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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acenou ao mercado nesta quarta-feira (11), em evento promovido pelo BTG Pactual. O movimento vem ao encontro da estratégia adotada nas últimas semanas, momento em que ele vem buscando conquistar a confiança da elite econômica e se posicionar como um nome de centro-direita.
Diante de empresários, investidores e executivos do setor financeiro, o sucessor escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou as linhas gerais do que tem chamado de “tesouraço”, ou seja, uma agenda centrada na redução de gastos públicos, corte de impostos e diminuição da burocracia como caminho para impulsionar o crescimento econômico e, principalmente, trazer previsibilidade ao país.
Em sua exposição, o senador fez críticas diretas aos governos do PT, a quem atribuiu o aumento da carga tributária, o crescimento das despesas obrigatórias e o que classificou como expansão ineficiente do Estado. "Eles aumentaram a arrecadação para aumentar os gastos. Eu teria vergonha se fosse presidente do Brasil", afirmou.
Segundo ele, o modelo adotado nas últimas décadas teria contribuído para a perda de competitividade do Brasil e para a manutenção de juros elevados.
Flávio Bolsonaro defendeu equilíbrio fiscal para redução do juros
No evento promovido pelo BTG Pactual, Flávio Bolsonaro afirmou que o país convive com uma política fiscal que pressiona a taxa básica de juros e compromete a capacidade de investimento da União. Para ele, o reequilíbrio das contas públicas é condição indispensável para a redução estrutural dos juros e para a retomada do crescimento sustentável.
Ao defender o "tesouraço", o senador argumentou que a proposta representa uma inversão da lógica atual, com foco na diminuição do tamanho do Estado e na ampliação do espaço para a iniciativa privada. Ele citou como pilares dessa agenda a simplificação tributária, o corte de despesas consideradas ineficientes, como cargos em comissão e publicidade, o fortalecimento da segurança jurídica e o estímulo ao empreendedorismo.
Em relação aos detalhes sobre os cortes que seriam feitos no "tesouraço", o pré-candidato afirmou que eles ainda estão sendo estudados. "Isso é um castelo de cartas, você não pode tirar uma carta, falar que vai reduzir um imposto, sem antes saber qual vai ser o impacto disso em determinado segmento. Tem um time que está me ajudando a fazer isso, a botar essa proposta no papel", afirmou.
Flávio Bolsonaro também relembrou medidas adotadas entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, como a redução de impostos sobre combustíveis. O senador afirmou ainda que parte das desonerações promovidas naquele período foi revertida pelo atual governo do PT.
Questionado sobre as diferenças que teria em relação ao pai, principalmente em relação à tensão institucional com o poder Legislativo e Judiciário, ele afirmou que sempre apostou no diálogo. "Tenho convicção que vamos ganhar a eleição com o cérebro, e não com o fígado", afirmou.
Nomes para time de economia são apenas especulações, afirmou Flávio Bolsonaro
Questionado sobre se já estaria selecionando nomes para compor o time econômico de um eventual governo e quando eles seriam divulgados, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que as possibilidades divulgadas são apenas "especulações da imprensa".
Os nomes que têm sido ventilados compuseram o governo de Jair Bolsonaro, como Gustavo Montezano, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e Adolfo Sachsida, ex-secretário do Ministério da Economia.
"Não tem prazo, não tem nome ainda. Óbvio que estou conversando com muitas pessoas, tem muita gente me ajudando, mas pode ter certeza que será alguém que vai dar previsibilidade ao nosso país", garantiu.
Tarcísio será peça-chave na campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo
Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre possíveis atritos com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em relação à escolha do nome que sucederia Jair Bolsonaro na disputa à Presidência. O senador minimizou qualquer desgaste, afirmou que eventuais ruídos já foram superados e disse contar com o apoio ativo do governador paulista em 2026.
"Nós vamos ter em São Paulo palanques importantes, que não tivemos em 2022. Em 2022, o presidente Bolsonaro praticamente arrastou o Tarcísio para ser candidato a governador de São Paulo", afirmou. "Agora o que eu aguardo do Tarcísio é que a gente possa estar no mesmo clima de 2022 na sua eleição, só que agora com a minha figura ao invés do meu pai”, complementou.
Sobre Michelle Bolsonaro, o pré-candidato adotou um tom de cautela e indicou que a ex-primeira-dama ainda avalia se pretende disputar um cargo eletivo.
Romeu Zema é citado como possível vice
O cenário em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, também entrou na pauta. Questionado se o governador Romeu Zema (Novo) seria o “vice dos sonhos”, Flávio Bolsonaro elogiou a gestão do mineiro, mas afirmou que não houve convite formal e que o Novo tem o próprio pré-candidato à Presidência.
“Zema é um grande nome, mas ele também está com o nome colocado como pré-candidato. Aproveito para desmentir essa fake news de que ele não teria aceitado convite meu para ser vice. Eu não tive essa conversa com ele”, afirmou.
O senador disse que vê convergência com o governador mineiro, mas ponderou que qualquer composição dependerá de afinidade programática. “Não é só vencer a eleição, temos que ver se os pensamentos, os projetos e os princípios defendidos encontram convergência. Estou construindo não um plano de governo, mas um plano de Brasil”, declarou.
Flávio também destacou a força do PL em Minas e citou o deputado federal Nikolas Ferreira como uma das principais lideranças do estado. "É uma decisão que só cabe a ele. Ele tem dito que quer ser candidato a deputado federal", afirmou. Segundo ele, a definição sobre candidatura ao governo mineiro ainda está em aberto, mas garantiu que o partido "não vai errar na escolha dos nomes".
Minimização à terceira via de Kassab e aposta em união no segundo turno
Questionado sobre a composição partidária e a movimentação do PSD, de Gilberto Kassab, para lançar uma alternativa de terceira via em 2026, Flávio Bolsonaro afirmou que não vê espaço real para uma candidatura competitiva fora da polarização entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o senador, os partidos de centro e centro-direita não devem caminhar com o PT. "A primeira certeza que eu tenho é que esses partidos não irão com o PT. Ninguém vai entrar em canoa furada, todo mundo está vendo a pesquisa, todo mundo sabe para onde o Brasil iria com mais quatro anos desse atual desgoverno", afirmou.
Flávio Bolsonaro disse que tem mantido conversas reservadas com dirigentes partidários e que não pretende antecipar anúncios de alianças. Para ele, a definição das coligações passa pela estratégia regional de cada sigla e pela avaliação sobre palanques nos estados.
“Eu sou uma pessoa muito reservada, gosto de tratar dos assuntos nas conversas privadas. Óbvio que eu tenho interesse [em fazer alianças], essa eleição vai ser muito decisiva porque política dá capilaridade para qualquer candidatura. Quem leva o nome do presidente lá na ponta é o deputado estadual, o deputado federal, os governadores e senadores nos seus estados”, declarou.
O senador citou que tem dialogado com lideranças como Ciro Nogueira (PP), Antonio Rueda (União Brasil), Renata Abreu (Podemos) e Marcos Pereira (Republicanos), além do próprio Kassab. De acordo com Flávio Bolsonaro, os partidos aguardam a consolidação do cenário antes de tomar decisões definitivas.
Ao comentar a iniciativa do PSD de apresentar os governadores Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS) como possíveis nomes de terceira via, Flávio afirmou que respeita os pré-candidatos, mas considera difícil que uma alternativa fora da polarização se viabilize.
"Todo mundo está vendo que há uma clara opção por parte da grande maioria do eleitorado. Acho difícil que surja uma terceira via num cenário como esse, mas tenho certeza que, não passando para o segundo turno, vai caminhar com a gente também", disse.
"Difícil surgir uma terceira via em um cenário como esse, mas tenho certeza que, não passando para o segundo turno, [Kassab] vai caminhar com a gente também"
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência pelo PL
Ele ainda sinalizou que a movimentação do PSD pode levar o PL a reavaliar palanques regionais, mas evitou elevar o tom contra Kassab. "Respeito a estratégia do professor Kassab", assim como respeito os três pré-candidatos que o PSD está colocando", afirmou", afirmou, complementando que acredita na convergência das forças de centro-direita em um eventual segundo turno. "Nenhum dos partidos do centro para cá vai entrar na canoa furada do Lula", concluiu.







