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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reagiu à narrativa de que teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Segundo o candidato, a "fake news" disseminada pela campanha de Lula nos últimos dias “não tem pé nem cabeça”.
Em entrevista ao Santo Flow Podcast, publicada nesta segunda-feira (28), o senador voltou a negar qualquer relação com um projeto de lei que tratava do assunto e acusou perfis ligados à esquerda de espalharem informação falsa.
“Recebi com profunda indignação. Eu estava jogando futebol em Minas Gerais com o Nikolas Ferreira e, ao entrar no vestiário, vi essa fake news circulando de que eu queria tirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida”, afirmou.
A informação que circulou nas redes sociais relacionava o candidato ao Projeto de Lei (PL) 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação que criou o feriado de 12 de outubro e foi arquivada pela Câmara em 2008.
Flávio não tem relação com a iniciativa. A GloboNews também corrigiu uma informação sobre o assunto depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes associou o tema ao candidato.
Flávio diz que Lula tenta jogar evangélicos contra católicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o caso durante entrevista ao Canal Livre, da Band, no domingo (27).
Ao afirmar que não considerava aceitável qualquer tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, Lula foi interrompido pela jornalista Adriana Araújo, que o alertou: “foi uma fake news, não é, presidente”.
Mesmo após a correção, Lula não reconheceu que a informação era falsa. “Eu não sei se foi fake news”, respondeu.
Na sequência, insistiu no argumento de que o conteúdo circulava nas redes sociais e afirmou que “o dado concreto é que isso está na rede social muito forte”.
Na entrevista ao Santo Flow, Flávio citou a declaração de Lula e afirmou que o presidente, a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e a ex-ministra Simone Tebet (PSB) ajudaram a disseminar a mentira.
“Mapeamos e identificamos uma rede de perfis de esquerda no Brasil e no exterior disseminando essa mentira, com participação da primeira-dama Janja, Simone Tebet e o próprio Lula tentando empurrar isso ao vivo na Band, até ser corrigido pela repórter”, afirmou.
Flávio também afirmou que os adversários tentaram criar uma divisão entre católicos e evangélicos.
“Quem é que está tentando jogar evangélicos contra católicos?”, questionou o candidato. “Não tem pé nem cabeça essa mentira propagada pela esquerda.”
Fake news gerou embate no Judiciário
O episódio chegou à Justiça Eleitoral. Na última sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atuando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de mais de mil publicações que apresentavam como verdadeira a informação sobre uma suposta intenção de Flávio de retirar o título de Padroeira do Brasil.
No domingo (27), porém, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a decisão de Mendonça e manteve uma publicação do humorista Antonio Tabet. Dino considerou que a ordem anterior configurava censura prévia. Nesta segunda-feira (28), Dino levou a controvérsia para análise do plenário do Supremo.
O Ministério Público Eleitoral também pediu nesta segunda-feira a suspensão das redes sociais de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom), até o fim das eleições.
O pedido ocorreu após a divulgação de conteúdo relacionado à falsa acusação contra Flávio.
Candidato fala sobre religião e propostas
Na entrevista, Flávio também afirmou que pretende preservar a liberdade religiosa e apoiar o trabalho social realizado por igrejas.
Segundo ele, sua experiência como estagiário da Defensoria Pública em presídios mostrou a importância da atuação de padres e pastores na recuperação de detentos.
O candidato também apresentou propostas para a economia, como a manutenção do Bolsa Família com mecanismos de transição para quem conseguir emprego ou abrir um negócio, além da revogação de restrições recentes ao ensino a distância.
Na área institucional, Flávio defendeu mudanças no funcionamento do STF, incluindo o fim de decisões monocráticas que anulam leis aprovadas pelo Congresso.
Também afirmou que defenderá a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e, caso o Congresso não aprove a medida, poderá conceder indulto presidencial.







