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Governo do Rio

Como Douglas Ruas se tornou a maior surpresa do 1º turno

Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio
Deputado estadual Douglas Ruas vira o jogo contra Paes com apoio de Flávio Bolsonaro. (Foto: Antonio Lacerda/EFE)

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Em menos de um ano, o deputado estadual fluminense Douglas Ruas (PL) passou de um parlamentar desconhecido no cenário nacional à maior surpresa do primeiro turno no Brasil. Ele depende apenas de uma decisão da Justiça para ser o novo governador do Rio de Janeiro, o que pode acontecer ainda nesta quinta-feira (8), cancelando um eventual segundo turno contra Eduardo Paes (PSD) no próximo dia 25.

Até o final do ano passado, Ruas não era cotado para disputar a chefia do Palácio Guanabara, sede oficial do Executivo fluminense. A prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), transformou o deputado estadual na principal aposta de Flávio Bolsonaro (PL) no estado.

Policial civil, Ruas tem 37 anos e é filho do ex-prefeito de São Gonçalo Capitão Nelson. No município, ele foi subsecretário de Trabalho, chefiou a superintendência regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, antes de se eleger deputado estadual com 175.977 votos, o segundo mais votado em 2022.

Aliado de Cláudio Castro (PL), Ruas foi nomeado secretário das Cidades do estado do Rio de Janeiro durante o segundo mandato do governador. O deputado voltou à Alerj em março deste ano, após o PL anunciá-lo então como pré-candidato ao governo fluminense.

Vitória improvável contra o favoritismo de Eduardo Paes

Na véspera do primeiro turno, a pesquisa Quaest indicava a possibilidade de vitória de Paes no primeiro turno, com 49% dos votos válidos contra 40% de Ruas. Reeleito em 2024 para o quarto mandato na prefeitura do Rio, Paes deixou o comando da cidade como favorito ao Palácio Guanabara e liderou a disputa durante toda a campanha, segundo os levantamentos da Quaest.

Na pesquisa de 25 de agosto, Paes tinha 37% das intenções de voto, enquanto o candidato do PL aparecia com 14% da preferência dos eleitores. Nas urnas, Ruas alcançou 49,2% dos votos válidos e pode ser anunciado como vencedor, se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a anulação dos votos do candidato Anthony Garotinho (Republicanos) - a sessão está marcada para esta quinta-feira (8).

“Nossa hipótese é que milhares de eleitores indecisos (o Rio tinha a maior taxa de pessoas alienando voto no país) migraram em massa para Douglas Ruas nas últimas 48 horas à medida que ele foi sendo percebido como o candidato associado à candidatura de Flávio Bolsonaro”, explica o sócio-fundador da Quaest, o cientista político Felipe Nunes.

Garotinho fez campanha e concorreu nas urnas, apesar do indeferimento da candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Após receber 274,4 mil votos (equivalente a 3,1% dos votos válidos), o candidato do Republicanos anunciou que abrirá mão do recurso na Corte Superior, o que deve anular todos os votos atribuídos a ele. Assim, o universo de votos válidos aumentaria o percentual de Ruas acima dos 50%, garantindo a vitória no primeiro turno.

Douglas Ruas virou alternativa da direita após crise institucional

Os planos do PL para Bacellar começaram a desmoronar devido ao rompimento político com Castro, depois de uma manobra política que abriu o caminho para o ex-presidente da Alerj na linha sucessória do Executivo. Em maio do ano passado, Castro nomeou o vice-governador Thiago Pampolha (MDB) conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e colocou Bacellar como sucessor direto na cadeira do governo.

Para concorrer ao Senado, Castro precisaria renunciar ao governo seis meses antes das eleições (o período de desincompatibilização), deixando Bacellar no comando do estado.

Durante uma viagem de Castro, Bacellar exonerou o então secretário de Transportes, Washington Reis, e abriu uma crise política. O agravamento ocorreu com a prisão de Bacellar por suspeita de vazamento de informações sobre operações policiais em benefício do ex-deputado TH Jóias, detido sob a acusação de trabalhar politicamente em favor do Comando Vermelho.          

A crise institucional escalou em março deste ano, quando Castro renunciou ao mandato de governador para disputar o Senado e evitar a cassação por abuso de poder político e econômico na reeleição em 2022. No entanto, Castro e o ex-aliado Bacellar foram condenados pelo TSE à perda dos direitos políticos por oito anos. 

Ruas foi eleito presidente da Alerj, mas não assumiu o governo  

Com a dupla vacância, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo do estado. Em abril, Ruas foi eleito o novo presidente da Alerj, o que o colocou na linha sucessória para assumir o cargo de governador e fazer a campanha eleitoral de 2026 no comando do Executivo.

No entanto, o ex-prefeito carioca Eduardo Paes passou a defender uma eleição suplementar para o cargo e o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com a proximidade das eleições de 2026, Couto foi mantido no cargo de governador como interino até a posse do novo mandatário.

  • Metodologia das pesquisas citadas:
    - 3.204 entrevistados pela Quaest de 2 a 3 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A/TV Globo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RJ-03032/2026.   
    - 1.302 entrevistados pela Quaest de 21 a 24 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Globo Comunicação e Participações S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº RJ-08748/2026.

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