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Eleitorado conservador

Flávio intensifica discurso religioso para consolidar apoio da base evangélica

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Flávio Bolsonaro intensifica o discurso religioso e reforça a aproximação com o eleitorado evangélico em meio à pré-campanha (Foto: EFE/ Hedeson Alves)

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De olho no eleitorado evangélico, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, passou a transformar a religião em um dos principais pilares de sua comunicação política. Ele participa da Marcha para Jesus, em São Paulo, e intensificou o uso de referências bíblicas e discursos sobre fé e “batalha espiritual”.

Mais do que conquistar novos eleitores, a estratégia da pré-campanha do PL busca consolidar a fidelidade de uma base que pode ser decisiva na disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A participação de Flávio na Marcha para Jesus, que está ocorrendo nesta quinta-feira (5), em São Paulo, está servindo como uma das principais demonstrações públicas dessa estratégia.

O presidenciável participa do evento junto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e com o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), em um dos maiores eventos religiosos do país. Os três desfilam no mesmo carro de som onde está o advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve a indicação para o Supremo rejeitada no Senado.

Criada em 1993 e organizada pela Igreja Renascer em Cristo, a Marcha para Jesus reúne lideranças evangélicas de diferentes denominações e se consolidou como um dos espaços de maior visibilidade política junto ao segmento religioso.

Pesquisa Meio/Ideia divulgada no fim de maio mostra que Flávio mantém ampla vantagem nesse segmento em um eventual segundo turno contra Lula. Entre os evangélicos, o senador aparece com 66,6% das intenções de voto, contra 22,9% do petista.

A pesquisa mostrou ainda que 74,1% dos evangélicos afirmam que Lula não merece um novo mandato. A aprovação positiva (ótimo e bom) do governo do PT nesse grupo soma apenas 23,3% - 15,8% de ótimo e 7,5% de bom. Já a avaliação negativa (ruim e péssimo) atinge 48,3%, com o governo sendo considerado “péssimo” por 23,3% e “ruim” por 25% dos entrevistados desse segmento religioso.

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 23 e 27 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026.

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Além de encontros privados com líderes religiosos para prestar esclarecimentos sobre o áudio envolvendo Daniel Vorcaro, Flávio passou a ampliar a presença de referências religiosas em sua comunicação pública, especialmente nas redes sociais.

Em vídeos divulgados por sua equipe, o senador aparece participando de cultos, citando passagens bíblicas e associando sua trajetória política a conceitos frequentemente utilizados por lideranças evangélicas, como missão, propósito e batalha espiritual.

Em uma das gravações, o presidenciável afirma que sua força para enfrentar as adversidades políticas vem da fé. “Eu sei que esta não é uma batalha só aqui na Terra. É uma batalha espiritual, acima de tudo”, declarou.

Em outro vídeo, recorre à passagem bíblica do “manto de Elias” para comparar sua caminhada política a uma missão recebida, em referência à sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro como principal nome do campo conservador. O discurso também passou a incorporar críticas ao presidente Lula.

Em uma das publicações, Flávio contrapõe sua imagem à do petista ao afirmar que, enquanto Lula estaria ao lado do “diabo”, ele estaria “com Deus”.

Para o teólogo Dione Caruzo, pesquisador da relação entre política e religião há mais de três décadas, o fortalecimento desse discurso faz parte de uma tradição já consolidada entre lideranças conservadoras ligadas ao eleitorado evangélico.

Segundo ele, em momentos de desgaste político, a reafirmação de valores religiosos funciona como mecanismo para preservar a unidade da base e evitar a dispersão de apoiadores.

Para Caruzo, o discurso adotado por Flávio é uma continuidade da aproximação construída por Jair Bolsonaro com o segmento evangélico. Segundo ele, o senador já é visto por parte das lideranças religiosas como herdeiro político desse legado.

“Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, afirmou.

Lula ainda enfrenta resistência entre evangélicos

Enquanto Flávio busca consolidar sua vantagem entre os evangélicos, o governo Lula tenta reduzir a resistência histórica que enfrenta nesse segmento. A presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, na Marcha para Jesus deste ano faz parte desse esforço de aproximação.

Presbítero batista, o ministro se tornou um dos principais interlocutores do presidente junto às lideranças evangélicas e participará do evento pela quarta vez consecutiva desde o início do atual governo. A relação, porém, continua marcada por dificuldades.

Em 2023, Messias foi vaiado por parte do público ao mencionar o nome de Lula durante sua participação na Marcha. Mesmo assim, o governo manteve a estratégia de enviar o AGU ao evento como tentativa de reduzir a rejeição ao petista em um dos segmentos do eleitorado mais resistentes ao PT.

O teólogo Dione Caruzo avalia que a resistência dos evangélicos a Lula permanece elevada e se tornou mais intensa após o surgimento do movimento liderado por Jair Bolsonaro. Segundo ele, a aproximação entre pautas conservadoras e lideranças religiosas fortaleceu a identificação de parte significativa do segmento com a direita e ampliou a distância em relação ao lulismo.

“Nos dois primeiros mandatos de Lula, essa resistência não era tão alta como atualmente. Depois do surgimento do movimento bolsonarista, fomentando princípios defendidos pela igreja, a oposição ao lulismo e ao petismo foi potencializada. A resistência continua consolidada e alta”, afirma.

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