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Dias depois de afirmar, em um comício em Curitiba, que é necessário “parar com essa babaquice de fazer superávit”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse que “estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória”.
A declaração foi feita na noite de sexta-feira (25), a oito dias do primeiro turno das eleições, em um jantar com empresários e representantes do setor produtivo, em São Paulo.
“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória. Não é nem competência do governo, é obrigatório isso. Ele sabe que, quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem vai pagar o preço é o povo pobre”, disse Lula.
Ele acrescentou que acha “engraçado” quando pedem a ele responsabilidade fiscal. “Se esquece que nós pegamos esse país com 2,8% [do PIB] de déficit e entregamos um superávit de 0,1% [do PIB]”, afirmou. Segundo o presidente, o índice pode ser “pouco”, mas é a demonstração de que o Brasil encontrou um caminho para trazer responsabilidade fiscal de volta ao país.
Diferentemente do que disse Lula, no entanto, o resultado fiscal de 2022 foi superavitário. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o governo federal encerrou aquele ano com superávit primário de R$ 54,9 bilhões, o equivalente a 0,6% do PIB – o primeiro resultado positivo após oito anos de déficits.
A mesma afirmação de que “pegou o país com déficit de 2,8%” já havia sido feita pelo petista, no mês passado, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. Além disso, o governo Lula apresentou resultados déficits em suas contas públicas nos três anos do atual mandato até agora.
No jantar com empresários, Lula voltou a dizer ainda que o PIB brasileiro só cresceu acima de 3% durante os mandatos petistas no início do século e depois que ele voltou à presidência em 2022. Na verdade, o PIB avançou 4,6% em 2021 e 3% em 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Jantar de Lula teve mais de 500 empresários confirmados
O encontro de Lula com empresários e representantes do setor produtivo foi organizado pelos grupos Esfera, Prerrogativas e Parlatório, e teve mais de 500 empresários e executivos com presença confirmada no evento.
A procura levou os organizadores a transferirem o encontro para o Hotel Tivoli Mofarrej, nos Jardins, e a alterar o formato inicialmente previsto.
Entre os presentes, estiveram nomes como Joesley Batista e Gilberto Tomazoni (J&F), José Seripieri Jr (Amil), Gustavo Pimenta (Vale), Benjamin Steinbruch (CSN), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Gilson Finkelsztein (Santander), Ricardo Lacerda (BR Partners), David Feffer (Suzano), Sergio Zimerman (Petz), Paulo Kakinoff (Porto Seguro), Ivan Monteiro (Axia), Lírio Parisotto (Innova), Miguel Matos (Philip Morris Brasil), Carlos Sanchez (EMS) e Rubens Ometto (Cosan). As informações sobre os participantes foram publicadas pelos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e pelo portal UOL.
Entre os integrantes do governo, compareceram, além de Lula e Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Wellington Lima e Silva (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde), Leonardo Barchini (Educação), Esther Dweck (Gestão e Inovação).
Participaram ainda o advogado-geral da União, Jorge Messias, o controlador-geral da União, Vinícius Marques de Carvalho, e os presidentes do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.
O jantar integra uma série de encontros do Esfera Brasil com candidatos à Presidência. O grupo também programou reuniões com Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) para a próxima semana. Flávio Bolsonaro (PL) também foi convidado.
“Essa dupla aqui é melhor do que tudo que está na mesa”, diz Lula ao lado de Alckmin
Em um discurso de quase 40 minutos, sem citar diretamente o nome de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida eleitoral, Lula afirmou ainda que o governante precisa ter biografia e que não há ninguém com mais experiência do que ele e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), na disputa pelo Planalto.
“O que está em jogo nesse instante não é um candidato contra outro candidato. Se fosse só isso, eu sei que vocês vão votar em mim. Eu sou melhor do que eles. Eu sei disso”, disse Lula à plateia de empresários.
“Pode ter alguém que até não goste de mim, não tem problema, eu não quero casar com vocês. Eu só quero o voto, sabe? Porque vocês sabem que essa dupla aqui é melhor do que tudo que está na mesa”, completou.
Em outro momento, Lula foi aplaudido pelos empresários ao afirmar que não se pode “blefar” na eleição. “Não preciso falar mal de ninguém, vocês estão vendo quem são os candidatos”, disse.
“Qual é a dúvida? Se tivessem uma dúvida entre um gênio e eu, mas vocês não estão fazendo essa escolha. Não pode blefar. Se blefar, vai quebrar a cara.”
“Vorcaro não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia”, afirma petista
Ao falar sobre o Banco Master, o presidente se referiu sobre o caso como um “mar de lama” e disse que o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, corrompeu poderosos não com dinheiro, mas com “orgia”. “Essa é a verdade, a gente vai ficar com frescura para falar as coisas? Eu tenho de ter coragem para falar”, disse.
Ainda em relação ao caso, afirmou não imaginar que estaria vivo para ver “tanta podridão”. Ele ainda voltou a dizer que a Justiça não pode ser seletiva e que não pode haver pessoas na República com as quais “não se pode mexer”, sem se referir a nenhum nome especificamente. “Errou, pagou.”
Lula diz que “Estados Unidos têm de tomar cuidado”
Lula criticou ainda ações do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e disse que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quer transformar a América Latina em um quintal, mas que ele não vai deixar isso acontecer caso seja eleito.
“Ou vocês votam em alguém que é brasileiro, que nasceu aqui no Brasil e gosta desse país, ou vão votar em alguém que vai beijar a bandeira nacional, a bandeira americana todo dia”, afirmou.
Sobre o setor de minerais críticos, o petista disse querer a presença de empresas estrangeiras na exploração, mas sob regras brasileiras. “Quero empresas estrangeiras, mas elas têm de agir sob nosso comando.”
Ele ainda afirmou que pode usar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta ao tarifaço sobre produtos brasileiros. “Os Estados Unidos têm de tomar cuidado porque podemos usar a lei da reciprocidade”, afirmou. “Enquanto eu for presidente, quem manda aqui chama-se povo brasileiro.”
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