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Manifestação

MPE se manifesta contra pedido de Flávio para derrubar canal “Exército do Lula”

Exército do Lula canal no WhatsApp MPE Janones
Canal "Exército do Lula" foi criado pelo deputado André Janones em apoio ao presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert/ PT)

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O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou neste sábado (24) contra o pedido apresentado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para derrubar o canal de WhatsApp "Exército do Lula". Para o órgão, o processo em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem natureza administrativa e não é o instrumento adequado para julgar a conduta de candidatos ou eleitores nem para determinar medidas como o bloqueio do canal.

Segundo a manifestação, o procedimento tem como objetivo verificar se as plataformas de redes sociais cumprem os planos de integridade apresentados à Justiça Eleitoral. Por isso, eventuais medidas contra usuários ou responsáveis pelo canal devem ser analisadas em procedimentos judiciais próprios.

O MPE também argumenta que a legislação eleitoral não proíbe a mobilização coordenada de pessoas reais que combinam voluntariamente o uso de hashtags e horários de publicação para ampliar o alcance de uma campanha. A irregularidade estaria associada ao uso de robôs, sistemas de automação ou contas falsas.

Relatórios técnicos apresentados pelo Google, pelo X e pela Meta, segundo a manifestação, indicaram que a imensa maioria das publicações partiu de pessoas reais registradas no Brasil. O órgão afirma que não foram apresentadas evidências suficientes para sustentar a hipótese de uma rede de robôs.

“Resta a adesão de pessoas reais que publicam ao mesmo tempo porque assim decidiram, e isso é exercício da capacidade eleitoral ativa, que não se esgota no direito de votar: compreende também o direito de fazer campanha e de tentar persuadir outras pessoas, por meios lícitos, sem violência ou intimidação”, afirmou o procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa.

“Não se garante a liberdade de expressão apenas formalmente, mas também garantindo a preservação de espaços de mobilização que a organizam”, acrescentou.

MPE cita decisão do TSE contra restrições ao canal "Exército do Lula"

A manifestação também cita uma decisão liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, que proíbe expressamente a adoção de medidas administrativas que resultem na suspensão ou restrição do canal de WhatsApp. Segundo a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), a determinação impede o atendimento ao pedido de bloqueio apresentado por Flávio Bolsonaro.

O processo administrativo tramita no TSE contra a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp. Na representação, Flávio afirma que o canal promove uma operação “coordenada” e “inautêntica” ao orientar apoiadores a publicar hashtags e comentários em horários combinados.

O senador também aponta a existência de um anúncio pago, veiculado por uma página externa, que incentivava usuários a ingressar no canal. Com base nesses argumentos, o candidato pediu uma série de medidas, entre elas o bloqueio do canal, a punição de seus administradores e a quebra de sigilo de dados de usuários.

O MPE, no entanto, recomendou a rejeição desses pedidos. A exceção é a solicitação de esclarecimentos à Meta sobre os procedimentos de verificação aplicados a um anúncio pago divulgado por uma página chamada “Preembarque”, que não tinha um responsável identificado.

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