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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (30) que, se reeleito, comprará uma distribuidora de combustíveis para atuar sobre os preços praticados no setor. A declaração ocorreu durante entrevistas a criadores de conteúdo, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
“Nós precisamos que as empresas que distribuem não aumentem o preço [dos combustíveis]. E posso dizer para você, eu vou comprar uma distribuidora. Eu vou comprar outra vez”, afirmou Lula.
A declaração retoma a crítica de Lula à privatização da BR Distribuidora, atual Vibra Energia. O processo ocorreu por meio da pulverização do controle da Petrobras no mercado de ações. A Petrobras vendeu 29% das ações em 2017, outros 30% em 2019 e o restante em 2021.
Até 2017, a BR Distribuidora era a maior empresa do país no segmento de combustíveis e lubrificantes, com cerca de 30% do mercado, oito mil postos e presença em 99 aeroportos. “Porque venderam a BR? Quem é que ganhou com a privatização da BR?”, questionou Lula.
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Lula cita conflitos no Oriente Médio para justificar aumentos
Na privatização, a Vibra ficou com uma cláusula de não competição com a Petrobras e com os direitos de uso da marca da estatal nos postos. Os dois acordos têm prazo até 2029.
Lula afirmou que o aumento do preço do petróleo diante dos conflitos no Oriente Médio reforça a necessidade de atuação do Estado.
“Quando aumenta o preço, o povo acha que é o governo. Mas, nós vamos reconquistar essas coisas que são obrigação do Estado garantir que chegue ao povo brasileiro com um preço justo”, disse Lula.
Fiscalização seria mais eficiente com distribuidora estatal, diz Lula
O presidente também citou uma reunião com a Polícia Federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para discutir medidas de fiscalização dos preços.
Lula afirmou que a privatização da BR Distribuidora dificultou a fiscalização dos preços. “Nós estamos pagando R$ 47 bilhões de subsídio para não deixar o preço da gasolina e do diesel chegar no bolso das pessoas. Agora, ficou mais difícil fiscalizar, porque eles privatizaram a BR Distribuidora”, disse.
Na semana passada, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu uma operação nacional para investigar aumentos abusivos no setor. Foram instaurados procedimentos administrativos sancionadores contra oito distribuidoras e 70 postos de combustíveis. As empresas podem receber multas de até R$ 14 milhões em caso de condenação.
A ANP também aplicou mais de R$ 700 milhões em multas contra distribuidoras por elevação abusiva das margens brutas. As decisões foram tomadas em primeira instância e ainda cabe recurso.
PT tem projeto na Câmara para criação de distribuidora
Em abril, a bancada do PT na Câmara dos Deputados apresentou o projeto de Lei 1853/2026, que autoriza a União a criar uma nova empresa para atuar na distribuição de combustíveis, biocombustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP).
A proposta permite que a nova empresa seja uma empresa pública, uma sociedade de economia mista federal ou uma subsidiária de sociedade de economia mista federal já existente, modelo que também foi adotado pela antiga BR Distribuidora.







