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Virada

O que explica os 10 milhões de votos a mais de Lula no 2º turno

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula teve mais de 10,4 milhões de votos a mais que no primeiro turno. (Foto: Ricardo Stuckert/Campanha de Lula)

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A virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições 2026 passa por uma série de fatores que, quando conectados, ajudam a explicar o avanço que selou o quarto mandato dele como presidente da República. Menor abstenção, menos votos brancos e nulos e crescimento em estados-chave formaram a conta da vitória petista.

Lula teve um avanço expressivo de votos de um turno para outro. Foram 10,4 milhões a mais. Isso ao mesmo passo em que Flávio também cresceu, mas em menor medida: foram 3,7 milhões de votos extras para o senador. No cômputo geral, o presidente reeleito abriu 4,4 milhões de votos no segundo turno.

Uma das principais preocupações da campanha petista era convencer o eleitor que não votou no primeiro turno a comparecer às urnas no último domingo (25). O movimento foi iniciado nas redes sociais e liderado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e seu canal “Exército do Lula”.

O resultado foi a menor abstenção em 20 anos, batendo 19,22%, contra 21,08% do primeiro turno. Isso significa que foram adicionados 2,9 milhões de votos só de eleitores que não haviam comparecido nas urnas em 4 de outubro.

“Houve a mudança de comunicação dentro da campanha do Lula. E aí o Janones tem um papel fundamental nisso. Goste ou não, ele conseguiu mobilizar as redes de uma forma bastante competente e isso ajudou na recuperação do terreno da esquerda nas redes sociais que havia perdido para a direita”, analisa o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino.

Lula contou com menos votos brancos e nulos e transferência de outros candidatos

Além disso, houve uma redução dos votos brancos e nulos, contrariando o que foi registrado no segundo turno de 2022. Neste ano, foram 870,3 mil votos brancos a menos do que no primeiro turno, e 950,9 mil eleitores a menos anularam.

Aqueles que não compareceram no primeiro turno e os que não votaram em branco ou anularam acrescentaram 4,8 milhões de votos às urnas. Não significa que todos foram para Lula, mas superaram os 3,7 milhões de votos que Flávio teve a mais no segundo turno.

A transferência de votos de outros candidatos a presidente que estavam no primeiro turno não foi exclusivamente para Flávio, o que era esperado em razão de estarem majoritariamente no mesmo espectro político. Os próprios ex-candidatos Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio ao senador. Somente Renan Santos (Missão) se absteve, oficialmente, de direcionar o voto a seus apoiadores.

Juntos, os candidatos derrotados  no primeiro turno haviam somado 9,3 milhões de votos, menos que o avanço de Lula no segundo turno. "Politicamente, o resultado indica que Lula conseguiu ampliar sua base eleitoral para além do eleitorado tradicional do PT", aponta o cientista político Leandro Gabriati.

"O segundo turno não foi apenas uma disputa entre governo e oposição, mas também uma escolha marcada pela rejeição. Parte dos eleitores que rejeitaram Lula no primeiro turno não necessariamente estava disposta a apoiar Flávio Bolsonaro no segundo", acrescenta ele.

Lula avançou mais do que Flávio em todos os estados

Quem ganha em Minas Gerais, ganha a eleição. Essa é a máxima histórica para a disputa presidencial no Brasil e que se repetiu em 2026. E foi assim porque Lula virou no estado.

No primeiro turno, ele venceu em 12 estados. No segundo turno, manteve esses mesmos 12 e acrescentou Minas Gerais para a conta — Flávio venceu em 13 e no Distrito Federal.

A quantidade menor de estados com maioria, porém, não foi determinante. Isso porque o petista conseguiu crescer em todas as unidades da federação em um nível superior ao do oponente. E avançou, inclusive, em estados-chave e onde teve um desempenho ruim na primeira parte da eleição.

Lula cresceu entre 4,50 e 9,29 pontos percentuais nos estados. Esse maior acréscimo foi registrado em Goiás, onde ele ficou com 40,35% — no primeiro turno teve 31,06%.

O mais significativo, porém, foi o avanço nos maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ele cresceu 7,94, 7,49 e 7,06 pontos percentuais, respectivamente. Na capital fluminense, ele chegou a virar sobre Flávio.

E ainda registrou um aumento consistente em estados onde a esquerda tem menor participação, como Rio Grande do Sul e Paraná, onde ele avançou 6,43 e 6,22 pontos percentuais, respectivamente. Até mesmo em Santa Catarina, considerado um dos estados mais conservadores do Brasil, ele cresceu 5,54 pontos percentuais.

O avanço de Lula entre o primeiro e o segundo turnos de 2026

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