Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Eleições 2026

A estratégia por trás dos novos marqueteiros da campanha de Flávio Bolsonaro

Novos marqueteiros da campanha definidos por Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.
Nova equipe de comunicação tenta ampliar base eleitoral do pré-candidato. (Foto: Beto Barata/PL)

Ouça este conteúdo

O publicitário Eduardo Fischer e o jornalista Alexandre Oltramari são os novos responsáveis pela comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Anunciados na segunda-feira (25) pelo coordenador-geral da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), nenhum dos dois tem vínculo com o campo político da família Bolsonaro.

Para especialistas em marketing político ouvidos pela Gazeta do Povo, essa é exatamente a aposta: chegar a um eleitorado além da base já convencida. Fischer assume como consultor estratégico, responsável pelas diretrizes e pelo posicionamento da candidatura. Oltramari responde pela coordenação de comunicação e marketing — é o marqueteiro na prática.

Os dois já trabalharam juntos antes: em 2018, coordenaram a campanha presidencial do ex-senador paranaense Alvaro Dias (então no Podemos), que terminou com menos de 1% dos votos válidos.

Fischer tem experiência de quatro décadas na publicidade

Com quatro décadas de mercado, Fischer fundou a Fischer & Justus ao lado do empresário Roberto Justus e é reconhecido como pioneiro da comunicação integrada no país.

Entre suas criações mais conhecidas está a campanha "Brahma Número 1", de 1994 — que inspirou o gesto icônico de jogadores da seleção brasileira apontando o dedo para o alto durante a Copa do Mundo do tetracampeonato. Foi eleito publicitário do ano cinco vezes e integrou a lista dos cem brasileiros mais influentes da revista Época.

"Me surpreendeu e muitas pessoas do mercado também. O Eduardo não tinha, aparentemente, essa ligação com o conservadorismo, com a direita", diz João Matta, professor de marketing político da FGV.

Para Marcelo Vitorino, professor de marketing político da ESPM, a escolha carrega um risco específico. "Propaganda comercial e marketing político não são a mesma profissão. A política corre numa velocidade diferente, lida com variáveis que a propaganda não enfrenta", avalia.

VEJA TAMBÉM:

Jornalista conhece os bastidores da política

Se Fischer é o nome de mercado, Oltramari é o operacional político. Jornalista e marqueteiro gaúcho radicado em Florianópolis, foi repórter especial dos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense, além de editor de política da revista Veja por mais de dez anos. Ficou nacionalmente conhecido ao revelar o caso do enriquecimento de Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

Na política, coordenou campanhas de peso: estreou elegendo o tucano Marconi Perillo ao governo de Goiás em 2010, comandou a campanha de Simone Tebet (PSB-SP) ao Senado em 2014 e elegeu Wilson Lima ao governo do Amazonas em 2018 e 2022.

"Ele é um cara que se envolve muito pessoalmente. Está junto no operacional, viaja com o candidato, trabalha 16 horas por dia numa campanha", descreve Matta.

VEJA TAMBÉM:

Fischer e Oltramari não preenchem espaço de Carlos Bolsonaro

Há uma lacuna que a nova dupla não resolve. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), o "02" da família, é apontado como o arquiteto da estratégia digital que levou o pai ao Planalto em 2018 — quando Jair Bolsonaro tinha menos de 30 segundos de televisão e derrotou candidatos com a maioria do tempo no horário eleitoral.

Ao filho é atribuída a estratégia da campanha digital vitoriosa nas redes sociais. Desta vez, Carlos estará ocupado com a própria pré-campanha ao Senado por Santa Catarina, ao lado de Caroline de Toni (PL-SC). "O Flávio perde muito com a ausência do Carlos. Se ele estivesse, com certeza seria responsável pelas redes sociais, e já demonstrou que conhece esse assunto", elogia o professor de marketing político da FGV.

Ele lembra que a campanha de 2018 foi um divisor de águas no marketing político. Repetir a fórmula sem Carlos Bolsonaro, considerado o principal arquiteto da ascensão da família Bolsonaro, é o maior desafio que a nova dupla encontra pela frente — antes mesmo de a campanha começar de verdade.

A troca que Valdemar queria — e o que ela revela

A saída do publicitário Marcello Lopes não foi consequência apenas do caso envolvendo Daniel Vorcaro. Segundo apuração da Gazeta do Povo, a insatisfação era anterior ao vazamento dos áudios e a troca teve a articulação do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Lopes era figura do círculo pessoal de Flávio, o que, para quem assina o cheque da campanha, representaria falta de autonomia.

A chegada de Fischer e Oltramari, dois profissionais sem laços com a família, resolve esse problema e sinaliza que a campanha de Flávio deve mirar na pequena fatia do eleitorado que pode decidir a eleição presidencial — o voto de centro, que pode ir para Lula ou para o candidato da direita. "Ter alguém com uma visão menos ligada ao bolsonarismo raiz talvez seja bom para ventilar a campanha", analisa Matta.

VEJA TAMBÉM:

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.