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A esquerda e o centro prometem polarizar as eleições no estado de Pernambuco em busca do apoio de Lula (PT). A disputa por apoios para vencer a corrida pelo Executivo tem se repetido nos últimos pleitos no estado natal do presidente da República.
Para buscar a reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD) terá de se equilibrar entre acenos ao PT e as pontes com a centro-direita, na disputa contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ele carrega o sobrenome e o histórico político do clã pernambucano que já governou o estado, além de liderar pesquisa eleitoral que mediu a sondagem de votos há algumas semanas.
Campos tem 32 anos e é filho do ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo na cidade de Santos (SP), no litoral paulista, durante a campanha presidencial de 2014 pelo PSB. O prefeito do Recife se tornou o principal herdeiro político da família, que ainda tem na linhagem o bisavô Miguel Arraes, ex-governador pernambucano e líder da esquerda, que apoiou a candidatura de Lula desde a primeira eleição presidencial do petista em 1989.
Segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data, Campos tem 51% de intenção de votos no primeiro turno. A governadora pernambucana tem a preferência de 31% dos entrevistados.
Em 2024, Campos foi reeleito na capital do estado com 78% dos votos válidos e passou a ser cotado como pré-candidato ao governo de Pernambuco. Ele figura entre os novos rostos do espectro político da esquerda no Brasil.
Recentemente, Campos se casou com a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Ele deve renunciar ao cargo até o dia 4 de abril para disputar as eleições de 2026. O vice-prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), assume o comando na capital.
- Metodologia da pesquisa citada: 2.000 entrevistados pelo instituto Real Time Big Data em Pernambuco, entre os dias 9 e 10 de fevereiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Real Time Midia Ltda. Registro no TSE nº PE-09944/2026.
Raquel Lyra pende para neutralidade entre o lulismo e a direita, avalia cientista política
Na avaliação da cientista política Priscila Lapa, os principais pré-candidatos ao governo de Pernambuco procuram se aliar ao governo Lula em busca do voto do eleitorado de centro-esquerda. Enquanto a afinidade entre Campos e o petista é mais ideológica, a relação entre Lula e Raquel Lyra tem se consolidado nas relações institucionais entre os governos federal e estadual.
“Por mais que isso não seja explícito por parte da governadora, ela aparece ao lado do presidente Lula, faz questão de mencionar o apoio do governo federal nos discursos e ressalta o direcionamento de recursos para o estado. Nas eleições, é possível que ela mantenha uma certa neutralidade, sem pedir votos para Lula, mas se for questionada sobre o apoio, deve confirmar a parceria dos últimos anos”, analisa.
Ela aponta para uma diferença entre os palanques de esquerda e a postura da governadora pernambucana, que precisa do voto do eleitor lulista para conquistar a reeleição nas urnas. “O eleitor de esquerda pode optar por esses dois palanques nas eleições estaduais. Mas Raquel Lyra agrega também os políticos de direita e transita entre lideranças, como o [deputado federal] Mendonça Filho (União Brasil), adversário ferrenho de Lula, além de setores do PL e do Republicanos”, comenta a cientista política.
Lapa avalia que a governadora deve adotar a mesma estratégia de neutralidade em relação ao pleito presidencial, utilizada no segundo turno das eleições de 2022, quando venceu Marília Arraes, então candidata pelo Solidariedade. Ex-deputada federal, Arraes é prima de João Campos e deve disputar a eleição ao Senado pelo PDT.
“Essa postura [de neutralidade] pode se repetir com a governadora reafirmando sua posição para impedir a volta do PSB ao governo do estado, mas ficando à disposição do vencedor da eleição presidencial para uma parceria com o governo federal”, opina Lapa.
Há quatro anos, Lyra disputou o governo pelo PSDB. No ano passado, ela migrou do ninho tucano para o PSD, sob a liderança nacional de Gilberto Kassab.
Segundo anotações de Flávio Bolsonaro (PL) sobre os cenários estaduais, divulgadas pela imprensa após uma reunião do PL, em Brasília, o partido não descarta a possibilidade de apoiar a reeleição de Lyra em troca de um palanque de peso em Pernambuco para a campanha presidencial do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Um dos principais nomes da direita pernambucana nos últimos anos, Gilson Machado deixou o PL e anunciou que deve disputar uma vaga na Câmara Federal pelo Podemos. Ex-ministro do governo Bolsonaro, ele teve 13,9% dos votos na eleição pela prefeitura do Recife em 2024.
Os pré-candidatos ao governo de Pernambuco na eleição deste ano
João Campos (PSB)
Prefeito do Recife e herdeiro político da família Campos-Arraes, ele tem a preferência do eleitorado, conforme pesquisa recente, e representa a nova geração da esquerda nordestina próxima de Lula.

Raquel Lyra (PSD)
A governadora de Pernambuco busca a reeleição apostando em estratégia de equilíbrio entre lulismo institucional e apoio da centro-direita.

Eduardo Moura (Novo)
Representante da direita liberal, vereador aposta em discurso de renovação política e gestão eficiente no estado.

Ivan Moraes (PSOL)
Ex-vereador do Recife representa a esquerda mais ideológica e movimentos sociais no campo progressista.














