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Movimentação partidária

Em apoio a Ratinho Jr., 48 prefeitos participam de evento que marca debandada do PL no Paraná

Debandada de prefeitos do PL no Paraná
Giacobo puxa debandada no PL com apoio de prefeitos de cidades como Cascavel e Foz do Iguaçu, no Paraná. (Foto: Ana Paula Pickler/Especial para a Gazeta do Povo)

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O deputado federal e ex-presidente do PL paranaense Fernando Giacobo confirmou a desfiliação no partido durante evento convocado por ele para reunir os prefeitos eleitos pela sigla nas últimas eleições municipais. O encontro foi realizado nesta quinta-feira (26) em Curitiba (PR).

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Giacobo tomou a decisão de deixar a presidência estadual do PL, após mais de uma década no comando da sila, por causa da filiação do pré-candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL-PR). O movimento expõe o racha interno da legenda entre o grupo que deve caminhar com Moro e com o pré-candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR), e a ala de Giacobo, que pretende levar o maior número de prefeitos para siglas da base do governo Ratinho Junior (PSD-PR).

A saída dos prefeitos também é interpretada no meio político como uma reação ao movimento da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chegou a oferecer a vaga de vice para o governador do Paraná — Ratinho Junior recusou o convite.

Na sequência, Moro foi filiado ao PL e pressionou Ratinho Junior, que desistiu da corrida presidencial e está priorizando a tentativa de sucessão estadual, depois de oito anos à frente do Executivo.

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Aliado do governador paranaense, Giacobo disse aos prefeitos que tomou a decisão por “coerência política” e pelo que considerou como quebra de um acordo firmado em 2024 entre o PL e o PSD de Ratinho Junior, que previa a manutenção da aliança para as eleições deste ano.

“Nós tínhamos um acordo no Paraná. O PL acompanharia o candidato do governador, e ele apoiaria o nosso pré-candidato ao Senado. [...] Vamos deixar o PL não porque ele foi ruim conosco, mas porque hoje está na contramão daquilo que a gente pensa”, justificou.

Com seis mandatos pela sigla, Giacobo relembra que ingressou no partido quando o PL tinha apenas seis prefeitos no estado. Após as eleições de 2024, a legenda alcançou 53 prefeitos, tornando-se a segunda maior força política do Paraná, além de 63 vice-prefeitos e 473 vereadores eleitos.

“Fui um deputado de direita, levando o discurso do melhor presidente que o país já teve. Como vou concordar em receber alguém que disse que ia derrubar o governo Bolsonaro?”, critica Giacobo, em referência à conturbada saída de Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública na gestão do então presidente Jair Bolsonaro.

Apesar do movimento, o deputado evitou declarações contra Flávio Bolsonaro e disse que não iria impor uma debandada generalizada. “Não vou pedir para ninguém se filiar onde eu me filiar. Talvez o meu caminho não seja o mesmo do prefeito de uma cidade. Mas peço que procurem um partido de direita, que seja base do nosso projeto no Paraná.”

A troca de partido para os deputados deve ser realizada até o dia 3 de abril, dentro do período da janela partidária, uma exigência para cargos eletivos proporcionais. Ou seja, não vale para os prefeitos que podem trocar de siglas a qualquer momento. Questionado pelos jornalistas, Giacobo não confirmou se deve migrar para o PSD.

Em nota, o novo presidente do PL no Paraná, o deputado federal Filipe Barros, afirmou que irá procurar os filiados para discutir o cenário eleitoral no estado. "A partir de agora, com muita responsabilidade e respeito, juntamente com nosso pré-candidato a governador Sergio Moro, vamos dialogar com todos os prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais".

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Presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), o prefeito de Assis Chateubriand, Marcel Micheletto, afirmou que a saída em bloco é uma resposta ao que classificou como mudança abrupta de rumo da legenda. Segundo ele, os 53 prefeitos não aceitariam “goela abaixo” uma decisão tomada pela direção nacional.

“Antes de qualquer questão partidária, nós temos princípios. Nós somos municipalistas e queremos debater o Paraná. Ninguém vai soltar a mão do governador”, defendeu o aliado de Ratinho Junior.

Micheletto elevou o tom ao afirmar que a eventual candidatura de Moro não dialoga com a realidade local. “O pré-candidato tem que falar do Paraná, não de pauta nacional. Nós não vamos embarcar nisso. [...] O candidato que vier pelo PL não terá nenhum prefeito ao lado”, completou o presidente da AMP.

O prefeito de Cascavel, Renato Silva, seguiu a mesma linha e reforçou o apoio ao projeto político pela sucessão do nome escolhido por Ratinho Junior para corrida ao governo. A expectativa é que o governador paranaense anuncie a chapa do PSD no início da próxima semana.

“Nunca vi um momento como este que o Paraná atravessa. O candidato do governador é o nosso candidato. Nós vamos ganhar esta eleição”, disse Silva. Na avaliação dele, a decisão do grupo não é partidária, mas de alinhamento com gestão de Ratinho Junior pelos avanços no estado durante a atual gestão.

Já o prefeito de Foz do Iguaçu, general Silva e Luna, tratou a ruptura como uma escolha baseada em lealdade e confiança. “O que o governador decidir está decidido. Vai ter nosso apoio. [..] Não tenho medo de tomar decisão e não tenho o direito de ser desleal.”

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