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Eleições 2026

Disputa ao governo do Rio Grande do Sul terá polarização entre PL e esquerda

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Após oito anos, Eduardo Leite deixa o comando do Palácio Piratini e tenta emplacar vice como sucessor ao governo do Rio Grande do Sul. (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)

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A corrida ao governo do Rio Grande do Sul caminha para repetir o cenário das últimas eleições presidenciais no país, com a polarização entre o grupo político aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ala da esquerda, encabeçada por uma pré-candidatura do PT. Os partidos PL e Novo costuram uma coligação de direita para as eleições de 2026 no estado gaúcho, formando uma frente de oposição à continuidade do grupo político do governador Eduardo Leite (PSD-RS), além de enfrentar o PT e o PDT.

A aliança reúne deputados federais alinhados no combate ao petismo e na oposição ao governo Lula (PT) no Congresso Nacional. O acordo político entre as siglas está delineado: o pré-candidato ao governo gaúcho será o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS).

Para o Senado, a chapa será integrada pelos deputados federais Marcel van Hattem (Novo-RS) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), ambos figuras de destaque da direita no estado. Segundo dirigentes das legendas, a articulação começou a ser consolidada ainda nas eleições municipais de 2024, quando PL e Novo avançaram em diferentes cidades gaúchas, fortalecendo a ideia de uma frente permanente.

No lado esquerdo do tabuleiro político, os pré-candidatos são Edegar Pretto (PT-RS) e Juliana Brizola (PDT-RS). Pesquisa eleitoral realizada no fim de 2025 indica que os dois devem disputar a preferência dos votos progressistas na tentativa de chegar ao segundo turno.

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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é uma das opções do PSD para disputar a Presidência da República, além de aparecer entre os principais nomes ao Senado. Independentemente do caminho, Leite terá o desafio de fazer o sucessor no governo do estado.

O escolhido por Leite é o vice-governador Gabriel Souza (MDB-RS), que ainda é desconhecido de parte do eleitorado gaúcho. Na avaliação da cientista política Andreia Maidana, o vice-governador gaúcho ainda não se consolidou politicamente, em razão de a figura do cargo geralmente ser ofuscada pelo chefe do Executivo — algo que pode mudar a partir da campanha eleitoral, especialmente se Leite concorrer ao Senado e percorrer o estado ao lado do aliado.

Souza deve assumir o governo no próximo mês de abril, com a desincompatibilização de Leite do cargo, prevista pela Justiça Eleitoral para candidatos ao próximo pleito. “Caberá a ele aparecer mais e buscar este protagonismo, colocando-se como o candidato de Leite. Em segundo lugar, é natural que as intenções de voto mudem, conforme os candidatos se movimentam e articulam suas campanhas”, afirma a cientista política.

Seguindo os passos do governador gaúcho, segundo a análise dela, o pré-candidato do MDB deve se distanciar da polarização entre esquerda e direita. “Como a disputa nos extremos é intensa, um candidato que se posicione de forma mais moderada pode atrair os eleitores descontentes com ambos os lados, especialmente aqueles que buscam uma alternativa mais conciliadora”, comenta Maidana.

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A última pesquisa do instituto Neokemp, divulgada em novembro, aponta que vice-governador do Rio Grande do Sul tem 8,3% dos votos no cenário estimulado, tecnicamente empatado com Juliana Brizola, que somou 11% da preferência dos entrevistados.

O levantamento é liderado por Zucco com 21,1% dos votos, seguido pelo petista Edegar Pretto com 14,4%. A margem de erro é de 3,1% de pontos percentuais para mais ou para menos.

Em outro cenário estimulado pela Neokemp, Zucco lidera com 24,1% das intenções de voto. Novamente, Pretto aparece na segunda colocação com 17,1% da preferência dos eleitores, tecnicamente empatado com a candidata do PDT, que soma 15%. Souza teve 8,3% das intenções de voto e Felipe Camozzato (Novo-RS) fecha a lista com 4%.

“A divisão de votos entre Juliana Brizola e Edegar Preto reduz a possibilidade da esquerda assumir ainda no primeiro turno, pois pulveriza o voto progressista, enquanto os eleitores da direita se concentram em torno de Zucco. Este cenário provavelmente resultará em uma disputa de segundo turno entre os polos opostos”, projeta Maidana.

  • Metodologia: 1008 entrevistados pela Neokemp Pesquisas, em 108 cidades do Rio Grande do Sul, entre os dias 10 e 11 de novembro de 2025. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 3,1 pontos percentuais.

Pré-candidatos ao governo do RS nas eleições 2026

Luciano Zucco (PL)

Tenente-coronel e líder da oposição na Câmara dos Deputados, Zucco é o principal nome aliado ao ex-presidente Bolsonaro na disputa ao governo do RS.

Luciano Zucco (PL)Luciano Zucco (PL) (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Edegar Pretto (PT)

Ex-deputado estadual e presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Pretto tem o apoio de Lula nas eleições de 2026.

Governo RS Eleições 2026Edegar Pretto (PT) (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Juliana Brizola (PDT)

Ex-deputada estadual e integrante de família tradicional da política gaúcha, Juliana Brizola teve a pré-candidatura lançada pelo PDT em novembro de 2025.

Governo RS Eleições 2026Juliana Brizola (PDT) (Foto: Rafa Dotti/PDT)

Gabriel Souza (MDB)

Vice-governador do RS, Gabriel Souza deve assumir o governo em abril e assumir protagonismo em busca da sucessão de Eduardo Leite.

Governo RS Eleições 2026Gabriel Souza (MDB) (Foto: Vitor Rosa/Secom)

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