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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (11) que o Brasil está pronto para entrar na era da inteligência artificial. Ao tratar do avanço da tecnologia, o governo também mantém no radar os possíveis impactos da IA sobre as eleições de 2026.
Nesta terça-feira, Lula reuniu ministros, pesquisadores, representantes de empresas públicas e especialistas no Palácio do Planalto para discutir a estratégia brasileira para a inteligência artificial. O encontro terminou sem anúncio de novas medidas.
Ainda assim, o presidente classificou a reunião como um marco para a política nacional de IA e defendeu que o governo avance das discussões para decisões concretas. “Essa reunião de hoje que vocês participaram é o começo definitivo; nós vamos entrar na era da inteligência artificial. Não tem mais volta”, declarou Lula.
Lula defende que Brasil use capacidades próprias para IA
Lula defendeu que o Brasil aproveite suas próprias capacidades para desenvolver aplicações de inteligência artificial. Segundo ele, o país não precisa entrar em uma disputa tecnológica com China e Estados Unidos, mas utilizar seus conhecimentos para criar soluções nacionais.
“Vocês hoje vieram aqui e venderam pra nós a certeza de que nós estamos prontos. Não pra disputar com a China, disputar com os Estados Unidos, estamos pronto pra disputar conosco mesmo e fazer aquilo que nós temos de importante pra fazer em inteligência artificial”, afirmou.
O presidente citou a agricultura, a energia e a pesquisa como áreas nas quais o Brasil já possui conhecimento e pode desenvolver aplicações próprias de IA. Lula também comparou a discussão sobre inteligência artificial ao debate sobre minerais críticos e terras-raras.
Governo Lula quer integrar dados públicos para ampliar uso de IA
A reunião também tratou da organização dos dados públicos. A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresentou a integração dessas informações como uma das bases da estratégia nacional.
Segundo Esther, o governo trabalha na construção de uma infraestrutura nacional de dados com participação de empresas públicas como Serpro e Dataprev.
A iniciativa envolve ainda o aumento da capacidade computacional, a expansão da oferta de energia, a infraestrutura de data centers e medidas para reter profissionais especializados no país.
“Ter os dados não é suficiente, né? A questão é como é que você transforma esses dados em inteligência e usa eles pra, de fato, resolver os problemas”, afirmou a ministra.
Lula criticou a fragmentação das bases públicas e disse que diferentes órgãos ainda tratam seus dados como propriedade própria. Ele citou informações da saúde, educação, Forças Armadas, Polícia Federal e Receita Federal.
“Nós temos uma República, sabe, de dono de dados, e o Estado não tem os dados”, declarou.
Para o presidente, estruturas como Serpro e Dataprev podem ajudar a integrar essas bases. Lula defendeu que as informações permaneçam sob uma lógica de Estado, e não como patrimônios isolados de órgãos públicos.
Plano de IA prevê R$ 23 bilhões e inclui preocupação com eleições
O governo já possui o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), criado para orientar investimentos e políticas públicas no setor. O programa prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028.
O plano reúne ações de impacto imediato e projetos estruturantes. A estratégia inclui desenvolvimento tecnológico, infraestrutura, formação de profissionais e aplicações de IA em diferentes áreas.
No campo eleitoral, a preocupação está relacionada ao potencial de uso da tecnologia para manipular informações durante a campanha de 2026. Lula já associou esse risco à atuação de adversários e ao alcance das plataformas digitais.
Alckmin aponta energia como desafio para expansão da inteligência artificial
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a inteligência artificial pode ampliar o acesso à saúde, melhorar o atendimento e reduzir custos. Ele também citou aplicações na desburocratização e na indústria.
Segundo Alckmin, a transformação digital integra as missões da Nova Indústria Brasil. O vice-presidente também apontou a energia como um dos principais desafios para a expansão da IA no mundo.
“O grande limitador, presidente Lula, da inteligência artificial no mundo é falta de energia para tudo isso. Esse é o grande limitador”, declarou.
Para Alckmin, a capacidade brasileira de geração de energia pode se transformar em uma vantagem competitiva diante da crescente demanda provocada pela expansão da inteligência artificial.




