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Apostas

Lula promete acabar com as bets e diz que clubes terão de se adaptar

Petista usa cerco aos jogos em campanha, mas não cita "Tigrinho", alvo de votação favorável do PT.
Petista usa cerco aos jogos em campanha, mas não cita "Tigrinho", alvo de votação favorável do PT. (Foto: Andre Borges/EFE)

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O presidente Lula (PT) prometeu nesta quarta-feira (23) acabar com as apostas esportivas no Brasil, as bets. Em um evento com membros do setor cultural no Rio de Janeiro, o petista exaltou a lei da Sociedade Anônima de Futebol (SAF), que permite que clubes troquem o modelo associativo pela estrutura empresarial.

"Nós vamos acabar com as bets, e os times que aprendam a virar times de empresários. Esta não é uma guerra, é uma decisão", afirmou.

Seu principal adversário eleitoral tem um posicionamento diferente. Durante uma transmissão ao vivo ao canal no YouTube TV Celular no mesmo dia, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que é contra os jorgos, mas saiu em defesa das bets, chamando a atenção para a vinculação dos resultados a eventos reais.

"Eu sou contra jogos de qualquer forma, mas a aposta em jogos reais tem alguma forma de controle, tem a Mega-Sena e outros jogos legalizados", pontuou.

Flávio se opõe ao "Tigrinho"

Ao mesmo tempo, o senador se opôs aos cassinos online, nomeando-os pelo popular jogo conhecido como "tigrinho":

"O problema são os cassinos on-line que este governo liberou. Eu votei contra a liberação dos jogos, a bancada do PT toda votou a favor. E aí o Lula fica se fingindo de besta, mas liberou e regulamentou. [...] É o Tigrinho que está arrombando com todo mundo, que está deixando todo mundo endividado. O cassino on-line tem que acabar, a gente vai acabar com esse cassino e dá para controlar com tecnologia".

Tanto o governo quanto a campanha presidente Lula (PT) têm adotado um discurso de combate às bets, apontando-as como uma das causas pelo superendividamento das famílias. Para Flávio, porém, não há uma ofensiva real. Ele atribui ao petista a criação de "dois males que são filhos dele", sendo um o "Tigrinho" e outro o seu próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha" e investigado no âmbito da operação Sem Desconto (fraudes no INSS).

"Se você pegar a quantidade de apostadores no final do governo Bolsonaro e comparar agora, é quase o dobro. [...] Lula não combate as bets ilegais, não fiscaliza as legais. Deixou correr frouxo e todo mundo se endividou. Essa dívida que você tem com o Tigrinho é culpa do Lula e agora ele é muito cara de pau de dizer que vai acabar com isso", argumentou.

Bets surgiram durante o governo Temer; "Tigrinho" surgiu de emenda de deputado do PSDB

As bets passaram a ter aval jurídico no Brasil graças a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no final do seu mandato (12 de dezembro de 2018). A norma determinava que o governo federal deveria regulamentar o setor em até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

O prazo expirou sem que houvesse uma regulamentação. Houve consultas, minutas e até inclusão das apostas no programa de desestatização, mas a norma final não saiu. Em julho de 2023, Lula editou uma medida provisória para tratar do assunto e enviou à Câmara um projeto de lei. O ato perdeu a validade em novembro de 2023. O Congresso, então, acelerou a tramitação do que se tornou o marco legal das apostas esportivas.

Já o "Tigrinho" veio de uma brecha aberta durante a passagem do marco legal pela Câmara. O deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA) ampliou o conceito de aposta de quota-fixa, anteriormente associados a eventos reais do esporte. Ele registra, em um parecer, que "a ampliação desse conceito permitirá, por exemplo, que sejam oferecidas apostas de quota fixa sobre jogos on-line". A definição abarca os cassinos virtuais:

"Jogo on-line: canal eletrônico que viabiliza a aposta virtualem jogo no qual o resultado é determinado pelo desfecho de evento futuro aleatório, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos definido no sistema de regras".

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) reagiu quando o texto chegou à Casa Alta, apresentando uma emenda para limitar apostas a eventos reais. Flávio Bolsonaro votou a favor dessa limitação, mas o PT e o governo orientaram voto contrário. Depois o texto voltou à Câmara, que restabeleceu os jogos on-line, e Lula sancionou a Lei 14.790 em 29 de dezembro de 2023.

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