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Eleições 2026

Lula tenta se desvincular de Moraes e minimiza relações de aliados com Vorcaro

O presidente Lula participou de sabatina na Rede Globo nesta quinta-feira (15)
O presidente Lula participou de sabatina na Rede Globo nesta quinta-feira (15) (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e minimizou os vínculos de pessoas próximas ao governo com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15).

Ao comentar a participação de autoridades em um evento promovido pelo banqueiro em Londres, Lula criticou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas também elogiou sua atuação à frente da corporação.

O presidente ainda manifestou saudade do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório familiar prestou serviços ao Master.

Lula também falou sobre propostas do seu governo para resolver o endividamento das famílias brasileiras e sobre sua preocupação com o aumento da dívida pública.

No primeiro bloco da entrevista, que durou 27 minutos, cerca de um terço do tempo foi dedidado ao tema da corrupção. O assunto reuniu perguntas sobre as relações de autoridades com Vorcaro, a conduta de integrantes do Judiciário e a atuação da Polícia Federal, colocando o presidente diante de questionamentos sobre pessoas que mantiveram vínculos com seu governo.

Lula contraria posição histórica do PT sobre redução da maioridade penal

No início da sabatina, Renata Lo Prete destacou que o PT é historicamente contra a redução da maioridade penal. Lula disse que, pessoalmente, é a favor de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em caso de crimes hediondos.

Em manifestações anteriores, o presidente argumentava que o aumento das punições não resolveria o problema da criminalidade entre jovens. 

Em 2007, por exemplo, afirmou que “não adianta aumentar a punição” por, segundo ele, não resolver o problema.

A mudança ocorre em meio à divergência dentro do próprio PT sobre a proposta. Em junho deste ano, deputados do partido se posicionaram contra a redução na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e alegaram que a medida afrontaria garantias constitucionais e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O presidente disse que primeiro é preciso aprovar a PEC da Segurança Pública e, se aprovada, discutir a maioridade penal ou não. Lula afirmou que os estados não resolveram a questão da violência no país, logo, essa responsabilidade cabe ao governo federal.

Nesta quinta-feira (15), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC da pauta.

Lula rebate Trump e rejeita classificação de facções brasileiras como terroristas

Questionado sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas nos moldes defendidos pelo governo de Donald Trump.

O presidente afirmou que as facções aterrorizam comunidades brasileiras, mas contestou o enquadramento adotado pelos Estados Unidos.

“O que nós temos consciência é de que aqui no Brasil, tanto o PCC como o Comando Vermelho, são terroristas para a comunidade brasileira, para os bairros brasileiros e para as cidades. Mas não é o terrorismo de Estado que os Estados Unidos querem que seja”, declarou.

A posição de Lula contrasta com a iniciativa do governo americano de classificar as duas facções como organizações terroristas estrangeiras. 

Jornalista questionou relação de Lula com Moraes

Durante a entrevista, a jornalista Renata Lo Prete questionou Lula sobre a dificuldade de convencer a população de que o governo pretende apurar todas as responsabilidades no caso Master.

Ela mencionou a atuação do ministro Flávio Dino O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e minimizou os vínculos de pessoas próximas ao governo com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15).

Ao comentar a participação de autoridades em um evento promovido pelo banqueiro em Londres, Lula criticou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas também elogiou sua atuação à frente da corporação.

O presidente ainda manifestou saudade do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório familiar prestou serviços ao Master.

Lula ainda falou sobre propostas do seu governo para resolver o endividamento das famílias brasileiras e sobre sua preocupação com o aumento da dívida pública.

Lula defende diretor-geral da PF

Na sequência, Renata Lo Prete questionou Lula sobre sua proximidade com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

O delegado chefiou a equipe de segurança de Lula durante a campanha presidencial de 2022 e assumiu o comando da corporação no início do terceiro mandato do petista.

A jornalista lembrou que Andrei participou de uma festa promovida por Vorcaro em Londres, em abril de 2024, quando o Banco Central já apurava irregularidades no Master e a PF investigava o caso. Ela perguntou se Lula manteria o delegado no cargo caso fosse reeleito.

O presidente negou que Andrei fosse ligado pessoalmente a ele, mas reconheceu que o repreendeu pela participação no evento.

“Quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei a atenção dele”, afirmou.

Lula também disse que a explicação apresentada pelo diretor-geral não o convenceu.

“Não foi convincente para mim. Não precisava ter ido”, declarou. Em seguida, voltou a elogiar o delegado: “Ele é um extraordinário delegado, tem feito um trabalho excepcional”.

Ao ser questionado novamente sobre a permanência de Andrei no comando da PF, Lula evitou antecipar sua decisão.

“Primeiro, eu preciso ganhar as eleições. Se eu ganhar as eleições eu vou escolher as pessoas como eu escolhi da outra vez. Eu não vou dizer aqui que eu vou escolher quem que vai ficar quem que vai sair", afirmou.

"Foi um belo ministro da Justiça", afirma Lula sobre Lewandowski

Lula também defendeu Ricardo Lewandowski, que comandou o Ministério da Justiça entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026.

Antes de assumir o cargo, o ex-ministro manteve vínculos profissionais com o Banco Master por meio de seu escritório de advocacia.

Durante parte de sua passagem pelo governo, o escritório de sua família continuou prestando serviços à instituição financeira.

Lewandowski afirmou que deixou de atuar pessoalmente como advogado do banco após aceitar o convite para integrar o governo.

O escritório permaneceu sob a administração de sua mulher e de seu filho e manteve o contrato com o Master até agosto de 2025.

Ao comentar a atuação do ex-ministro, Lula demonstrou apreço pelo antigo auxiliar.

“Foi um belo ministro da Justiça para mim, um belíssimo ministro, tenho saudade dele”, declarou.

Presidente disse que desconhecia falta de reajuste do Bolsa Família

Lula afirmou que não sabia que o governo não havia previsto o reajuste do Bolsa Família e disse que cobrou explicações de seus ministros ao tomar conhecimento da situação.

O tema surgiu quando a entrevistadora questionou o presidente sobre a proximidade das eleições e o momento em que o governo anunciou a correção do benefício.

Ao responder, o petista declarou: “Eu não sabia”, atribuindo a falta de previsão do reajuste à atuação de integrantes de sua equipe. Lula afirmou que determinou providências depois de saber do problema.

A jornalista Renata Lo Prete destacou que o reajuste de 15,04% só saiu em setembro, 17 dias antes do primeiro turno das eleições, e questionou por que a medida não havia sido incluída na proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso em 31 de agosto. Ela perguntou se a decisão resultou da identificação de um espaço fiscal que a equipe econômica não havia considerado anteriormente.

Lula negou essa hipótese e atribuiu a ausência de previsão à atuação de seus auxiliares. “Eu não sabia, porque é inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável. Mas aconteceu”, afirmou.

O presidente disse que cobrou explicações dos ministros e decidiu conceder o aumento depois de descobrir que o benefício não havia sido corrigido. 

“Aconteceu e eu tomei a decisão: a gente vai dar e vai dar tudo que a gente não deu pra gente não perder nunca mais”, declarou.

O reajuste elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 mensais. A proposta orçamentária para 2027 não previa a correção, embora o governo tenha anunciado o aumento em setembro. 

Ao justificar a medida, Lula afirmou que havia espaço fiscal para bancá-la e citou a previsão de superávit primário de 0,1% nas contas públicas para o próximo ano.

Lula promete usar R$ 150 bilhões para renegociar dívidas das famílias

Questionado sobre uma solução definitiva para o endividamento das famílias, Lula citou as três versões do Desenrola e afirmou que a União poderá destinar R$ 150 bilhões à compra de dívidas com desconto.

“Nós vamos comprar essa dívida, a União vai comprar essa dívida”, disse.

Segundo o presidente, o governo poderá adquirir os débitos por 5% do valor original.

Lula também mencionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a oferta de R$ 5 mil em crédito para a categoria.

Ele afirmou que pretende adotar as medidas sem comprometer o equilíbrio fiscal.

O endividamento das famílias cresceu durante o governo Lula. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas passou de 76,7% em dezembro de 2024 para 78,9% em dezembro de 2025, o maior índice para o mês desde o início da série histórica.

Em julho de 2026, o indicador chegou a 82%, após seis recordes mensais consecutivos.

Presidente afirma se preocupar com dívida pública

Sobre a situação fiscal, Lula afirmou que o crescimento econômico é o caminho para equilibrar as contas públicas e citou os resultados de seus dois primeiros mandatos.

A entrevistadora questionou o aumento de dez pontos percentuais da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo.

O presidente reconheceu que o tema o preocupa, mas, ao explicar como pretende lidar com o endividamento, voltou a defender o estímulo aos pequenos empreendedores e ao consumo.

“O que faz a economia do Brasil crescer é chamada a microeconomia, é fazer o dinheiro rodar na mão do povo”, afirmou.

Lula defende dívida para financiar investimentos e cita obras de infraestrutura

Lula voltou a defender o endividamento público como instrumento para financiar investimentos em infraestrutura, como a construção e a ampliação de portos. 

Ao abordar a situação fiscal, o presidente argumentou que o crescimento econômico deve orientar a política do governo e citou seus dois primeiros mandatos como referência. 

A posição veio após questionamentos sobre o aumento da dívida pública, que, segundo a entrevistadora, avançou dez pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo.

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