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No último dia 4, um candidato do PL aparecia nas urnas como Alexandre Isquierdo Malafaia. O nome civil registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, é Alexandre Isquierdo Moreira, sem o sobrenome de um dos líderes evangélicos mais atuantes e influentes na política.
O ex-vereador do Rio de Janeiro não tem parentesco com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec). Mesmo assim, foi com o sobrenome do pastor que Isquierdo se elegeu deputado estadual pelo PL, com 83.461 votos.
Isquierdo foi o 16º candidato mais votado do estado, com 0,98% dos votos válidos, e entrou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo quociente partidário. A posse será em fevereiro de 2027, na vaga que nos últimos quatro mandatos pertenceu a Samuel Malafaia (PL), irmão mais velho de Silas.
A troca foi anunciada pelo próprio pastor em maio deste ano. Silas confirmou que Samuel não disputaria a reeleição e apresentou Isquierdo como candidato da igreja à Alerj, já com "Malafaia" no nome de urna.
Samuel não saiu de bom grado. Em maio de 2025, de acordo com o Tempo Real, a Advec vinha "convencendo" o deputado a se aposentar, mas ele resistia. A acomodação veio em 14 de julho, quando Flávio Bolsonaro (PL) o escolheu como primeiro suplente do senador Carlos Portinho (PL), que se reelegeu ao Senado pelo estado.
A vitória de Isquierdo entra na conta política do pastor. De acordo com cálculos feitos por aliados de Malafaia, 27 candidatos apoiados por ele foram eleitos no pleito deste ano: 20 senadores, quatro deputados federais e três deputados estaduais, entre eles Isquierdo.
Isquierdo trocou Câmara do Rio e governo Castro pela Alerj
Nascido no Rio em 1972, Isquierdo entrou aos dez anos na Assembleia de Deus da Penha, que hoje é a Advec. Foi eleito vereador em 2012 pelo PMDB e reeleito duas vezes pelo DEM, com votação em queda: de 33.356 votos na primeira eleição para 17.764 em 2020.
Na Câmara Municipal, ganhou projeção como presidente do Conselho de Ética. Conduziu o processo que levou à cassação de Dr. Jairinho, em 2021, e o de Gabriel Monteiro (PL), cassado em agosto de 2022 por 48 votos a 2.
Em 2023, foi nomeado secretário estadual de Juventude e Envelhecimento Saudável pelo governador Cláudio Castro (PL). Deixou a pasta em abril de 2024, no prazo para concorrer nas eleições municipais, mas não registrou candidatura e voltou ao cargo em janeiro de 2025.
Saiu de novo em março de 2026, desta vez para disputar a Alerj. Durante esse segundo período na secretaria, foi o principal locutor da Marcha para Jesus de 2025, que reuniu cerca de 300 mil pessoas no Centro do Rio, de acordo com os organizadores.
Fundo eleitoral do PL bancou 90% da arrecadação de Alexandre Isquierdo Malafaia
De acordo com a prestação de contas parcial entregue ao TSE, Isquierdo arrecadou R$ 885,8 mil. Desse total, R$ 800 mil vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, repassados pela direção nacional do PL, e R$ 70,5 mil saíram do bolso do próprio candidato.
O restante veio do diretório estadual do partido e de outros candidatos do PL, entre eles Douglas Ruas, que disputou o governo do estado. Silas Malafaia, a Advec e integrantes da família do pastor não aparecem entre os doadores.
O sobrenome, porém, estampou a campanha. O material pago pelo diretório estadual do PL, como santinhos, bandeiras e adesivos, foi registrado com o nome "Alexandre Isquierdo Malafaia".
A parceria de campanha com o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pastor licenciado da Advec, também aparece na prestação: Sóstenes repassou a Isquierdo uma bandeira, avaliada em R$ 325.
Na declaração de bens, Isquierdo informou patrimônio de R$ 1,069 milhão: metade de um imóvel — declarada por R$ 1 milhão —, R$ 59 mil em conta corrente e R$ 10 mil em cotas de uma empresa. Em 2012, na primeira eleição, tinha declarado apenas um carro de R$ 30 mil.









