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Com a proximidade do fim da gestão do governador Cláudio Castro (PL-RJ), a direita do Rio de Janeiro procura um candidato que possa disputar o posto de sucessor. A eventual vitória nas urnas neste ano representa a manutenção do grupo político alinhado a Jair Bolsonaro (PL) no comando do Palácio da Guanabara (sede do Executivo estadual), no berço político da família do ex-presidente da República.
Após a operação de segurança pública Contenção, a aprovação de Castro atingiu o maior patamar após a reeleição em 2022 e colocou o governador do PL de volta ao páreo eleitoral, com força suficiente para lançar uma pré-candidatura própria ao Senado, além de influenciar na próxima disputa ao governo fluminense.
Se existe a certeza de que a segurança pública — bandeira histórica da direita — deve nortear o debate na campanha eleitoral, por outro lado, o nome que vai representar a candidatura conservadora com a bênção do grupo político de Bolsonaro ainda é uma incógnita no estado.
A decisão é considerada estratégica para barrar as pretensões do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que tem possibilidade de vitória no primeiro turno, conforme sondagens eleitorais recentes. O chefe do Executivo carioca tem o apoio de Lula e chegou até a acenar para a possibilidade de receber o apoio do PL, o que foi rechaçado pela sigla e por outros partidos da base de Castro.
Segundo as pesquisas de intenção de votos divulgadas entre setembro e outubro de 2025 pelos institutos Gerp e Paraná Pesquisas, Paes tem potencial de vencer a eleição ao governo do Rio de Janeiro no primeiro turno. O Paraná Pesquisas apontou a vitória em cenários estimulados contra Washington Reis (MDB) e Rodrigo Bacellar (União Brasil), com mais de 54% dos votos.
Outro instituto, o Gerp, estimulou os cenários de primeiro turno até com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Paes pontuou acima dos 37%, na liderança. O prefeito carioca confirmou que deixará o cargo em abril para disputar as eleições ao governo fluminense.
- Metodologia das pesquisas citadas:
- Gerp: 1.000 entrevistados no estado do Rio de Janeiro entre os dias 24 e 27 de outubro de 2025. Nível de confiança: 95,55%. Margem de erro: 3,16 pontos percentuais.
- Paraná Pesquisas: 2.000 entrevistados, em 66 municípios do Rio de Janeiro, entre os dias 24 e 27 de agosto de 2025. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais.
Prisão de ex-presidente do Legislativo muda quadro eleitoral no Rio
Com a indicação do ex-vice-governador Thiago Pampolha ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Castro havia aberto caminho para o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União-RJ), assumir o governo fluminense em abril e consolidar a pré-candidatura nas eleições em 2026.
No entanto, a prisão de Bacellar — durante operação da Polícia Federal que investiga o vazamento de informações em benefício do Comando Vermelho e a relação do ex-deputado estadual TH Jóias com o crime organizado — culminou na saída do investigado da cadeira de presidente da Alerj e deixou Bacellar de fora do páreo pelo governo do estado. Ele foi solto por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre Moraes, e passou a ser monitorado com o uso de tornozeleira eletrônica.
A manobra para tirar Pampolha da briga pelo governo e deixar Bacellar em evidência com caneta de governador no ano eleitoral foi vista como um sinal de apoio de Castro ao então chefe do Legislativo fluminense. Mas o governador rompeu com o ex-presidente da Alerj após Bacellar assumir o governo e exonerar o adversário político Washington Reis (MDB), pré-candidato ao governo do estado.
Assim, Castro se distanciou de Bacellar antes da operação da Polícia Federal. Se for candidato ao Senado, Castro terá que deixar o cargo de governador em abril, conforme a regra de desincompatibilização prevista pela Justiça Eleitoral.
Neste cenário de vacância no cargo de vice-governador e com um comando provisório na presidência da Alerj, quem assume o Executivo é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto. Ele terá 30 dias para convocar uma eleição indireta ao governo para o mandato-tampão até a posse do governador eleito, que em 2027 será no dia 6 de janeiro.
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Secretários de Castro podem entrar na briga por sucessão
O governador Cláudio Castro articula a candidatura do secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), filiado recentemente ao partido. No entanto, ainda não existe unanimidade no PL em torno de um nome para a disputa nas urnas.
Outro nome que pode entrar na briga interna da direita é o secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, reforçando o tema da segurança pública como o norteador do debate eleitoral no estado. A Gazeta do Povo apurou que Curi foi cotado pela liderança do PL no estado, mas pode se filiar ao Progressistas para disputar a cadeira.
No final de outubro, Curi chefiou a operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado, que terminou com 121 mortes (incluindo quatro policiais) nos complexos do Alemão e da Penha e 113 presos ligados ao Comando Vermelho.
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Ex-prefeito depende de decisão do STF para disputar eleições pelo Rio de Janeiro
Ex-secretário estadual na gestão de Cláudio Castro e ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis confirma que é pré-candidato ao governo fluminense e afirma que um acordo com o STF deve evitar a sua inelegibilidade, em decorrência do processo em que ele é acusado de crime ambiental. Reis é um antigo aliado da família Bolsonaro e tem a simpatia de Flávio, pré-candidato a presidente da República, o que pode ser importante para o senador na construção do palanque no estado.
No entanto, a candidatura ainda depende da decisão do STF. “Não tenho problema na Justiça Eleitoral. O que existe é um processo no Supremo. Trabalho em várias frentes pela anulação, porque não tive participação no problema e não cometi crime. Inclusive, outras pessoas envolvidas, que são meus irmãos – um deputado federal e um estadual – já foram inocentadas. Estou no processo, mas sem relação com o fato”, disse Reis, em entrevista à Gazeta do Povo.
O ex-prefeito de Duque de Caxias foi condenado em 2016 pela prática de crime ambiental e loteamento irregular do solo por causa de um loteamento chamado Vila Verde, na zona de amortecimento da Reserva Biológica do Tinguá. No ano passado, o Supremo deu despacho favorável à possibilidade de conversão da pena em uma reparação de dano ambiental.
“O ministro Gilmar Mendes propôs um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), que está com pedido de vista dele próprio. Tenho muita tranquilidade. Há tempo de sobra para resolver tudo e homologar a candidatura, até porque o caso está prescrito”, respondeu Reis, que é presidente do MDB no Rio de Janeiro.
Com aliança entre PT e Eduardo Paes, PSOL deve ter candidatura própria
O Partido dos Trabalhadores (PT) chegou a lançar a pré-candidatura do ex-deputado federal e ex-prefeito de Maricá Fabiano Horta (PT-RJ), no final do ano passado, mas a tendência é que, sem força política no estado, o partido volte a apoiar Eduardo Paes, assim como ocorreu em 2024, quando o prefeito carioca foi reeleito com o aval de Lula.
Outro partido de esquerda do pleito, o PSOL também deve manter o posicionamento das últimas eleições municipais e lançar uma candidatura própria sem apoiar Paes. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) — que teve a cassação do mandato aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados — é um dos nomes cotados pela sigla.
No entanto, ele pode ficar inelegível caso a decisão seja levada ao Plenário da Casa e aprovada pelos parlamentares. Por conta dessa situação, a pré-candidatura de Braga ao governo fluminense sofre com a resistência interna da própria militância do PSOL no Rio de Janeiro.
Pré-candidatos e cotados para as eleições ao governo do Rio de Janeiro
Eduardo Paes
Eduardo Paes foi reeleito para o quarto mandato como prefeito do Rio de Janeiro em 2024. É antigo aliado de Lula, desde a primeira passagem pela prefeitura carioca, entre os anos de 2009 e 2016.

Nicola Miccione
Secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione filiou-se recentemente ao PL com apoio do governador Cláudio Castro para disputar as eleições ao governo do Rio de Janeiro.

Felipe Curi
Secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi (à esquerda de Castro na imagem) passou a ser cotado pelo PP como pré-candidato nas eleições ao governo fluminense após comandar a operação Contenção.

Washington Reis
Ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis deixou o posto de secretário estadual do governo Castro e pretende disputar as eleições, mas depende de decisão do STF.

Fabiano Horta
Ex-prefeito de Maricá, o petista Fabiano Horta lançou a pré-candidatura no final de 2024, no entanto, corre por fora pela possibilidade de o PT apoiar Paes, antigo aliado de Lula.

Glauber Braga
Deputado federal da esquerda radical, Glauber Braga enfrenta risco de inelegibilidade, o que fragiliza sua possível candidatura nas eleições ao governo do Rio de Janeiro.











