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Estratégia

A ofensiva de Lula sobre eleitores de direita contra Flávio no 2º turno

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Campanha de Lula tenta convencer eleitores de direita a votarem nele contra Flávio Bolsonaro. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou no segundo turno das eleições 2026 sem ninguém da esquerda para apoiá-lo contra Flávio Bolsonaro (PL). Isolado em seu campo político e precisando virar o jogo para seguir mais quatro anos no Palácio do Planalto, o petista vem tentando convencer eleitores de direita de que seu oponente não os representa.

A estratégia da campanha lulista é tentar descolar a direita mais pragmática de Flávio e, assim, conquistar votos de quem está ao centro e de quem votou em outros candidatos no primeiro turno. Ou, na pior das hipóteses, evitar votos que tendem a ir para o senador em 25 de outubro, dia da votação decisiva.

Esse plano foi encampado inicialmente pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que se aproximou rapidamente do quartel general da campanha de Lula, especialmente devido às habilidades de engajamento nas redes sociais. Ela lançou a semente que se disseminou em grupos e perfis de esquerda na internet.

“Você que é de direita sabe que a direita foi engolida pelo bolsonarismo. No Brasil nós temos três hoje espectros políticos, esquerda, direita e bolsonarismo”, disse em um vídeo publicado no Instagram. “O eleitor que eu mais quero falar aqui hoje é o eleitor do Renan Santos. Eu sei que o eleitor do Renan Santos não é um eleitor com o mesmo espectro político e ideológico que o meu. Mas eu acho que vocês precisam pensar que vocês querem resgatar a direita no Brasil”, prosseguiu.

Não foi por acaso que ela citou Renan Santos (Missão), que recebeu 2,67 milhões de votos, equivalente a 2,24% dos votos válidos. Logo na sequência do primeiro turno, ele criticou Flávio, chamou-o de “desqualificado, covarde e burro” e disse que no Brasil “não existe direita para além de Bolsonaro”. “Quem está no nosso grupo e quiser sair, poderá sair e virar bolsonarista”, falou para seguidores do Missão.

Perfis de esquerda resgatam vídeo até de Paulo Guedes elogiando Lula

Na tentativa de convencer eleitores de direita que não são completamente alinhados à família Bolsonaro, perfis e influenciadores de esquerda começaram a espalhar vídeos antigos de representantes tradicionais da direita elogiando Luiz Inácio Lula da Silva. Não há menções, porém, de que se tratam de vídeos antigos.

Em 2022, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou voto em Lula no segundo turno contra Jair Bolsonaro. “Meus amigos e minhas amigas, você que melhorou de vida com o Real e acredita no Brasil, nessas eleições, não tem dúvida: vote no 13, vote no Lula. Porque ele vai melhorar mais ainda a sua vida”, falou na ocasião. Hoje, aos 94 anos, FHC enfrenta um quadro avançado de Alzheimer.

Outro tradicional nome do PSDB, Aécio Neves também virou “cabo eleitoral” de Lula. “O Lula não é uma coisa normal, né? O Lula é algo que, no futuro, acho que os estudiosos e os sociólogos vão analisar como algo que jamais aconteceu na história do Brasil”, falou em entrevista em 2010.

Os perfis resgataram até mesmo um vídeo do ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, durante uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em 2019. “Vários governos que passaram gastaram R$ 300 bilhões, R$ 400 bilhões por ano pagando juros da dívida sem tomar nenhuma medida para corrigir. E o Lula chegou e pegou R$ 10 bilhões só, e atingiu 40 milhões de famílias favoravelmente com o Bolsa Família”, disse na ocasião.

Pesquisa mostra tração entre eleitores de Renan Santos e Augusto Cury

A pesquisa de intenções de voto para este segundo turno do Nexus/BTG Pactual divulgada na terça-feira (12) mostra que eleitores que votaram em Renan Santos e Augusto Cury (Avante) no primeiro turno estão com alguma abertura para votarem em Lula no segundo turno.

Entre os quem disseram ter votado em Cury, por exemplo, 41% consideram votar no petista. No caso do ex-candidato do Missão, 30% falaram que votariam em Lula. O índice nos dois casos é bastante próximo ao dos que pretendem votar em Flávio em 25 de outubro.

Cruzamento entre o voto no 1º turno com a intenção de voto no 2º turno, segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual

  • Metodologia da pesquisa citada: 2.002 entrevistados pelo instituto Nexus de 10 a 12 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-07997/2026.

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