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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, está utilizando canais oficiais de órgãos públicos para comunicar de forma individualizada a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a possibilidade de realização de prova de vida por meio do comparecimento às eleições deste ano.
Um dos disparos foi feito por meio do aplicativo Meu INSS, que, se autorizado, exibe a notificação pelo sistema push – um tipo de alerta que aparece diretamente na tela dispositivo (celular ou tablet).
Com o título “Seu voto vale como Prova de Vida do INSS!”, a mensagem diz “Vote nas Eleições 2026 e tenha sua comprovação de vida atualizada automaticamente”.
A Gazeta do Povo também teve acesso a uma mensagem enviada na manhã desta quinta-feira (1º) pelo perfil GovBR no WhatsApp, canal oficial do governo, informando a um aposentado que “votar nas eleições” é uma das formas de fazer a prova de vida do INSS.
O destinatário da mensagem diz que nunca havia recebido mensagem do governo no WhatsApp e que já fez a prova de vida na agência bancária em que recebe o benefício.

De acordo com a legislação eleitoral, idosos com mais de 70 anos tem o voto facultativo. Além deles, jovens de 16 e 17 anos e analfabetos também podem escolher participar da votação ou não.
Dados recentes do Boletim Estatístico da Previdência Social apontam que o Brasil tem atualmente 24,5 milhões de aposentados pelo INSS.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) foi questionada sobre os envios e apenas indicou procurar o Ministério da Previdência Social. Procurados, a pasta, o INSS e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não responderam até a publicação desta reportagem.
Comparecimento de aposentados nas eleições favorece Lula
Em meio a uma disputa acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula tem apelado a grupos de eleitores cujo voto é facultativo para incentivar a participação no pleito. Na última sexta-feira (25), durante ato de campanha em São Gonçalo (RJ), o presidente citou a própria idade para pedir o comparecimento de pessoas com mais de 70 anos nos locais de votação.
“Se eu, com 80 anos, estou aqui pulando e sou candidato, porque um cara de 70 anos vai dizer ‘ah, não preciso votar’?”, questionou. “Desistiu da vida? Levanta a bunda e vai votar, meu filho. O Brasil precisa de você. Idade não é motivo para não votar.”
Na terça-feira (29), em Fortaleza, ele voltou a incentivar o eleitorado mais velho a sair de casa no domingo (4). “Se não quer votar por você, vote pelo seu neto, vote pelos seus filhos, vote pelo Brasil”, clamou.
De acordo com o TSE, quase 17 milhões de eleitores tem mais de 70 anos e estão aptos, mas não são obrigados a votar. O número corresponde a mais de 10% do eleitorado geral, composto de 158,7 milhões de pessoas. Na comparação com 2022, esse grupo cresceu 15,75%, ainda segundo o TSE.
Pesquisas de intenção de voto mostram vantagem do petista junto ao eleitorado idoso. De acordo com o levantamento mais recente do Datafolha, divulgado na última quinta-feira (24), Lula tem 42% contra 37% de Flávio, no primeiro turno, entre os entrevistados com mais de 60 anos.
Pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg de 23 de setembro aponta uma tendência ainda mais favorável ao presidente: 62,6% a 31,5% de Flávio no grupo acima de 60 anos.
Além disso, o índice de abstenção, ou seja, o porcentual de pessoas que não comparece às urnas nas eleições, costuma se concentrar nas parcelas de baixa renda e baixa escolaridade, segmento que também tende a ser mais alinhado a Lula, o que faz com que essa ausência retire votos do petista.
A última pesquisa Datafolha aponta vantagem de Lula entre quem tem renda de até 2,5 salários mínimos (46% a 32%), mas desvantagem nos demais grupos.
Na última eleição presidencial, em 2022, o índice de abstenção no primeiro turno foi de 20,89%, o equivalente a cerca de 32,7 milhões de eleitores, segundo o TSE.
Voto de aposentados nas eleições vale como prova de vida para o INSS
O comparecimento às urnas é uma das atividades válidas para a comprovação de vida desde 2022, graças a uma parceria entre o TSE e o INSS. Segundo o Ministério da Previdência Social, as informações sobre o comparecimento serão repassadas pela Justiça Eleitoral ao INSS.
Em 2024, de acordo com a pasta, foram registrados eventos eleitorais para 20.957.288 beneficiários, resultando na atualização de aproximadamente 5 milhões de provas de vida.
O TSE, entretanto, ressalta que quem não comparecer à votação não terá o benefício bloqueado.
Para os casos em que o cidadão não comparecer às eleições, o INSS segue utilizando o sistema SIRIS, que coleta diversas fontes de dados do governo em busca de outros eventos comprobatórios, como a emissão de documentos, movimentações registradas ou atendimentos realizados, inclusive de forma remota, com reconhecimento biométrico. O segurado só é convocado a regularizar a situação quando não é encontrada nenhuma fonte que confirme a sua vivacidade.
Metodologia das pesquisas citadas
- Datafolha: 2.002 entrevistados entre os dias de 22 e 23 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: dois pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00304/2026.
- AtlasIntel/Bloomberg: 5.015 entrevistados pela Indexa de 17 a 22 de setembro de 2026. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: um ponto percentual. Registro no TSE nº BR-04739/2026.




