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Soberania digital

Lula diz que Brasil está pronto para era da IA mesmo com riscos nas eleições de 2026

Lula aponta riscos do uso da IA nas eleições de 2026.
Lula aponta riscos do uso da IA nas eleições de 2026. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (11) que o Brasil está pronto para entrar na era da inteligência artificial. Ao tratar do avanço da tecnologia, o governo também mantém no radar os possíveis impactos da IA sobre as eleições de 2026.

Nesta terça-feira, Lula reuniu ministros, pesquisadores, representantes de empresas públicas e especialistas no Palácio do Planalto para discutir a estratégia brasileira para a inteligência artificial. O encontro terminou sem anúncio de novas medidas.

Ainda assim, o presidente classificou a reunião como um marco para a política nacional de IA e defendeu que o governo avance das discussões para decisões concretas. “Essa reunião de hoje que vocês participaram é o começo definitivo; nós vamos entrar na era da inteligência artificial. Não tem mais volta”, declarou Lula.

Lula defende que Brasil use capacidades próprias para IA

Lula defendeu que o Brasil aproveite suas próprias capacidades para desenvolver aplicações de inteligência artificial. Segundo ele, o país não precisa entrar em uma disputa tecnológica com China e Estados Unidos, mas utilizar seus conhecimentos para criar soluções nacionais.

“Vocês hoje vieram aqui e venderam pra nós a certeza de que nós estamos prontos. Não pra disputar com a China, disputar com os Estados Unidos, estamos pronto pra disputar conosco mesmo e fazer aquilo que nós temos de importante pra fazer em inteligência artificial”, afirmou.

O presidente citou a agricultura, a energia e a pesquisa como áreas nas quais o Brasil já possui conhecimento e pode desenvolver aplicações próprias de IA. Lula também comparou a discussão sobre inteligência artificial ao debate sobre minerais críticos e terras-raras.

Governo Lula quer integrar dados públicos para ampliar uso de IA

A reunião também tratou da organização dos dados públicos. A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresentou a integração dessas informações como uma das bases da estratégia nacional.

Segundo Esther, o governo trabalha na construção de uma infraestrutura nacional de dados com participação de empresas públicas como Serpro e Dataprev.

A iniciativa envolve ainda o aumento da capacidade computacional, a expansão da oferta de energia, a infraestrutura de data centers e medidas para reter profissionais especializados no país.

“Ter os dados não é suficiente, né? A questão é como é que você transforma esses dados em inteligência e usa eles pra, de fato, resolver os problemas”, afirmou a ministra.

Lula criticou a fragmentação das bases públicas e disse que diferentes órgãos ainda tratam seus dados como propriedade própria. Ele citou informações da saúde, educação, Forças Armadas, Polícia Federal e Receita Federal.

“Nós temos uma República, sabe, de dono de dados, e o Estado não tem os dados”, declarou.

Para o presidente, estruturas como Serpro e Dataprev podem ajudar a integrar essas bases. Lula defendeu que as informações permaneçam sob uma lógica de Estado, e não como patrimônios isolados de órgãos públicos.

Plano de IA prevê R$ 23 bilhões e inclui preocupação com eleições

O governo já possui o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), criado para orientar investimentos e políticas públicas no setor. O programa prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.

O plano reúne ações de impacto imediato e projetos estruturantes. A estratégia inclui desenvolvimento tecnológico, infraestrutura, formação de profissionais e aplicações de IA em diferentes áreas.

No campo eleitoral, a preocupação está relacionada ao potencial de uso da tecnologia para manipular informações durante a campanha de 2026. Lula já associou esse risco à atuação de adversários e ao alcance das plataformas digitais.

Alckmin aponta energia como desafio para expansão da inteligência artificial

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a inteligência artificial pode ampliar o acesso à saúde, melhorar o atendimento e reduzir custos. Ele também citou aplicações na desburocratização e na indústria.

Segundo Alckmin, a transformação digital integra as missões da Nova Indústria Brasil. O vice-presidente também apontou a energia como um dos principais desafios para a expansão da IA no mundo.

“O grande limitador, presidente Lula, da inteligência artificial no mundo é falta de energia para tudo isso. Esse é o grande limitador”, declarou.

Para Alckmin, a capacidade brasileira de geração de energia pode se transformar em uma vantagem competitiva diante da crescente demanda provocada pela expansão da inteligência artificial.

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