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Este mês de março será marcado pela despedida de prefeitos que vão optar por abrir mão de mais da metade do segundo mandato municipal para disputar cargos de chefe do Executivo estadual nas eleições de 2026. Conforme previsto pela legislação eleitoral, os prefeitos devem deixar o comando municipal até o dia 4 de abril.
A data-limite atende ao prazo de desincompatibilização, seis meses antes do primeiro turno. No entanto, a tendência é de antecipar a saída ali por volta do final de março para a transição administrativa aos respectivos vice-prefeitos.
Segundo levantamento feito pela Radar Governamental, nove prefeitos vão deixar o mandato nas capitais para disputar o cargo de chefe do Executivo nos estados. A Radar é uma consultoria especializada em Relações Governamentais que atua no acompanhamento e análise da atividade legislativa no Brasil. A empresa desenvolveu uma metodologia própria de monitoramento do Congresso Nacional, das assembleias legislativas dos 26 estados e das câmaras municipais de mais de 100 cidades brasileiras.
Entre as capitais que têm prefeitos de olho nas eleições 2026, a maior cidade é o Rio de Janeiro, onde o prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), anunciou a saída para o dia 20 de março. O vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), assumirá a gestão municipal.
Antigo aliado de Lula, Paes deve contar com o apoio petista na corrida ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, assim como ocorreu no primeiro turno nas eleições municipais de 2024. Para diminuir a rejeição eleitoral pelo vínculo com Lula, Paes articula apoio de partidos de centro e teve a indicação de Jane Reis (MDB) para a composição da chapa como vice.
Ela é irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário do governador Cláudio Castro (PL), Washington Reis (MDB), que chegou a se colocar como pré-candidato ao governo, mas recuou diante do risco de inelegibilidade a ser confirmado em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) chegou a ser cotado como um eventual substituto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa, caso este fosse lançado como pré-candidato à Presidência da República. Com o apoio de Tarcísio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, o governador paulista reafirma que irá buscar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista.
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Na região Nordeste, os jovens prefeitos de Recife e Maceió também vão deixar os cargos para disputas polarizadas nas urnas em Pernambuco e em Alagoas. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), foi reeleito com ampla vantagem no primeiro turno de 2024 e passou a ser cotado como o principal adversário da governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição estadual.
A temperatura da pré-campanha pernambucana subiu após um suposto caso de espionagem da Polícia Civil contra um secretário municipal próximo a João Campos. O prefeito é filho do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que faleceu em um acidente aéreo durante a campanha presidencial em 2014.
Em Maceió, o prefeito João Henrique Caldas (PL), mais conhecido como JHC, confirmou que deve deixar o cargo até o início de abril para concorrer ao Executivo alagoano, depois de ser reeleito em 2024 com 83,25% dos votos válidos.
Filho do presidente do Democracia Cristã (DC), João Caldas, e da senadora Eudócia Caldas — que assumiu o cargo após Rodrigo Cunha ser eleito como vice na chapa de JHC — ele deve polarizar a disputa pelo governo de Alagoas com Renan Filho, ministro dos Transportes do presidente Lula e filho do senador Renan Calheiros (MDB).
Prefeitos reeleitos nas capitais e pré-candidatos ao governo dos estados nas eleições 2026
- Amazonas: David Almeida (Avante) – prefeito de Manaus
- Paraíba: Cícero Lucena (MDB) – prefeito de João Pessoa
- Pernambuco: João Campos (PSB) – prefeito do Recife
- Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD) – prefeito do Rio de Janeiro
- Roraima: Arthur Henrique (PL) – prefeito de Boa Vista
- Alagoas: João Henrique Caldas (PL) – prefeito de Maceió
- Amapá: Dr. Furlan (MDB) – prefeito de Macapá
- Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (REP) – prefeito de Vitória
- Maranhão: Eduardo Braide (PSD) – prefeito de São Luís
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Prefeito reeleito com 85% dos votos válidos — o maior percentual do país no primeiro turno em 2024 — o chefe do Executivo de Macapá, Dr. Furlan (MDB), é considerado favorito na disputa pelo governo do Amapá. Além disso, o prefeito da capital deve aproveitar a alta popularidade para lançar a primeira-dama Rayssa Furlan (Podemos) ao Senado.
Segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada no dia 10 de fevereiro, Furlan lidera as intenções de voto do eleitorado com 66%, contra 29% de Clécio Luís (União Brasil). Rayssa também desponta na preferência popular na a pesquisa estimulada ao Senado, com 33% dos votos, seguida pelo petista Randolfe Rodrigues, que soma 20%. Cada estado irá eleger dois senadores em outubro.
- Metodologia da pesquisa citada: 2.000 entrevistados pelo instituto Real Time Big Data no Amapá, entre os dias 7 e 9 de fevereiro de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Real Time Midia Ltda. Registro no TSE nº AP-07630/2026.













