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“Ey, Ey, Eymael”

Após seis eleições, democrata cristão conhecido por jingle fica de fora da corrida presidencial

Eymael, ex-presidente da Democracia Cristã
José Maria Eymael foi candidato a presidente desde 1998, não disputando apenas o pleito de 2002. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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O jingle “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão” não voltará a ser ouvido durante a campanha da eleição presidencial deste ano. A música se tornou símbolo do ex-candidato da Democracia Cristã (DC) — ao todo, foram seis participações de José Maria Eymael nas eleições presidenciais desde a corrida pelo Planalto em 1998, sendo que o candidato “nanico” obteve seu melhor desempenho no ano de 2010, quando recebeu cerca de 89 mil votos (0,09% dos votos válidos) e terminou na quinta colocação.

Ao longo de mais de duas décadas, Eymael ficou de fora apenas da eleição presidencial de 2002, quando disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo. Na última disputa presidencial, ele foi o candidato menos votado, tendo obtido em torno de 16 mil votos, o que representou apenas 0,01% dos votos válidos.

Apesar do baixo desempenho nas urnas, o nome de Eymael se tornou um ícone eleitoral conhecido do brasileiro, cantado de quatro em quatro anos, seja pelos eleitores de fato do candidato, seja como protesto ou brincadeira, independentemente da ideologia do cidadão.

Aos 86 anos, Eymael deixou o comando da Democracia Cristã em 2025, após 40 anos como presidente da sigla, que foi refundada em 1985, depois do período da ditadura militar, que aboliu o pluripartidarismo. Em julho, ele passou a presidência nacional da sigla para o alagoano João Caldas, que recentemente anunciou a pré-candidatura presidencial de Aldo Rebelo para as eleições de 2026.

Dias depois, o presidente licenciado perdeu a esposa, Isola Selbach Eymael, que morreu no mês de agosto, e se afastou das atividades políticas. Procurada pela Gazeta do Povo, a direção da DC informou que Eymael “tirou um ano sabático” depois de liderar o partido por quatro décadas.

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Eymael tentou disputar a primeira eleição direta a presidente após redemocratização

Na última vez que apareceu nas urnas, o então candidato da DC carregou a alcunha de constituinte ao lado do sobrenome nas eleições de 2022. Há quatro anos, ele registrou a candidatura com o nome “Constituinte Eymael”, que remete à primeira eleição como deputado federal por São Paulo, em 1986. A vitória colocou Eymael na Câmara dos Deputados, responsável pela votação e elaboração da Constituição de 1988.

Como deputado constituinte, ele apresentou 145 propostas e defendeu valores cristãos e familiares, além de direitos trabalhistas, mas é lembrado principalmente pela defesa da inclusão do nome de “Deus” no preâmbulo da Constituição de 1988. No ano seguinte, Eymael já tinha a intenção de participar da eleição presidencial, a primeira com voto direto desde a década de 1960.

Eymael lançou a pré-candidatura a presidente pelo Partido Democrata Cristão (PDC), mas a convenção partidária foi acirrada, com diferentes siglas em busca do apoio político para a eleição de 1989, que teve 22 candidatos. Segundo o livro “1989: História da primeira eleição presidencial pós-ditadura”, do autor Cássio Augusto Guilherme, a proposta de candidatura própria de Eymael sequer foi votada na convenção do PDC. O resultado surpreendeu o favorito Fernando Collor e o partido decidiu pela coligação com Guilherme Afif, do PL, indicando o candidato a vice, Aluísio Pimenta.

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Jingle de Eymael foi feito para eleição à prefeitura de São Paulo

Apesar do jingle de Eymael ter ficado conhecido nacionalmente pela participação do candidato nas últimas eleições, a música foi criada para a campanha do democrata cristão a prefeito de São Paulo em 1985. Em entrevista ao portal Catraca Livre durante as eleições de 2018, Eymael contou que a música foi criada pelo alfaiate José Raimundo de Castro, integrante do partido, apesar da resistência da direção da sigla e do próprio candidato em usar o nome “Eymael” nas urnas.

“José Maria” era considerado a melhor opção, mais fácil para o eleitor brasileiro lembrar do nome do então candidato à prefeitura da capital paulista. Para não criar atrito com o correligionário, Eymael deu dois dias para Castro apresentar uma alternativa.

“Ele pega o violão e canta pra mim. Quando terminou de cantar o jingle, eu disse a ele: ‘Castro, a partir de hoje, devo a você minha história política’. A genialidade dele foi ver no ‘Ey’, o “ei” brasileiro. Aí juntou o ‘mael’, mostrou que era fácil dizer ‘Eymael’ e aproveitou para dizer o que o Eymael era: um democrata cristão. É o jingle de maior sucesso da história política do Brasil”, disse o então candidato a presidente à época.

Em 2012, Eymael disputou a prefeitura de São Paulo, pela última vez, pelo PSDC (Partido Social Democrata Cristão) e teve apenas 5,3 mil votos.

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DC entra em nova fase com aval de Eymael

O novo presidente nacional da DC, João Caldas, destacou a liderança de Eymael nas últimas quatro décadas e disse que o ex-candidato a presidente entendeu que o partido precisava de uma “nova dinâmica” e de uma estratégia política para impulsionar as candidaturas.  

“Ele [Eymael] tinha um projeto mais teológico, de manter viva a democracia cristã. Um partido que nasce no contexto da Segunda Guerra Mundial, com princípios de liberdade, fraternidade e igualdade, buscando aglutinar forças e combater as injustiças do pós-guerra”, afirmou Caldas em entrevista à Gazeta do Povo.

Neste sábado (31), a DC lança oficialmente a pré-candidatura a presidente de Aldo Rebelo em evento na capital paulista. De acordo com o novo presidente do partido, o nome de Rebelo teve o aval de Eymael. “As coisas foram muito bem pactuadas e resolvidas. Foi algo com 100% de unanimidade. Está tudo pacificado. O objetivo é um só: fazer o partido crescer e conquistar um lugar de destaque na política brasileira.”

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