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Reforma Tributária

Equipe de Flávio promete acabar com “imposto automático”, que cria buraco no caixa de empresas

Fim do Split payment Flávio
Equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) promete fim da cobrança automática de impostos criada pela reforma tributária (Foto: André Borges/EFE)

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A equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) promete extinguir o split payment, mecanismo da reforma tributária que separa e recolhe automaticamente os tributos no momento do pagamento de uma operação, caso o candidato do PL seja eleito.

A proposta foi anunciada na terça-feira (6) por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, em entrevista ao jornalista Cláudio Dantas.

Daniella afirmou que a retenção instantânea dos impostos asfixia o capital de giro de pequenos empresários. Segundo ela, ao retirar o tributo já na hora da venda, a Receita Federal elimina o intervalo em que a empresa mantém o dinheiro recurso no caixa, financiando estoques, folha de pagamento e operações do dia a dia.

Ela também criticou a falta de clareza sobre o impacto final da reforma. Para a economista, a junção do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) resultará no maior imposto de valor agregado (IVA) do mundo.

Efeitos da cobrança automática de impostos

O diagnóstico de asfixia de caixa encontra respaldo jurídico. A advogada Cintia Ladoani Bertolo, sócia do Bergamini Advogados, vê na retenção automática um ônus indevido a quem paga em dia. O poder público, afirma, já dispõe de ferramentas de fiscalização como a Nota Fiscal Eletrônica, o SPED e o cruzamento de dados.

"Ao retirar automaticamente do caixa valores que hoje permanecem disponíveis até o momento do recolhimento, o split payment acabaria por transferir às empresas parte do custo de um problema que cabe à administração tributária combater", aponta.

O consultor tributário Felipe Peralta, do Miguel Neto Advogados, afirma que a eventual revogação do split payment seria bastante positiva para as empresas, por aliviar o capital de giro em um momento de juros elevados.

Fim do split payment não depende apenas do governo

A extinção do mecanismo é juridicamente viável, segundo o advogado tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, mas depende também do Congresso, não apenas de uma decisão isolada do governo.

O caminho legislativo para encerrar o mecanismo divide os especialistas: para Peralta, bastaria uma lei complementar; para Garcia, seria necessário aprovar uma nova proposta de emenda à Constituição (PEC).

Isso porque o split payment foi estabelecido por emenda constitucional, ou seja, suprimir ou alterar o mecanismo em sua essência exigiria uma nova PEC.

Implementação gradual adia aplicação do split payment

O cronograma de implementação também evidencia a complexidade do split payment. Em 15 de outubro, a Receita Federal inicia os primeiros testes do sistema, em ambiente controlado e sem transações reais. A previsão inicial de aplicação ampla a partir de janeiro de 2027 deu lugar a uma adoção gradual: ao longo do próximo ano, o uso será facultativo.

A obrigatoriedade nas operações entre empresas (B2B) foi adiada para 2028, enquanto a implementação nas demais operações de consumo ocorrerá por etapas até 2033.

Para Garcia, o recuo e o adiamento da obrigatoriedade evidenciam que o sistema é operacionalmente oneroso e complexo, "o que justifica a busca por sua eliminação para não sobrecarregar as empresas".

Retenção automática preocupa empresas já pressionadas por juros e dívidas

O Ministério da Fazenda defende o split payment como instrumento para combater fraudes e reduzir a concorrência desleal. Empresários e analistas, porém, alertam que a retenção automática dos tributos pode reduzir a liquidez das empresas ao retirar recursos do caixa antes do vencimento fiscal. A preocupação surge em um cenário de crédito caro e dificuldades financeiras no setor privado.

Em agosto, os juros do crédito livre para empresas atingiram o maior patamar para o mês desde 2017, segundo o Banco Central. A inadimplência empresarial chegou a 4,3% da carteira, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses.

Entre micro, pequenas e médias empresas, os atrasos superiores a 90 dias alcançaram 5,9% da carteira em julho, maior nível desde março de 2018. Em agosto, o saldo de crédito de maior risco para empresas desse porte chegou a 9,54%, recorde da série iniciada em janeiro de 2025, quando estava em 7,80%.

O endividamento também aparece nos dados de outras instituições. Em julho, a Serasa registrou 9,2 milhões de CNPJs negativados, dos quais 8,7 milhões eram de micro e pequenas empresas, com cerca de R$ 206 bilhões em dívidas.

Já a consultoria RGF Associados contabilizou 6.341 empresas em recuperação judicial no fim do primeiro semestre, o equivalente a 2,3 por mil empresas ativas. Na Bolsa, 24 companhias listadas estavam em recuperação judicial e oito em recuperação extrajudicial — o maior número desde o início da série, em 2023.

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