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Nunes Marques atende a Flávio e manda excluir fala de Lula sobre “falcatrua” no “tribunal eleitoral”

Presidente do TSE considerou que a manifestação pode incitar apoiadores contra a Justiça Eleitoral.
Presidente do TSE considerou que a manifestação pode incitar apoiadores contra a Justiça Eleitoral. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, mandou tirar do ar um vídeo em que o presidente Lula (PT) diz que o "tribunal eleitoral" é capaz de "falcatrua". A manifestação ocorreu em um comício no dia 9 de setembro, em Teresina (PI). Dois dias depois, seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) acionou o TSE e a decisão veio neste domingo (27).

O ministro deu 24 horas para a remoção do conteúdo do canal oficial de Lula no YouTube. Até a publicação desta reportagem, o vídeo ainda estava disponível. Também proibiu o presidente e sua chapa de republicarem o mesmo conteúdo. A Google, responsável pelo YouTube, foi acionada para retirar a publicação. A ordem de remoção também abrange reproduções idênticas ou versões modificadas do conteúdo, inclusive por outros perfis.

O petista tecia elogios ao atual governador do estado, Rafael Fonteles (PT), quando mencionou os investimentos em "inteligência artificial em português", afirmando que o Brasil não quer ser "refém" dos Estados Unidos ou da China, mas "refém de piauiense". Foi depois de dizer que queria provar que "o Brasil não deve nada a ninguém" que surgiu a fala alvo da controvérsia:

"Que não venham os americanos querer influir nas nossas eleições, que não venha o Tribunal Eleitoral querer falcatrua, porque a gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, vai derrotar os americanos e vai derrotar quem se meter. O Trump que se meta no país dele, aqui é um problema nosso, de brasileiro", afirmou o petista.

Para Nunes Marques, o termo "falcatrua" possui "caráter depreciativo e enganoso" e incitaria a população "contra a Instituição que é pilar fundamental da República e da democracia brasileira, responsável pela realização de eleições limpas e transparentes em todo o território nacional".

O magistrado também considerou que, ao dizer que "a gente sabe do que eles são capazes", Lula apresenta a Justiça Eleitoral como uma instituição propensa a praticar fraudes.

"A fala impugnada é vazia, desprovida de dados ou informações e se vale da influência do representado perante o grande público presente no comício para disseminar o descrédito contra a Justiça Eleitoral. Não há qualquer base fática nela", completou.

Para justificar o perigo de dano caso a publicação continuasse no ar, o magistrado citou um precedente das eleições de 2022 envolvendo uma declaração do ex-deputado estadual Delegado Cavalcante (PL-CE), em que o então candidato dizia que não iria "aceitar que as urnas deem a vitória para quem não presta" e que, caso não ganhasse nas urnas, iria "ganhar na bala".

A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa de Flávio Bolsonaro, com o PT e com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O espaço segue aberto para manifestação.

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