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Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, tem apresentado uma agenda educacional baseada na alfabetização e na adoção de mecanismos de avaliação capazes de premiar bons resultados e responsabilizar escolas e gestores por desempenhos insatisfatórios. Suas propostas incluem a adoção do método fônico, o fim da progressão continuada e incentivo a escolas cívico-militares. Embora ambiciosas, parte dessas medidas enfrenta grandes desafios de implementação e tende a demandar mais tempo do que um único mandato presidencial para obter resultados concretos.
Em levantamento da AtlasIntel divulgado no último dia 1º, Renan apareceu com 7,8% das intenções de voto em cenário estimulado. O desempenho o colocou à frente de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.
Ao apresentar suas propostas para a educação, o empresário e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) costuma citar o estado do Mississippi, nos Estados Unidos, como exemplo de educação. Segundo ele, a unidade federativa, historicamente uma das mais pobres do país, conseguiu dar um salto nos indicadores educacionais após priorizar a alfabetização, adotar o método fônico e investir no fortalecimento das habilidades de leitura e escrita dos alunos.
Inspirado nesse modelo, Renan defende que a educação brasileira retome o foco na alfabetização e na literacia como base para todo o aprendizado. Na avaliação dele, é impossível avançar em disciplinas como matemática, ciências ou história sem que os estudantes dominem adequadamente a leitura, a interpretação de textos e a escrita.
A partir desse diagnóstico, ele propõe a implantação de um sistema amplo de avaliação de resultados. A ideia é utilizar indicadores de desempenho para identificar boas práticas e premiar alunos, diretores, escolas e famílias que obtenham melhores resultados.
“A família de um aluno que tira notas altas, e aí nós vamos identificar isso, recebe um auxílio. Eu não concordo com o Pé-de-Meia, em que você tem que dar um dinheiro só para o aluno cumprir presença. Cumprir presença é obrigação. Nós vamos ajudar os alunos que têm notas altas e fazer com que as famílias enxerguem valor na educação”, avaliou durante entrevista a uma emissora de rádio
Paralelamente, ele defende mecanismos de responsabilização para casos de desempenho insatisfatório, como a substituição da gestão de escolas que apresentem resultados persistentemente baixos. “Não dá para manter um diretor de uma escola tocando uma escola que tem desempenho ruim. É preciso trocar a gestão. É assim em uma empresa e deve ser assim também em uma escola”, argumentou.
Renan defende ainda a revisão de benefícios sociais destinados a famílias cujos filhos não atinjam níveis mínimos de rendimento escolar.
Sistema de avaliação exige tempo e métricas confiáveis
As propostas do pré-candidato dialogam com uma linha de pensamento presente no debate educacional, segundo a qual a alfabetização nos primeiros anos da educação básica é determinante para o desempenho escolar ao longo da vida acadêmica.
A defesa de avaliações frequentes e metas de desempenho não é uma novidade no debate educacional brasileiro. Experiências nacionais e internacionais mostram que sistemas de monitoramento podem ajudar a elevar os resultados de aprendizagem quando combinados com políticas de alfabetização e acompanhamento pedagógico.
Entretanto, a implementação de um sistema robusto de avaliação educacional está longe de ser uma tarefa simples. Hoje, o principal instrumento utilizado pelo Brasil é o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), cujos resultados servem de base para diversos indicadores de desempenho. Ainda assim, a interpretação desses números costuma gerar debates, uma vez que os resultados podem variar de acordo com as métricas adotadas e os critérios utilizados para medir a qualidade do ensino.
Outro desafio é o tempo necessário para que reformas educacionais produzam efeitos mensuráveis. Mudanças na alfabetização e na gestão escolar normalmente exigem continuidade administrativa e tendem a apresentar resultados apenas no médio e longo prazo, muitas vezes extrapolando um único mandato presidencial.
A discussão ganha relevância porque propostas como as defendidas por Renan dependem de mecanismos confiáveis de avaliação, sobretudo quando os resultados obtidos pelos estudantes servem de base para premiar ou responsabilizar gestores, escolas e famílias.
Durante o governo Bolsonaro, o então secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, defendeu a ampliação do uso de avaliações internacionais e articulou a participação brasileira no PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), exame que mede a proficiência em leitura. A iniciativa buscava criar parâmetros mais objetivos para acompanhar a evolução da aprendizagem ao longo dos anos e avaliar a eficácia das políticas públicas adotadas.
Autoridade do professor é fundamental, defende
Outro ponto central de sua proposta é o fortalecimento da autoridade do professor em sala de aula. Para Renan, a recuperação da disciplina e do respeito ao ambiente escolar é condição necessária para melhorar a qualidade do ensino e garantir que os alunos tenham condições adequadas para aprender. Dessa forma, sua agenda educacional combina alfabetização baseada em evidências, gestão por resultados e maior cobrança de estudantes, famílias e gestores públicos.
“Temos que criar uma cultura de excelência no país. Hoje, um professor na escola não consegue dar uma bronca no aluno, não consegue expulsar um aluno da sala de aula. Ele perdeu a autoridade”, comentou Renan em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Outro ponto defendido pelo pré-candidato é o fim da progressão continuada, que impede alunos de reprovar as séries. Segundo ele, isso é um fator relevante que retira a autoridade do professor. “O aluno tem que aprender a ter responsabilidade sobre os atos dele desde criança. Se a gente não ensina para a criança que ela vai repetir de ano e atrapalhar toda a vida dela, ela aprende desde cedo que não precisa ter responsabilidade. Ela aprende que ela pode se comportar errado e que ela vai ser ‘premiada’ como uma pessoa que está indo bem”, defendeu durante um evento em Itabuna, Bahia.
Além da ênfase na alfabetização e na avaliação de desempenho, Renan também defende a ampliação das escolas cívico-militares e a criação de escolas charter - instituições públicas com gestão privada e metas de desempenho. Segundo ele, essas experiências poderiam servir como laboratório para a implementação de práticas educacionais mais eficientes, principalmente em regiões com baixos indicadores de aprendizagem.
A pesquisa citada foi realizada pela AtlasIntel, sendo contratada pelo próprio instituto, e ouviu 4.999 pessoas por meio de formulário eletrônico entre os dias 26 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-04582/2026.






