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A primeira pesquisa Datafolha deste ano para presidente nas eleições de 2026, divulgada no último sábado (7), mostra alguns movimentos que devem balizar as estratégias das campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas próximas semanas. Alguns recados ficaram mais cristalinos para os dois após essa sondagem com o eleitorado brasileiro.
O principal é a consolidação de Flávio na disputa em menos de três meses desde que se lançou pré-candidato com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar de aparecer atrás de Lula nos cenários de primeiro turno, o senador está próximo — a distância entre os dois varia de 5 a 6 pontos percentuais, dependendo dos oponentes.
Na simulação de segundo turno, essa distância cai e fica dentro da margem de erro da pesquisa, de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, configurando um empate técnico. Nesse caso, Lula fica numericamente à frente, indo a 46%, enquanto Flávio chega a 43%.
A equipe de Lula considerava o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o adversário mais competitivo na corrida presidencial, mas a sondagem do Datafolha mostra que o filho de Jair Bolsonaro é quem de fato se posiciona como uma ameaça a um quarto mandato do petista.
Além disso, Lula não conseguiu manter o mesmo patamar da rodada anterior do Datafolha, no início de dezembro do ano passado. Mais do que isso, o petista perdeu terreno para Flávio. Naquele mês, o segundo turno apontava uma vantagem de 15 pontos percentuais para Lula — 51% contra 36%. Uma diferença que caiu para três pontos percentuais neste mês.
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Rejeição coloca Flávio Bolsonaro perto de teto
Ao mesmo tempo em que o sobrenome Bolsonaro ajudou Flávio a ganhar terreno rapidamente em praticamente todo o espectro da direita, puxou também a rejeição do pai com o eleitorado. Na pesquisa do Datafolha, 45% dos entrevistados disseram que nunca votariam no pré-candidato do PL.
A rejeição de Lula é mais antiga, carregando o histórico de três mandatos, e está no mesmo patamar do principal adversário: 46% não votariam nele. Isso pode antecipar uma disputa baseada na rejeição dos candidatos, impondo limites para cada um nas eleições.
Um eventual crescimento de Flávio, seja de intenção de voto ou de rejeição, pode ficar mais evidente a partir de agora. Isso porque 7% dos entrevistados pelo instituto Datafolha disseram que não o conhecem.
Parte pode se transformar em rejeição, ultrapassando a negação a Lula. Outra possibilidade está na mesa: que o candidato da direita consiga cativar esse eleitorado restante assim que tomarem conhecimento dele. Do outro lado, o grau de desconhecimento ao petista é de 1%.
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), outro candidato que representa a direita na disputa — mesmo que mais ao centro — tem uma trajetória diferente de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa, ele somou 19% de rejeição, sendo que 38% responderam que não o conhecem.
- Metodologia Datafolha 7/3/2026: Pesquisa Datafolha realizada presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil entre os dias 3 e 5 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03715/2026.
- Metodologia Datafolha 6/12/2025: 2.002 eleitores ouvidos pelo Datafolha entre 2 e 4 de dezembro de 2025 em 113 municípios do Brasil. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais.












