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A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), atenderá ao pedido do presidente Lula e deve disputar as eleições ao Senado em 2026 pelo estado do Paraná. Na última semana, o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri (PT), abriu mão da pré-candidatura que havia sido anunciada pelo partido, após a determinação de Lula.
“Portanto, o que antes já estava bem desenhado, que era a minha pré-candidatura ao Senado e a pré-candidatura da Gleisi a deputada federal, foi alterada no decorrer da semana passada. O presidente já me notificou sobre isso [...] Dessa vez quem disputa a eleição é a Gleisi”, declarou Verri ao ser questionado pela reportagem da Gazeta do Povo durante visita do ministro da Educação, Camilo Santana, a Foz do Iguaçu (PR), nesta terça-feira (20).
Além de manter o aliado no comando do lado brasileiro da Itaipu — em ano que deve encerrar as tratativas com o Paraguai sobre o novo Anexo C do tratado sobre a hidrelétrica — , Lula lança mão daquele que é considerado como principal nome petista no Paraná na tentativa de frear uma vitória dupla da direita conservadora no estado, na disputa pelo Senado.
Entre as pré-candidaturas de políticos de direita confirmadas para as eleições de 2026 pelo Paraná estão Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Cristina Graeml (União Brasil). O grupo do governador Ratinho Junior (PSD-PR) também deve indicar um dos candidatos em uma aliança com o PL.
Neste ano, cada estado brasileiro vai eleger dois representantes ao Senado, renovando dois terços das cadeiras. O temor de Lula é que a Casa seja dominada por uma maioria de senadores de partidos conservadores. Procurada pela Gazeta do Povo, a ministra do governo Lula não se manifestou sobre a decisão do presidente e sequer confirmou a pré-candidatura.
Verri fala em "vencer o fascismo" em 2026
Verri defende a repetição de uma ampla aliança progressista nas eleições deste ano, na tentativa de impedir o avanço da direita conservadora no Congresso Nacional e no comando de governos estaduais. “O governo Lula é resultado de uma aliança mais ampla. Foi fundamental essa aliança para avançar no campo democrático em todos os sentidos no Brasil. Eu diria que só conseguimos vencer o fascismo com partidos de várias matizes ideológicas”, declarou o petista, também nesta terça-feira.
Tendo participado de solenidade ao lado do ministro Camilo Santana, que deixará o governo Lula para reforçar a campanha no Ceará pela reeleição do governo petista Elmano de Freitas, Verri comparou a situação eleitoral paranaense com a de outros estados. “No Paraná, nós pretendemos continuar com essa aliança ampla, como no Ceará e na Bahia. Dentro desse cenário não há como o PT lançar dois candidatos ao Senado", respondeu.
"Isso está sendo negociado com o PDT, na figura do deputado estadual Requião Filho (PDT). Estamos conversando com mais de 10 partidos para reproduzir essa aliança [nacional] no Paraná”, comentou o diretor-geral da Itaipu. A partir dessa ideia, Requião Filho seria candidato ao governo, com o apoio do PDT a Gleisi no Senado.
Em dezembro, Verri chegou a ser anunciado pelo PT do Paraná como pré-candidato ao Senado com apoio do PDT, que lançou o nome de Requião Filho ao governo do estado. “Assim, apenas uma vaga será do PT e será ocupada pela Gleisi. Ela é a nossa ministra da Secretaria das Relações Institucionais da Presidência da República, já foi oficializada e será a pré-candidata ao Senado”, confirmou Verri.
O diretor-geral da binacional afirmou que deve priorizar as negociações para renovação do Tratado de Itaipu com o país vizinho. O atraso no processo gerou uma série de críticas do setor elétrico à gestão petista, que passou a utilizar os recursos da estatal para investir em projetos socioambientais e patrocinar eventos com fins político-partidários.
“Neste ano, temos que fechar o Anexo C, a base econômica de Itaipu com o nosso sócio, o Paraguai, que detém 50% da usina hidrelétrica. As negociações foram iniciadas pela nossa gestão e a expectativa do presidente é que a gente continue”, completou Verri.
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Direita lidera pesquisas de intenção de votos ao Senado no Paraná
Ex-presidente nacional do PT, ex-senadora, deputada federal e ministra dos governos Lula e Dilma, Gleisi Hoffmann deve ser a aposta do PT para mudar o quadro eleitoral apresentado pelas pesquisas ao Senado no Paraná. Na última pesquisa Neokemp, a somatória das intenções de primeiro e segundo votos no cenário estimulado coloca Dallagnol na liderança com 54% dos votos, seguido por Graeml e Barros com 35,6% e 26,5% da preferência do eleitorado, respectivamente.
O nome petista testado pelo instituto foi do deputado federal Zeca Dirceu, que somou 25% das intenções de voto. No final de novembro de 2025, o instituto Real Time Big Data, por sua vez, divulgou um levantamento com dois cenários estimulados sobre a corrida ao Senado no Paraná. O primeiro é liderado por Ratinho Junior, no entanto, o governador não deve disputar uma das duas cadeiras. Ele é cotado pelo PSD para a disputa presidencial.
No cenário sem o governador paranaense, Dallagnol, Graeml e Barros estão tecnicamente empatados na consolidação das intenções do primeiro e segundo votos. Dallagnol e Graeml aparecem com 20% e Barros tem 18%. Os petistas Gleisi e Zeca Dirceu somaram 12% e 10%, respectivamente. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e aliado de Ratinho Junior, o deputado estadual Alexandre Curi (PSD) tem a preferência de 7% dos entrevistados.
Metodologia das pesquisas citadas:
- A Neokemp ouviu 1.200 pessoas a partir de 16 anos em 97 cidades do Paraná entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2025. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.
- Instituto Real Time Big Data entrevistou 1.200 pessoas entre os dias 25 e 26 de novembro de 2025. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3,0 pontos percentuais.









