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Eleições 2026

Quem Lula planeja apoiar na eleição para barrar avanço da direita no Senado

Lula e Marina Silva
Marina Silva é uma das estratégias de Lula para o Senado em 2026. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nos últimos dias as movimentações dentro do PT e junto a partidos aliados para tentar barrar uma ofensiva da direita sobre o Senado Federal a partir do resultado das eleições de 2026. Não por acaso, a corrida para a Câmara Alta deste ano vem sendo considerada a mais significativa na história do Brasil.

O Senado tem 81 cadeiras e, destas, 54 serão renovadas neste ano — são duas vagas para cada estado, além do Distrito Federal. Na conta do governo petista, a direita não pode chegar a 24 eleitos, senão o pêndulo da Casa mudará de lado. Isso sem contar os partidos do Centrão, que ora estão com o governo, ora estão com a oposição.

O desafio da esquerda passa pelo seguinte cálculo: das 28 cadeiras atuais que estão nesse espectro político, 21 estarão em disputa. Além de mantê-las, a esquerda precisará eleger mais 13 senadores se quiser garantir a maioria total na Câmara Alta, sem precisar depender do Centrão. No total, portanto, são 34 cadeiras que Lula e companhia almejam neste ano.

O próprio presidente Lula já vociferou a respeito da importância da eleição ao Senado e do tamanho dessa conta. “Em 2026, precisamos eleger senadores da República. Se esses caras [da oposição] elegerem a maioria dos senadores, vão fazer uma muvuca nesse país” e “vão avacalhar com a Suprema Corte”, disse.

A preocupação reside nas prerrogativas exclusivas do Senado Federal, que incluem a aprovação de autoridades indicadas pelo governo federal, como ministros do Supremo Tribunal Federal e advogado-geral da União, e também a cassação de ministros do STF — nesse caso é necessário ter dois terços (54 votos) para o impeachment. Mesmo numa eventual reeleição de Lula, os senadores poderiam inviabilizar não apenas nomes que desagradam à direita, mas também avançar sobre o Judiciário, visto na oposição como pendente à esquerda.

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A tarefa é hercúlea, especialmente porque pesquisas eleitorais têm mostrado que pré-candidatos de direita estão melhor posicionados no momento. A estratégia de Lula para reagir a esse cenário é lançar mão de nomes tradicionais ou de projeção local, do PT ou de aliados, para evitar o avanço direitista.

Isso inclui desmontar parte da Esplanada dos Ministérios para fortalecer os quadros nos estados. O movimento mais recente nesse sentido foi a confirmação de que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), é pré-candidata a senadora pelo Paraná.

“Reafirmei meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado Federal", disse Gleisi, que é deputada federal licenciada.

Ela assume o espaço que vinha sendo ocupado pelo diretor-geral de Itaipu, Enio Verri (PT), que abriu mão de concorrer a pedido de Lula e também por não conseguir avançar nas pesquisas eleitorais. Um levantamento do Paraná Pesquisas divulgado no último dia 23, por exemplo, mostra que Verri alcança no máximo a quinta posição.

Outro estado prioritário para o PT é São Paulo. E nele, Lula está disposto a levar alguém do seu batalhão de choque para abocanhar uma das vagas ao Senado no estado. Entre as possibilidades, estão:

  • Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda
  • Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima
  • Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e Orçamento

A definição sobre o indicado ao Senado vai depender da disputa ao governo de São Paulo, especialmente de quem será o candidato a enfrentar. A tendência, hoje, é de que Tarcísio de Freitas (Republicanos) tente a reeleição.

Caso o plano presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) fique pelo caminho e Tarcísio tente o Palácio do Planalto, os planos do PT podem mudar. Uma chapa com Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) não é descartada, abrindo espaço para Marina Silva — que pode trocar a Rede pelo PT — e Tebet mirarem o Senado.

A investida de Lula na Esplanada não para por aí. Outros ministros podem deixar o cargo para concorrerem. Ainda dentro do PT, Rui Costa, da Casa Civil, é cotado para disputar uma cadeira pela Bahia.

Fora do PT, o presidente da República conta com aliados. Carlos Fávaro (PSD), da Agricultura e Pecuária, e Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos, podem concorrer no Mato Grosso e em Pernambuco, respectivamente.

Lula ainda trabalha com outros nomes de confiança e com destaque local para manter uma posição confortável na Câmara Alta caso seja reeleito em outubro. Entre eles estão:

  • José Guimarães (PT), líder do governo na Câmara dos Deputados - Ceará
  • Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte
  • Paulo Pimenta (PT), deputado federal pelo Rio Grande do Sul
  • Décio Lima (PT), presidente do Sebrae - Santa Catarina
  • Metodologia da pesquisa citada: 1.300 entrevistados pelo Paraná Pesquisas entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) - Nacional. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-08451/2026.

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