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No último dia 4, o deputado estadual Milton Leite Filho (União Brasil) foi eleito deputado federal por São Paulo pelo quociente partidário com 71.631 votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O irmão dele, contudo, não se elegeu. Mesmo tendo recebido 72.515 votos, o deputado federal Alexandre Leite (União Brasil) ficou fora das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O resultado frustra em parte o plano de troca de cadeiras que a família Leite traçou para as eleições de 2026. Milton Leite Filho iria para Brasília, enquanto Alexandre faria o caminho inverso, do Congresso Nacional rumo à Alesp. As urnas, porém, confirmaram só metade da estratégia.
Aos 48 anos, Milton Leite Filho, o "Miltinho", chega à Câmara dos Deputados como um dos dois deputados federais eleitos pelo União Brasil em São Paulo. Ainda assim, chama atenção a queda no número de votos obtidos pelo candidato: em 2022, quando concorreu à reeleição na Alesp, ele recebeu 198.429 votos, quase o triplo da votação deste ano.
Menos de um mês antes da votação, o pai dos dois, o ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil), foi alvo de uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista.
Milton Leite foi preso no dia seguinte à operação. Nesta terça-feira (20), o ex-vereador foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo, após denúncias de possíveis regalias durante sua prisão em Mogi das Cruzes, onde havia sido primeiramente detido.
Milton Leite Filho herda do pai reduto eleitoral da zona sul em São Paulo
Para entender a trajetória de Milton Leite Filho e de seu irmão, é preciso olhar para a do pai. Milton Leite foi vereador da capital por sete mandatos seguidos, entre 1997 e 2024. Ele presidiu a Câmara Municipal por seis anos — de 2017 a 2018 e de 2021 a 2024 — e construiu a base eleitoral na zona sul, especialmente no Grajaú.
É dessa estrutura que saíram os dois principais herdeiros políticos do ex-vereador. Milton Leite Filho está na Alesp desde 2007 e exerce o quinto mandato consecutivo como deputado estadual. Na atual legislatura, ocupa a 2ª vice-presidência da Mesa Diretora.
A presença da família na região vai além da política. Pai e filhos são patronos da escola de samba Estrela do Terceiro Milênio, do Grajaú, da qual Milton Leite é presidente de honra.
Prisão de Milton Leite pesou na reta final da campanha
Milton Leite foi alvo da operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que autorizou a ação afirma que o ex-vereador é "citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC", entre elas a Transwolff, empresa de ônibus da Zona Sul.
No dia da operação, Milton Leite não foi encontrado em casa, mas se entregou no dia seguinte. O ex-vereador disse que é inocente e que não é o dono da Transwolff — a empresa também negou que o político tenha participação societária ou atuação na gestão.
Na última nota conjunta publicada pelos irmãos, no dia 19 de setembro, eles disseram haver uma tentativa de associar seus nomes a “mentiras" e que iriam "continuar trabalhando".
"Vamos nos esforçar ainda mais para mostrar que uma reputação construída com trabalho não será destruída com armações desse tipo", afirmaram.
Além da Alesp e do Congresso, a estrutura familiar alcança o comando partidário paulista. A página oficial do União Brasil lista Alexandre como presidente do diretório estadual e Milton Leite como tesoureiro.
A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato com Milton Leite Filho, com a defesa de Milton Leite e com o diretório do União Brasil em São Paulo, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço está aberto para manifestação.
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União Brasil financiou a campanha de Milton Leite Filho
A campanha de Milton Leite Filho foi financiada quase inteiramente pelo União Brasil. De acordo com a prestação de contas parcial entregue ao TSE, Milton Leite Filho arrecadou R$ 2,9 milhões, dos quais R$ 2,81 milhões, ou 97%, vieram do partido. Do próprio bolso, o candidato colocou R$ 53,1 mil.
O único doador pessoa física foi o pai, com R$ 34,5 mil. Milton Filho, por sua vez, encaminhou recursos para a campanha do irmão: em 1º de outubro, três dias antes da votação, ele transferiu R$ 125 mil para a campanha de Alexandre à Alesp.
Fora da política, o deputado eleito também toma parte nos negócios da família. De acordo com levantamento do Estadão confirmado pela Gazeta do Povo, ele e Alexandre Leite constam como administradores da Planevia Planejamento, Projetos e Consultoria Técnica, principal empresa do pai, com capital de R$ 34,4 milhões. O registro está na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).










