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O agronegócio brasileiro ocupa um espaço de destaque nos planos de governo dos principais candidatos à presidência da República em 2026, mas a forma como pretendem enfrentar os gargalos do setor varia bastante.
Em comum, todos partem do mesmo diagnóstico: o país precisa aumentar a produtividade, reduzir custos, enfrentar os riscos climáticos, ampliar a infraestrutura e aproveitar melhor seu potencial como potência mundial de alimentos.
Na tentativa de se reeleger, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe uma política agrícola com forte participação do Estado e prioridade para agricultura familiar e segurança alimentar.
Seu principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra sua estratégia na defesa da propriedade privada e na redução de vulnerabilidades como a dependência de fertilizantes importados.
O plano do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) inclui uma política agrícola integrada, de longo prazo, combinando crédito, infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade.
Já Romeu Zema (Novo) aposta na redução da burocracia e em maior protagonismo do mercado, enquanto Renan Santos (Missão) quer usar o agronegócio como base para uma nova industrialização do país.
Em comum, os cinco defendem, em diferentes graus, mais crédito, seguro rural, tecnologia, infraestrutura, irrigação, redução da dependência externa de fertilizantes e expansão das exportações, com diferenças na prioridade dada a cada instrumento e na concepção de agricultura para cada um.
Lula quer mais destaque à agricultura familiar
Embora o plano de governo de Lula proponha ampliar o crédito e os investimentos para o agronegócio empresarial, a agricultura familiar ocupa posição central.
Seu programa prevê ampliação do Plano Safra voltado ao segmento, com condições diferenciadas para a produção de alimentos da cesta básica, agroecologia, produtos orgânicos, sociobiodiversidade, jovens e mulheres rurais e cooperativas.
Sua proposta também retoma instrumentos de intervenção direta do Estado na oferta de alimentos, como o Programa de Aquisição de Alimentos e a formação de estoques reguladores.
Outra característica de destaque em seu plano é a política fundiária. Lula diz que pretende avançar na reforma agrária, estruturar assentamentos e ampliar o crédito fundiário.
Para o agronegócio empresarial, o programa prevê mais recursos para o Plano Safra, financiamento de máquinas, irrigação e tecnologias, além de maior uso do mercado de capitais e de títulos do agronegócio.
Flávio Bolsonaro defende propriedade privada e autonomia em fertilizantes
O plano de Flávio Bolsonaro se diferencia principalmente pela ênfase na segurança jurídica da propriedade rural e pela tentativa de reduzir vulnerabilidades estratégicas do setor.
A política fundiária é um de seus pilares. A ideia é ampliar a titulação e regularização de propriedades e reforçar a defesa do direito de propriedade.
Outro diferencial no programa de Flávio é o objetivo de ampliar o direito de porte de armas em toda a extensão da propriedade rural, apresentando a medida como instrumento de proteção do produtor diante de invasões.
Consta ainda de seu plano de governo a busca por autonomia na produção de fertilizantes. O candidato propõe estimular a exploração de reservas nacionais de potássio e fosfato e ampliar a produção de fertilizantes a partir do gás natural.
Ele defende ainda ampliar o seguro rural, criar mecanismos de securitização e reorganização de dívidas e expandir a capacidade de armazenagem de grãos.
Ronaldo Caiado quer Plano Safra de 5 anos e política agrícola permanente
O diferencial do plano de Ronaldo Caiado é a tentativa de substituir políticas anuais e fragmentadas por uma estratégia agrícola de longo prazo.
A principal proposta nesse sentido é a criação de um Plano Safra plurianual, com horizonte de cinco anos. O objetivo é dar maior previsibilidade ao produtor, à indústria e ao mercado financeiro.
O programa também propõe reformular a estrutura de financiamento do setor. Os recursos públicos seriam concentrados principalmente em garantias, seguro, irrigação, armazenagem e redução de riscos, enquanto o mercado privado assumiria uma parcela maior do financiamento direto da produção.
A ideia inclui a criação de um fundo garantidor para ampliar o crédito agrícola privado.
O seguro rural seria transformado em política permanente, com participação pública e privada, resseguro para eventos extremos, seguros paramétricos baseados em dados e satélites e mecanismos de proteção da renda.
Caiado também propõe um programa decenal de logística, com expansão da armazenagem e investimentos em ferrovias, rodovias e hidrovias.
Na agenda ambiental, o plano tenta transformar sustentabilidade em vantagem comercial, com rastreabilidade, pagamento por serviços ambientais, certificação de créditos de carbono e um “Selo Brasil Sustentável”.
Romeu Zema: menos Estado e burocracia para o agronegócio
O plano de Romeu Zema é o que apresenta de forma mais explícita a visão de que o agronegócio brasileiro precisa, sobretudo, de menos obstáculos impostos pelo Estado.
O documento apresentado pelo candidato afirma que o setor cresce “apesar do Estado, não por causa dele”, e propõe reduzir burocracia, ampliar a concorrência e facilitar a participação do capital privado e estrangeiro.
Na prática, isso inclui facilitar investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento, ampliar a conectividade rural e reorientar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para inovação aplicada.
A infraestrutura também teria forte participação privada. O ex-governador de Minas Gerais promete ampliar rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e armazenagem por meio de parcerias e acelerar o licenciamento de atividades consideradas de menor risco.
O seguro rural seria desenvolvido com a participação conjunta de recursos públicos e privados, formando um fundo para cobrir eventos climáticos, pragas e oscilações de mercado.
Na política fundiária, Zema propõe acelerar a emissão de títulos e combater a grilagem por meio de monitoramento por satélite.
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Renan Santos diz que transformará o Brasil em potência agroindustrial
O plano de Renan Santos apresenta uma proposta de mudança estrutural no modelo econômico do agronegócio brasileiro. Com um projeto chamado de “AgroBrasil 2030”, o candidato diz que fará o país deixar de depender principalmente da exportação de produtos primários e passar a capturar uma parcela maior do valor gerado pelo processamento e pela industrialização.
A ideia é ampliar a verticalização de cadeias como café, soja, cacau e carne. Para isso, o plano prevê Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES) vinculado a metas de exportação, acordos comerciais bilaterais e um Plano Safra que premie investimentos em processamento e agregação de valor.
A tecnologia também é apresentada pelo candidato como instrumento para essa transformação. O programa propõe criar uma Base Agro-Bio Nacional, integrando dados agropecuários e permitindo aplicações de inteligência artificial, drones e robótica no campo.
Na política fundiária, Santos propõe uma das posições mais diferenciadas. Seu plano prevê auditar e aumentar a produtividade dos assentamentos existentes e não criar novos assentamentos até que as áreas já destinadas à reforma agrária alcancem determinados níveis de produtividade.
Também está prevista uma estratégia para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, com expansão da exploração de fosfato, potássio e nitrogênio.a




