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Uso político da guerra

Fake news de Janones ligando Flávio à exploração de ucranianas gera atrito internacional

Postagem de André Janones tenta ligar falsamente Flávio Bolsonaro à exploração de ucranianas.
Postagem de André Janones tenta ligar falsamente Flávio Bolsonaro à exploração de ucranianas. (Foto: Reprodução do Instagram de André Janones)

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Uma tentativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) de associar falsamente o nome do candidato Flávio Bolsonaro (PL) à exploração sexual de refugiadas ucranianas está gerando atrito internacional. Kyiv acompanha o caso.

Janones é um dos principais líderes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais e coordena o canal de WhatsApp Exército do Lula.

Ele fez uma publicação na madrugada deste sábado (24) no Instagram sobre um dos episódios mais emblemáticos da guerra da Ucrânia: o bombardeio russo à maternidade em Mariupol em fevereiro de 2022 e tentou associar o episódio de forma negativa a Flávio.

O caso é sensível internacionalmente por tocar na questão de soberania da Ucrânia diretamente. Na ocasião, uma equipe de jornalistas da Associated Press filmou uma mulher grávida ensanguentada sendo retirada às pressas por socorristas da maternidade bombardeada.

A imagem correu o mundo e se tornou a primeira prova definitiva de que a Rússia bombardeia deliberadamente alvos civis na Ucrânia. Os jornalistas da AP passaram a ser caçados pelos russos e foram resgatados de trás das linhas inimigas por forças especiais ucranianas. A história fundamentou o documentário 20 Dias em Mariupol, que ganhou o Prêmio Pulitzer em 2023.

Janones escreveu um texto com o nome de uma das mulheres vítimas do bombardeio e depois afirmou: "Uma investigação revelou mensagens que apontam para uma rede internacional de prostituição financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que recrutava mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia, para encontros privados com homens ricos e poderosos. Muitos deles amigos e aliados de Flávio Bolsonaro."

A afirmação parece se referir a áudios vazados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em que ele trata com um interlocutor sobre empresas de fachada usadas para intermediar o trabalho de garotas de programa, algumas delas estrangeiras. As mensagens falam de uma mulher que seria refugiada da Ucrânia.

Não há nenhuma menção a Flávio Bolsonaro nas mensagens que vieram a público. A garota objeto da conversa também não tem qualquer relação com a grávida resgatada em Mariupol.

Caso foi tratado por núcleo de estudos da USP

O Núcleo de Estudos da Ucrânia da Universidade de São Paulo fez manifestações em redes sociais que podem ser interpretadas como uma tentativa de associar sem provas membros da "extrema direita" às mensagens de Vorcaro sobre a refugiada ucraniana. A reportagem apurou que o termo foi usado em uma das manifestações do grupo que tentaram provocar o Ministério Público a fazer uma investigação.

Não há informações se Janones tratou do assunto com o Núcleo de Estudos da Ucrânia da USP. A reportagem tentou entrar em contato com o deputado e com o Núcleo de Estudos da Ucrânia, mas não recebeu resposta.

Janones informou na própria postagem sobre a vítima do bombardeio russo à maternidade ucraniana que: "Não há nenhuma informação que a relacione às festas de Vorcaro ou a encontros com Flávio".

A Representação Central Ucraniano-Brasileira, formada pela comunidade ucraniana no Brasil e que não tem relação com a USP, divulgou uma nota afirmando que também acompanha os desdobramentos do episódio.

O governo do presidente Lula vem criticando sistematicamente a Ucrânia e chegou a afirmar que o país é tão culpado quanto a Rússia por ter sido invadido. Lula compareceu no ano passado a uma cerimônia em Moscou com o ditador Vladimir Putin e se recusou a aceitar um pedido da Ucrânia para intermadiar a devolução de crianças ucranianas sequestradas pela Rússia.

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