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Eleições no Paraná

Moro enfrenta resistência no PL para disputar governo com apoio de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL) e Sergio Moro (União Brasil)
Aliado de Flávio Bolsonaro nega convite do PL ao senador Sergio Moro. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

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Na liderança da intenção de voto do eleitor paranaense para a disputa ao governo estadual, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) ainda não tem a confirmação da federação União Progressista de que irá concorrer ao cargo nas eleições de outubro. A partir da incerteza, a troca de partido por Moro passou a ser especulada, sendo que o destino do ex-juiz da operação Lava Jato poderia ser o PL.

No entanto, a transferência de Moro para a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro sofre resistência da cúpula nacional do PL, comandada por Valdemar Costa Neto, assim como da direção paranaense do partido. A liderança estadual aposta na manutenção da aliança com o governador Ratinho Junior (PSD), construída nas eleições de 2024, que resultou em vitórias nas urnas na capital Curitiba e em Londrina, maior cidade do interior do Paraná.

Pré-candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL) negou que Moro tenha recebido um convite do PL para se filiar ao partido e classificou como boato a aproximação entre o senador e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). “Não existe convite. O Flávio Bolsonaro, nosso pré-candidato a presidente, não convidou o senador Sergio Moro para o PL. Estamos decididos. Nós continuaremos caminhando ao lado do governador Ratinho Junior por entender que aquilo que ele construiu ao longo desses últimos anos foi essencial para o Paraná”, declarou Barros em entrevista à rádio Alternativa FM.

Aliado da família Bolsonaro, Barros tem o apoio do governador do Paraná na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo estado. Por outro lado, Ratinho Junior declarou que espera o apoio do PL na coligação encabeçada pelo PSD na tentativa de fazer um sucessor no Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense.

“Eles têm um pré-candidato ao Senado, que é o Filipe Barros. É um nome que nos agrada e a gente tem toda a tranquilidade de apoiá-lo com o PL na nossa coligação. Acho que vamos manter essa boa convivência, espero que isso possa acontecer, para a gente fazer essa aliança”, afirmou Ratinho Junior em entrevista à Jovem Pan News.

O presidente do PL no Paraná, deputado federal Fernando Giacobo, foi procurado pela Gazeta do Povo, mas não se manifestou sobre o suposto convite ao senador Moro até a publicação desta reportagem.

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Histórico pesa contra Moro na aliança entre PL e PSD

Ex-juiz da Lava Jato, Moro foi ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro e deixou a gestão do ex-presidente de forma conturbada em 2020. Dois anos depois, foi eleito ao Senado e, no segundo turno das eleições, apoiou Bolsonaro contra Lula, no movimento de reaproximação ao líder da direita.

Apesar disso, Moro ainda sofre resistência da sigla, principalmente da ala sob influência do cacique Valdemar Costa Neto. Moro também esteve em lado oposto ao de Ratinho Junior nas últimas eleições municipais.

Em 2024, o União Brasil lançou a candidatura do deputado estadual Ney Leprevost à prefeitura de Curitiba, com a deputada federal Rosangela Moro, esposa do ex-juiz da Lava Jato, como vice na chapa pura do partido. Antigo aliado de Ratinho Junior, Leprevost chegou a ser cotado para formar a chapa com o então candidato do PSD, Eduardo Pimentel, que foi eleito, na dobradinha com o PL, com apoio do governador — Paulo Martins era o vice.

Posição do PL tem potencial de mudança a depender da confirmação de Ratinho Jr. como pré-candidato à Presidência

Para este ano, interlocutores ouvidos pela reportagem da Gazeta do Povo afirmam que a posição do PL pode mudar caso a pré-candidatura presidencial de Ratinho Junior seja confirmada pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro passaria a ter a necessidade de garantir um palanque de peso no estado do Paraná.

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de Moro afirmou que ele segue na federação. “O senador Sergio Moro permanece no União Brasil, partido que garantiu sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. As divergências com o PP serão resolvidas com diálogo.”

O PP paranaense é presidido pela deputada estadual Maria Victoria. Ela é filha do deputado federal Ricardo Barros, integrante da cúpula nacional da federação, que tem o apoio do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, no veto à candidatura de Moro.

Conforme o estatuto da federação União Progressista, as decisões precisam do aval dos presidentes nacionais das siglas. Enquanto Nogueira apoia a posição do diretório estadual, o presidente do União Brasil declarou que a candidatura de Moro ao governo do Paraná é “irreversível”.  

Segundo pesquisa eleitoral com o eleitor paranaense publicada pelo instituto 100% Cidades/Futura no dia 30 de janeiro o senador do União Brasil lidera os cenários estimulados com até 44,6% da intenção de votos. Moro também vence todos os cenários estimulados de segundo turno.

  • Metodologia: A pesquisa ouviu 800 pessoas entre os dias 24 e 27 de janeiro. A pesquisa foi contratada pela Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. O nível de confiança é de 95% A margem de erro é de  3,5 pontos percentuais. Registro no TSE nº PR-08318/2026. 

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