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Plano de governo

As principais propostas de Zucco, governador eleito no Rio Grande do Sul

As propostas estão reunidas em um plano de governo de 107 páginas registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

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Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno das eleições de 2026, com 58,05% dos votos válidos. O deputado federal assumirá o Palácio Piratini em janeiro de 2027 com uma agenda que prioriza segurança pública, reconstrução após as enchentes, renegociação da dívida com a União, redução de despesas e estímulo à atividade econômica.

As propostas estão reunidas em um plano de governo de 107 páginas registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento divide as medidas em seis eixos e detalha ações para segurança, desenvolvimento social, economia, infraestrutura, tecnologia e gestão pública.

Renegociação da dívida e fim do aumento de impostos

A renegociação da dívida do Rio Grande do Sul com a União está entre as principais prioridades anunciadas por Zucco.

Durante a campanha, ele defendeu uma nova negociação com o governo federal e a articulação conjunta com outros estados endividados.

Em sabatina da Rádio Gaúcha, Zucco afirmou que pretende reunir os governadores dos quatro estados mais endividados — Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — para negociar com o governo federal. Ele também rejeitou a criação de novos impostos.

“Eu nunca vou aumentar impostos, pois acredito que esse não é o caminho para o desenvolvimento”, afirmou durante a sabatina.

O governador eleito também defende a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mas quer negociar condições diferentes das previstas atualmente.

Após a eleição, voltou a defender uma nova negociação da dívida e a aprovação de um fundo constitucional para financiar investimentos no Sul e no Sudeste.

Redução da estrutura do governo

Zucco pretende reduzir o tamanho da administração estadual. Em entrevista à Rádio Gaúcha um dia depois da eleição, afirmou que avalia reduzir o número de secretarias do estado.

O governador eleito disse que pretende analisar cada pasta durante a transição para identificar estruturas que possam ser integradas.

Ele não definiu quais secretarias serão extintas ou incorporadas. O critério anunciado é a eficiência da administração e a entrega de resultados.

O plano de governo também estabelece como diretriz uma gestão orientada por resultados, responsabilidade fiscal, transparência e uso de dados para a tomada de decisões.

Segurança pública e combate às facções

A segurança pública é um dos principais eixos do programa de governo.

Zucco propõe ampliar a inteligência policial para combater a estrutura financeira das organizações criminosas, além de reforçar a integração entre as forças de segurança.

O plano prevê recomposição dos efetivos, modernização da perícia, ampliação do cercamento eletrônico e ações contra tráfico de armas e drogas, crimes digitais e redes de receptação.

Também inclui medidas específicas para reforçar a segurança no meio rural.

O sistema prisional também aparece entre as prioridades. Zucco propõe modernizar as unidades, ampliar o uso de inteligência e fortalecer a Polícia Penal.

Durante a campanha, ele também defendeu medidas específicas contra a violência doméstica.

Em entrevista à CNN Brasil, afirmou que pretende ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores sujeitos a medidas protetivas.

Prevenção de enchentes e reconstrução

Depois das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, Zucco colocou a prevenção de eventos climáticos entre as prioridades do governo.

O plano prevê a conclusão da rede de monitoramento hidrometeorológico, o aprimoramento dos sistemas de alerta, a atualização dos mapas de risco e a manutenção das estruturas de proteção contra cheias.

O documento também prevê apoio técnico às Defesas Civis municipais e execução de obras consideradas estratégicas para reduzir riscos.

Durante a campanha, Zucco afirmou que pretende elaborar um planejamento específico para as regiões atingidas pelas enchentes, com obras de prevenção e integração entre estado e municípios.

Ele também defendeu a prorrogação do Funrigs, fundo criado para concentrar recursos destinados à reconstrução do estado.

Educação: fim da progressão parcial e expansão das escolas cívico-militares

Na educação, uma das principais propostas de Zucco é acabar com a progressão parcial na rede estadual.

O mecanismo permite que o estudante avance para a série seguinte mesmo sem atingir a média em até quatro disciplinas.

Em entrevista durante a campanha, Zucco afirmou que essa seria uma de suas primeiras medidas na área.

No lugar da progressão parcial, o plano prevê aperfeiçoar os critérios de recuperação e promoção dos estudantes, com intervenções pedagógicas durante o ano letivo.

O programa também prevê ampliar as escolas cívico-militares e os Colégios Tiradentes, administrados pela Brigada Militar, principalmente em regiões de maior vulnerabilidade e exposição à violência.

Zucco ainda propõe ampliar o ensino em tempo integral, fortalecer a alfabetização e usar avaliações para identificar dificuldades de aprendizagem.

Na campanha, também defendeu a expansão de cursos técnicos e profissionalizantes alinhados às necessidades econômicas de cada região.

Saúde digital e regionalização do atendimento

O plano de governo prevê uma reorganização da saúde pública estadual com foco na ampliação do acesso e na integração dos serviços.

Entre as medidas estão a expansão da telessaúde, a adoção de prontuários interoperáveis, o fortalecimento da saúde mental e da atenção materno-infantil e o aperfeiçoamento da assistência farmacêutica.

Zucco também defende maior integração entre estado e municípios para organizar a oferta de serviços de saúde de acordo com as necessidades de cada região.

Infraestrutura e articulação com o governo federal

Zucco defende uma atuação mais direta do governo estadual na busca por recursos federais e investimentos em infraestrutura.

Durante entrevista à CNN Brasil, citou como prioridades a duplicação da BR-290, a construção de um aeroporto na Serra Gaúcha e investimentos em portos.

Segundo ele, parte das obras necessárias ao Estado depende de articulação com Brasília.

O plano de governo também prevê ampliar concessões e parcerias com a iniciativa privada, com contratos vinculados a metas de desempenho e qualidade.

Fim da EGR e concessões rodoviárias

Durante a campanha, Zucco também defendeu o fim da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

A proposta apareceu entre as medidas apresentadas durante a sabatina da Rádio Gaúcha.

A intenção é transferir a gestão de rodovias para modelos de concessão e buscar maior participação da iniciativa privada na infraestrutura estadual.

O plano de governo prevê uma carteira de projetos para concessões e parcerias público-privadas, com fortalecimento da capacidade técnica do estado para estruturar contratos e fiscalizar o cumprimento das obrigações pelas empresas.

Agronegócio e crédito para produtores

O setor agropecuário aparece como uma das áreas estratégicas do programa de Zucco.

O plano prevê fortalecer a defesa agropecuária, ampliar a fiscalização baseada em risco e modernizar sistemas de informação e diagnóstico.

Durante a campanha, Zucco também defendeu a articulação em Brasília para renegociar as dívidas dos produtores rurais.

Ele afirmou que o governo estadual deve trabalhar junto à bancada federal para buscar medidas de crédito e alongamento de dívidas.

No âmbito estadual, propôs discutir com Banrisul, Badesul e BRDE linhas de crédito com juros menores e prazos adequados para produtores.

Desenvolvimento econômico e geração de empregos

Zucco promete reduzir burocracias e melhorar o ambiente de negócios para empresas.

O plano de governo estabelece como meta tornar o estado mais favorável à abertura e expansão de empresas, com medidas de simplificação e digitalização dos serviços públicos.

Durante a campanha, também defendeu investimentos na infraestrutura energética e a ampliação da oferta de internet no interior do estado.

A proposta busca melhorar as condições para a produção agrícola e industrial fora dos grandes centros.

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