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Ex-secretário da Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal e senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) é o primeiro de uma lista de quadros do governo de São Paulo cotados para integrar um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), caso o senador vença a disputa nas urnas no próximo domingo (25).
Após Flávio terminar o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as sondagens para uma possível equipe de governo ganham força. A informação foi confirmada à Gazeta do Povo por aliados de Tarcísio, de Derrite e de Flávio.
Flávio tem mantido a discrição em relação aos possíveis cotados e tem evitado condicionar cargos de um possível governo ao apoio a sua candidatura. "A gente tem que ganhar a eleição primeiro antes de discutir qualquer outro assunto", afirmou em entrevista coletiva em Brasília, após o primeiro turno, ao receber o apoio do Partido Novo.
Mesmo diante da cautela do candidato, pessoas próximas a Derrite, que pediram para não ser identificadas, afirmaram que é “praticamente certo” que o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo assuma o Ministério da Justiça caso Flávio confirme a vitória no segundo turno.
Eleito em 4 de outubro, Derrite recebeu 13.273.880 votos, a maior votação já registrada para o Senado no país em números absolutos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Caiado nega que tenha tratado de cargos após o primeiro turno
Nos bastidores, o nome de Ronaldo Caiado (PSD), que disputou a Presidência no primeiro turno e declarou apoio a Flávio no segundo, também teria sido cotado para a Segurança Pública ou para a Agricultura. Pessoas próximas à campanha, no entanto, afirmam que ele deve voltar a Goiás.
Em resposta à Gazeta do Povo, a assessoria do ex-governador de Goiás afirmou que ele jamais tratou de eventual composição de governo com qualquer agente político.
Segundo a nota, “após o fim do 1° turno, o único ato dele [Caiado] foi no sentido de manifestar seu apoio pessoal ao candidato Flávio Bolsonaro, posição natural dentro da atual conjuntura das eleições e coerente com sua trajetória política de 40 anos militando no campo da direita".
Tarcísio se diz pronto para indicar quadros ao governo Flávio
Tarcísio, por sua vez, afirmou em entrevista recente que pode ceder nomes de sua equipe a um eventual governo Flávio. "A gente vai estar sempre pronto para indicar quadros que fazem parte do Governo de São Paulo, e o Flávio já tem me falado que tem interesse de levar alguns quadros que estão aqui conosco para o Governo Federal", disse o governador à Jovem Pan um dia depois de ser reeleito no primeiro turno.
De acordo com uma pessoa próxima ao governador e a Flávio, alguns nomes que vieram do governo de Jair Bolsonaro (PL) para o Executivo paulista depois de o ex-presidente perder a Presidência da República, em 2022, também estão na lista.
São eles o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Paes de Andrade; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) Wagner Rosário; e o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.
Também são citados o secretário da Educação, Renato Feder, para o Ministério da Educação; o secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita, para a área econômica; e o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.
Secretários que devem permanecer no governo de São Paulo
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, e a secretária de Comunicação, Laís Vita, não devem sair do governo paulista, de acordo com uma fonte próxima ao governador. As duas trabalham com Tarcísio desde que ele comandava o Ministério da Infraestrutura, no governo Bolsonaro.
De acordo com uma pessoa próxima à campanha de Flávio, elas fazem parte do núcleo de confiança do governador e não têm proximidade com a equipe do candidato à Presidência da República. Natália é cotada para assumir a Casa Civil paulista no segundo mandato de Tarcísio, que começa em janeiro de 2027. Ela também foi apontada como uma possível indicação de Tarcísio ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo Flávio, de acordo com a CNN Brasil.
O secretário da Justiça e Cidadania de São Paulo, Arthur Lima, também aparece entre os nomes que poderiam ser indicados à Corte. Outro nome que não deve migrar para um eventual governo Flávio Bolsonaro é o secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Uma fonte próxima a ele afirmou que Afif pretende continuar na gestão estadual.
Quem são os quadros de Tarcísio cotados para eventual governo Flávio
Derrite comandou a Segurança Pública de São Paulo
Senador eleito com a maior votação da história do país, Guilherme Derrite é capitão da reserva da Polícia Militar, com passagem pela Rota. Foi secretário da Segurança Pública de São Paulo de janeiro de 2023 a dezembro de 2025, quando deixou o cargo para reassumir o mandato de deputado federal e relatar o projeto de lei antifacção.
Rafael Benini estruturou concessões no governo Bolsonaro
Secretário de Parcerias em Investimentos de São Paulo desde 2023, Rafael Benini é mestre em economia pela Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor de Planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), ligada ao Ministério da Infraestrutura, de 2019 a 2022, quando Tarcísio comandava a pasta.
Caio Paes de Andrade presidiu a Petrobras no governo Bolsonaro
Secretário de Gestão e Governo Digital de São Paulo desde 2023, Caio Paes de Andrade comandou a Petrobras em 2022. Antes, integrou a equipe de Paulo Guedes no Ministério da Economia, no governo Bolsonaro.
Wagner Rosário chefiou a CGU por cinco anos
Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a mesma instituição em que Tarcísio estudou, Wagner Rosário foi ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) de 2017 a 2022, nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro. No governo paulista, comandou a Controladoria-Geral do Estado de 2023 a 2025 e, indicado por Tarcísio, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) em setembro de 2025.
Geraldo Melo Filho presidiu o Incra no governo Bolsonaro
Economista e produtor rural, Geraldo Melo Filho é secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo desde janeiro de 2026. Presidiu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 2019 a 2022, no governo Bolsonaro.
Renato Feder recusou o MEC de Bolsonaro em 2020
Secretário da Educação de São Paulo desde 2023, Renato Feder é empresário e foi CEO da Multilaser antes de entrar na vida pública. Comandou a Secretaria da Educação do Paraná no governo Ratinho Júnior (PSD) e, em 2020, foi convidado por Jair Bolsonaro para o Ministério da Educação, mas recusou.
Samuel Kinoshita trocou o mercado financeiro pela equipe de Paulo Guedes
Secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo desde 2023, Samuel Kinoshita é economista de perfil técnico e veio do mercado, com passagens por BTG Pactual e Kapitalo Investimentos. Foi assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, de 2019 a 2021, no governo Bolsonaro.











