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Disputa eleitoral

Lula aceita condições de Flávio para quebra de sigilo: “Ele trucou, mas não tem carta boa”

Lula aceita condições de Flávio para quebra de sigilo
Lula diz não se opor às condições impostas por Flávio, mas cobra a inclusão de empresas ligadas a aliados do senador na quebra de sigilos. (Foto: EFE/Andre Borges)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na tarde desta quarta-feira (21), que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) "trucou" ao impor condições para a quebra de sigilo, mas que "não tem nenhuma carta boa, só mentira".

"Essa semana eu pedi para o Flávio abrir sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas. Eu to com zap, sete copas, espada e ouro. E ainda tenho três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar com o povo mineiro", disse Lula durante um ato de campanha em Belo Horizonte (MG).

Mais cedo, o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha do petista, afirmou que o mandatário "não se opõe a absolutamente nada" do que foi proposto por Flávio, mas exigiu a contrapartida integral e a inclusão de empresas ligadas a aliados do adversário.

“E todas as condicionantes que ele [Flávio] colocou, a única resposta que o presidente tem a dizer é que ele não se opõe a absolutamente nada ao que ele está propondo”, disse Santana a jornalistas. Segundo o senador petista, os advogados de Lula apresentarão a resposta ao TSE nesta quinta (22), às 11h.

O presidente desafiou o adversário para divulgar a quebra de sigilos durante o debate da TV Band, realizado no último domingo (18). Nesta terça (20), o presidente protocolou um pedido ao TSE para que os sigilos dele e de sua família sejam abertos para investigação.

Em resposta, a defesa de Flávio disse que aceitava a quebra dos sigilos, mas impôs novas condições, como a inclusão de dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do petista. 

A campanha governista classificou a petição do adversário como uma "tentativa de manobra". Santana disse que Lula “estranhou” a exclusão da empresa Alcazar Holdings da prestação de contas de Flávio no TSE. 

Na peça apresentada ao TSE, a defesa do senador registrou expressamente que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da holding, justificando a não apresentação de seus extratos bancários.

Segundo Santana, a offshore Alcazar Holdings tem como sócio único o advogado Willer Tomaz, descrito como amigo próximo do senador. Ambos são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro. 

Quebra de sigilo oferecida por Lula ao TSE

  • Abertura e divulgação pública dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 8 anos de sua pessoa física, além de seus familiares: Rosângela Lula da Silva, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva;
  • Abertura dos dados bancários e fiscais da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., identificada no documento como a única pessoa jurídica da qual é sócio.

O que Lula cobrou de Flávio

  • Quebra recíproca dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 8 anos do senador Flávio Bolsonaro e de seus familiares: Jair Messias Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro;
  • Divulgação dos dados das pessoas jurídicas em que Flávio figura como sócio ou administrador (Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros Ltda., Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e Bolsonaro Digital Ltda.);
  • Inclusão da empresa offshore Alcazar Holdings (registrada na Ilha da Madeira e associada ao advogado Willer Tomaz) na apuração do TSE.

O que Flávio exige de Lula para quebra de sigilo

  1. Abertura de dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola) e de demais assessores, seguranças e auxiliares que utilizavam ou atendiam linhas telefônicas para uso de Lula, com apresentação dos termos de autorização para levantamento dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dessas pessoas relativos aos últimos 8 anos;
  2. Ampliação do período de investigação e inclusão de familiares e empresas na quebra de sigilo de Lula, começando desde 2003, e não apenas a partir de 2018;
  3. Quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), de sua esposa Renata de Abreu Moreira, e de suas empresas nacionais (Gamecorp, G4 Entretenimento, BR4 Participações, LLF, FFK) e offshores (como a Synapta, na Espanha);
  4. Inclusão das empresas e movimentações de Sandro Luís, Marcos Cláudio, Lurian Cordeiro e Luís Cláudio Lula da Silva (como a LFT Marketing Esportivo) e de sócios como Fernando Bittar;
  5. Abertura das contas do Instituto Lula e de seu ex-presidente Paulo Okamotto;
  6. Divulgação dos registros de visitantes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília;
  7. Liberação dos planos de voo e listas de passageiros do jato atribuído a Vorcaro na semana de sua prisão;
  8. Apresentação de detalhes, atas e participantes da reunião entre Lula e Vorcaro ocorrida em 04/12/2024, além do histórico de entradas do banqueiro nos Palácios do Planalto e da Alvorada;
  9. Registros de reuniões do ex-ministro Guido Mantega no Planalto e quebra dos sigilos do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto;
  10. Quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresária e lobista Roberta Luchsinger, de sua empresa (RL Consultoria) e de Edson Claro;
  11. Liberação dos registros de entrada e saída de Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e Alvorada, voos em aeronaves da FAB e reuniões com agentes públicos;
  12. Levantamento dos sigilos (últimos 8 anos) de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, e do sindicato Sindnapi;
  13. Abertura integral de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República efetuados desde 1º de janeiro de 2023;
  14. Divulgação da agenda da primeira-dama Janja anterior a fevereiro de 2025;
  15. Transparência sobre as visitas dos filhos de Lula no Palácio da Alvorada e o uso de helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB).

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