Ministério Público eleitoral ou algum partido político em caso de alguma suspeita, e a autoridade eleitoral pode determinar a apresentação da declaração de Imposto de Renda fornecida à Receita Federal.

Pablo Marçal (PRTB) declarou possuir R$ 149,9 milhões em bens totais, com muitas participações societárias, mas nenhum veículo — assim como nas eleições de 2024. Nas redes sociais, no entanto, Marçal aparece com carros de alto luxo como Ferrari SF90, Bentley Bentayga e Rolls-Royce Spectre. Marçal está declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, e pode não obter o registro oficial da candidatura ao final do processo de análise.

O ex-governador mineiro e presidenciável do Novo, Romeu Zema, declarou ao TSE R$ 178,7 milhões em bens, mas nenhum carro no patrimônio. Em entrevistas, porém, Zema já indicou possuir um Fiat Palio 2015 (R$ 32,8 mil) e uma coleção de carros antigos. Dentre eles, um Ford T 1918 que pertenceu ao bisavô dele.

Candidato à Presidência da República mais rico em 2026, o escritor Augusto Cury (Avante) afirma ter R$ 242,2 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral, sem nenhum veículo descriminado. Outro presidenciável multimilionário que não declarou nenhum veículo ao TSE foi Veterinário Wilson Grassi (Democrata). O candidato registrou um patrimônio de R$ 50 milhões nestas eleições.

Com patrimônios pessoais declarados bem mais modestos, Edmilson Costa (PCB), com R$ 454 mil, e Renan Santos (Missão), com R$ 795 mil, também não registraram a posse de nenhum carro ou veiculo automotor. Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) não só indicaram não possuir nenhum veículo próprio como afirmam ao TSE que não possuem patrimônio nenhum.

SUV de R$ 2,25 milhões e frota de R$ 6 milhões

Dentre os candidatos que devem disputar estas eleições no geral, não apenas os postulantes à Presidência, um SUV Mercedes-AMG G 63 avaliado em R$ 2,25 milhões e um superesportivo Porsche 911 Turbo S de R$ 1,9 milhão estão no topo dos veículos de maior valor declarados.

Os dados enviados à Justiça Eleitoral detalham frotas particulares de candidatos que ultrapassam o valor total de R$ 6 milhões. Cerca de 40% dos candidatos declararam algum veículo, com uma média de R$ 154 mil por item.

No topo da lista de valores declarados em automóveis está Flávia do Maguito (PSDB), que disputa uma vaga de deputada federal por Goiás. O carro mais caro da lista é um jipe Mercedes-AMG G 63, avaliado em R$ 2,25 milhões. Sua garagem soma R$ 6,27 milhões em carros de luxo, e inclui ainda outro Mercedes-Benz, duas caminhonetes Dodge Ram, dois SUVs Range Rover, um Jeep e um Volkswagen. Ao todo, a candidata registrou um patrimônio total de R$ 103,7 milhões na Justiça Eleitoral.

Alessandro Bronze (PL), candidato a 1º suplente de senador no Amazonas, declarou R$ 5,6 milhões em cinco veículos automotores — três de mais de R$ 1 milhão cada, registrados genericamente como “veículo automotor”. O carro mais caro declarado por um candidato nestas eleições é dele, no valor de R$ 2,5 milhões, mas o modelo não é especificado no site de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do TSE.

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