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Após debate cancelado

Flávio diz que Lula usou “amigos no Judiciário” para censurar debate

Flávio live debate Globo
Flávio critica decisões do Judiciário que resultaram no cancelamento do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º) (Foto: Reprodução da live de Flávio no Youtube canal TV Celular Flávio Bolsonaro)

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Após a TV Globo cancelar o debate presidencial desta quinta-feira (1º), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de usar “amigos no Judiciário” para impor o que chamou de “censura” ao confronto. A crítica ocorreu depois de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibir a exibição de um púlpito com o nome de Lula e perguntas dirigidas ao candidato ausente.

Em live realizada no horário em que participaria do debate, Flávio afirmou que estava preparado para comparecer ao confronto e criticou as decisões tomadas a poucos minutos do início do programa.

“Então, o Lula não só não vai no debate, como ele usa os seus amigos no Judiciário, para impor a censura ao debate da Rede Globo. É muito triste, revoltante o que está acontecendo”, afirmou. 

Segundo o candidato do PL, as decisões judiciais representaram “a censura, no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha”.

“Decisões subsequentes, seguidas, a poucos minutos do debate, instaurando oficialmente a censura nessas eleições. A proibição de se mostrar o púlpito do candidato ausente, Lula, uma decisão obrigando a Globo a retirar o púlpito de lá. E pior do que isso, determinando que os candidatos presentes não pudessem fazer perguntas ao Lula”, afirmou.

Lula havia decidido não participar do debate da Globo. O presidente também não participou dos demais debates realizados entre os candidatos no primeiro turno, segundo o histórico informado pelas campanhas. Para esta quinta-feira (1º), ele tinha uma entrevista marcada com o Flow Podcast às 20h45. 

Mais cedo, antes do cancelamento do debate por parte da Globo, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a emissora não exibisse um púlpito vazio identificado com o nome de Lula. A decisão também proibiu perguntas dirigidas ao candidato ausente. 

A medida atingiu o acordo previamente estabelecido para o confronto. Segundo as regras do debate, assinadas pelas campanhas dos candidatos, incluindo a do PT, o espaço reservado ao candidato ausente permaneceria vazio e identificado. Em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes também poderiam formular, em 30 segundos, a pergunta que fariam ao candidato que não comparecesse. 

Flávio e aliados colocaram púlpito com o nome de Lula durante live. Poucas horas antes do debate na Rede Globo, decisão do TSE proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio com o nome de Lula. 
Flávio e aliados colocaram púlpito com o nome de Lula durante live. Poucas horas antes do debate na Rede Globo, decisão do TSE proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio com o nome de Lula (Foto: Reprodução da live de Flávio no Youtube canal TV Celular Flávio Bolsonaro)

Flávio faz apelo por voto útil e promete reforma do Judiciário 

O cancelamento do debate da TV Globo ocorreu em meio a uma disputa acirrada entre Lula e Flávio. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, mostrou Lula com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio. 

A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Augusto Cury (Avante) aparece com 4%; Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 3% cada; e Romeu Zema (Novo), com 1%. 

No segundo turno, Lula aparece com 48%, contra 45% de Flávio. A diferença de três pontos percentuais também está dentro da margem de erro. 

Na live, Flávio também transformou o episódio em um apelo eleitoral. O candidato pediu que os eleitores votem nele já no primeiro turno e afirmou que a eleição seria uma escolha entre a democracia e o que classificou como interferência do Judiciário. 

“A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente. E não vamos parcelar o seu voto em duas vezes. Vamos votar de uma vez só nesse domingo”, afirmou. 

Flávio também disse que pretende indicar ministros para o Supremo Tribunal Federal caso seja eleito. 

“Somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno para começar a consertar esse país a partir da próxima segunda-feira, para impor uma derrota a esse sistema e me dar a oportunidade de indicar ministros para a Suprema Corte desse Brasil”, declarou. 

O candidato afirmou ainda que pretende indicar “homens e mulheres que sejam decentes, que tomem decisões conforme a lei, conforme a Constituição, que não sejam asseclas do Lula”. 

O levantamento do Datafolha, contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, ouviu 2.506 eleitores com 16 anos ou mais entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08039/2026. 

Flávio usa live para reforçar candidatura de Ruas no Rio

Flávio Bolsonaro também aproveitou a transmissão para reforçar a candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. O senador afirmou que o episódio envolvendo o debate da Globo seria semelhante a situações que, segundo ele, ocorrem na disputa eleitoral fluminense.

Na transmissão, Flávio estava cercado por aliados de sua equipe de campanha — entre eles Daniella Marques, Pablo Marçal, Tereza Cristina e Adolfo Sachsida.

“O que é o governo do Rio de Janeiro? Na linha sucessória, era para o Douglas Ruas estar sentado na cadeira de governador do Rio de Janeiro. Mas uma decisão monocrática de Alexandre de Moraes, dentro de uma ADPF, uma ação que não tem nada a ver com as eleições”, disse Flávio.

Em seguida, ele afirmou que a decisão teria interferido na sucessão do governo estadual: “Mais uma vez se sobrepondo à Justiça especializada, deixou sentado na cadeira de governador o presidente do Tribunal de Justiça”.

Ruas também participou da transmissão e criticou o adversário Eduardo Paes (PSD). Além disso, afirmou que a Justiça Eleitoral havia emitido 18 decisões durante o período de campanha para retirar publicações que, segundo ele, continham informações falsas sobre sua candidatura.

A participação de Ruas ocorreu em um momento de acirramento da disputa pelo governo do Rio. Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que a direita se reorganizou em torno da candidatura do deputado estadual e que a vantagem de Paes, que durante boa parte da campanha aparecia com possibilidade de vitória no primeiro turno, diminuiu na reta final.

Pesquisa RealTime Big Data divulgada em 30 de setembro mostrou Paes com 41% das intenções de voto contra 36% de Ruas em um cenário de segundo turno. A diferença de cinco pontos percentuais está um ponto acima do imite da margem de erro de dois pontos percentuais. Além disso, nesse cenário, brancos e nulos somaram 10% e 13% não souberam ou não responderam, um número expressivo que sugere possibilidade de surpresas de última hora.

Na avaliação do cientista político Samuel Oliveira, ouvido pela Gazeta do Povo, Ruas passou a concentrar parte do eleitorado de oposição a Paes. “O interessante é que o Paes não perdeu propriamente uma eleição que estava ganha. O que aconteceu foi que a oposição finalmente encontrou um candidato”, afirmou.

A pesquisa RealTime Big Data ouviu 2 mil eleitores no estado do Rio de Janeiro, entre 25 e 29 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada com recursos próprios e está registrada no TSE sob o número RJ-08712/2026.

Dallagnol chama decisões contra Flávio de “proteção de Lula” e defende voto útil

Durante participação na live, o candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) criticou as decisões judiciais que interferiram na realização do debate presidencial e afirmou que as medidas representam uma forma de proteção ao presidente Lula. O ex-deputado também defendeu a concentração de votos em Flávio no primeiro turno como estratégia para tentar derrotar Lula.

“Quando vem uma ministra do TSE, interfere nas regras do debate, dizendo que as regras têm que ser respeitadas, mas, ao mesmo tempo, ela impede que a regra seja cumprida, para mostrar o púlpito vazio, para se direcionar, numa liberdade de expressão, as questões a Lula”, afirmou.

Segundo Dallagnol, a decisão também teria beneficiado Lula ao impedir que os candidatos presentes formulassem perguntas diretamente ao presidente. “Além do púlpito vazio, que já tinha sido retirado, não dá tempo de recorrer para mudar a decisão, eles tinham proibido também nós, candidatos, de fazermos perguntas para o Lula, como estava previsto nas regras do debate. E isso favorece absurdamente o Lula, é uma proteção a Lula”, disse.

Dallagnol afirmou ainda que vê uma continuidade entre decisões judiciais que, segundo ele, afetaram sua própria trajetória política e as medidas tomadas durante a campanha presidencial. Ele disse ter sido alvo de “perseguições e de injustiça desde a Lava Jato” e afirmou que Lula buscaria se vingar dele e do ex-juiz e senador Sergio Moro (PL).

“Eu tenho sido vítima de perseguições e de injustiça desde a Lava Jato, porque Lula foi preso, condenado por corrupção e ele quer se vingar de Sérgio Moro, de mim. Lula quer se vingar da direita”, afirmou.

A participação de Dallagnol ocorreu no mesmo dia em que o recurso contra o registro de sua candidatura ao Senado chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo será relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, que já havia determinado a suspensão da campanha do candidato do Novo.

O TRE-PR deferiu o registro da candidatura de Dallagnol por 4 votos a 3. A decisão, no entanto, foi contestada pela coligação encabeçada pelo PT, que recorreu ao TSE alegando que o ex-procurador está inelegível até 2030 em razão da decisão que cassou seu registro de candidatura a deputado federal em 2023.

Enquanto o recurso não é julgado pelo TSE, Dallagnol permanece com o registro deferido e seu nome está disponível na urna eletrônica. Ao mesmo tempo, por decisão liminar de Floriano de Azevedo Marques, mantida pelo plenário do TSE, ele está impedido de realizar atos de campanha, pedir votos, participar de debates, utilizar o horário eleitoral gratuito e acessar recursos dos fundos eleitoral e partidário.

Durante a transmissão, Dallagnol também defendeu a concentração de votos em Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Ele relacionou a estratégia à possibilidade de vitória do candidato do PL já na primeira etapa.

"Isso é para ganhar no primeiro turno e garantir que a gente vai tirar a Lula do poder. É o voto de revolta, é o voto de protesto, é o voto de indignação, é o voto do Brasil vencer”, afirmou.

Dallagnol encerrou a participação com outro apelo eleitoral: “Hoje votar em Lula é votar em Alexandre de Moraes, votar em Alexandre de Moraes é votar em Flávio Dino, é votar em Gilmar Mendes, é votar em todos os abusos, na impunidade da corrupção que aconteceu ao longo dos últimos anos, é votar na perseguição política, é votar na censura, é votar no abuso de poder e é votar na mão grande eleitoral que eles estão promovendo hoje contra Flávio Bolsonaro”.

Moro diz que Paraná não faltará ao Brasil

Sergio Moro também participou da live com Flávio Bolsonaro. Ele criticou a decisão da ministra Estela Aranha de proibir que a emissora mostrasse o púlpito de Lula vazio. O senador destacou que a própria equipe de Lula havia concordado com essa regra. 

“Toda eleição presidencial, nunca faltou [o debate da Globo]. É inédito que pela primeira vez na história, desde a volta das eleições diretas a presidente, que há essa censura, essa interferência", disse o Senador. 

Segundo ele, ficou claro que as decisões visaram proteger Lula, já que Flávio tinha aceitado participar do debate, mesmo na ausência do petista. “Aí para que eles melassem o jogo, eles inventaram regra", afirmou. 

Ao encerrar sua participação, Moro afirmou que tem certeza de que o Paraná não faltará ao Brasil. “A luta é pelo Brasil. Nós precisamos romper essa aliança que existe entre o Lula e parte da alta cúpula da Justiça que estão mandando no país e subvertendo a democracia, as regras da democracia. As eleições têm que ser livres e as pessoas têm o direito de escolher os seus representantes", disse.

Moro ainda comentou a possibilidade de que a candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado seja retirada pelo TRE-PR. “Uma nova interferência e, aqui especificamente, nas eleições no Paraná. E a gente não aceita isso. Mas eu tenho certeza de que nós temos uma grande chance de vitória, tanto para o governo aqui do Paraná no primeiro turno, como uma vitória sua", afirmou o senador, referindo-se à Flávio Bolsonaro.

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