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O pecuarista Bruno Scheid (PL) nunca havia disputado uma eleição até o último domingo (4). Na estreia, conquistou a segunda das duas vagas de Rondônia na disputa ao Senado, com 474.226 votos, o equivalente a 26,95% dos votos válidos, atrás do colega de partido Fernando Máximo (PL).
A vitória completou uma noite de domínio do PL no estado. Scheid chega a Brasília como um dos aliados mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso desde novembro de 2025 para cumprir pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
Quando Bolsonaro foi transferido para a Papudinha, em Brasília, em janeiro de 2026, o pecuarista esteve entre os primeiros visitantes autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O vínculo era tão central para a campanha que o candidato tentou levar o sobrenome do amigo para a urna. A Justiça Eleitoral barrou a estratégia.
Em 8 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) deferiu a candidatura, mas determinou que o nome exibido na urna fosse apenas como Bruno Scheid, por entender que o sobrenome, ausente do nome civil, poderia sugerir parentesco com o ex-presidente.
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manteve o veto. A campanha, que classificou as decisões como censura, ficou proibida de usar “Bolsonaro” como identificação pessoal na propaganda, mas seguiu explorando a ligação com o slogan “o senador do Bolsonaro”.
Scheid se aproximou de Bolsonaro por meio de Michelle
Bruno Scheid nasceu em Paragominas, no Pará, em 13 de abril de 1983, e mudou-se ainda criança para Rondônia. Cresceu no bairro Caladinho, na zona sul de Porto Velho, e trabalhou com lavoura de arroz e manejo de gado antes de se fixar em Ji-Paraná, onde atua na pecuária. No registro de candidatura, declarou a profissão de administrador e um patrimônio de R$ 1.125.641,24.
A entrada na política nacional passou pelo celular. Scheid fundou o G-Agro, rede de grupos de WhatsApp que reúne produtores para discutir agronegócio e política. Em 2021, a rede mobilizou doações para o Pátria Voluntária, programa da então primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). A partir daí, Scheid foi se aproximando do ex-presidente e, com o tempo, passou a circular também ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em 2022, o nome ganhou o noticiário nacional. Além de ter estado ao menos 11 vezes no Palácio do Planalto a partir de setembro de 2021, Scheid foi apontado como um dos principais articuladores de pedidos de doação no setor agropecuário para a campanha à reeleição de Bolsonaro, falando em nome do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de Flávio.
Naquele ciclo, chegou a ser apresentado como pré-candidato a deputado federal, mas não entrou na disputa. Seguiu na estrutura do partido, onde ocupa a vice-presidência do PL em Rondônia.
Aliado acompanha Bolsonaro dentro e fora da prisão
Depois da derrota de 2022, a proximidade entre Scheid e Jair Bolsonaro aumentou. Scheid passou a acompanhar o ex-presidente em viagens pelo país. Em fevereiro de 2025, foi fotografado ao lado de Bolsonaro no desembarque em Pernambuco.
Quando Bolsonaro cumpria prisão domiciliar, em 2025, a defesa pediu ao STF autorização para que Scheid visitasse o ex-presidente regularmente. Os advogados citaram a “estreita relação de amizade” com a família e argumentaram que ele ajudaria nos cuidados com a saúde de Bolsonaro nos períodos em que Michelle precisasse sair para cumprir agenda, além de manter a interlocução com o PL.
Na primeira lista de visitantes autorizados a ir à Papudinha, o nome de Scheid apareceu logo depois do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Diego Torres Dourado, irmão de Michelle Bolsonaro. Em março, nova decisão de Moraes colocou o pecuarista no topo do cronograma de abril.
Senador eleito põe agro e anistia no centro do mandato
O PL lançou Scheid ao Senado em 14 de março, em evento em Ji-Paraná com Flávio Bolsonaro, então pré-candidato à Presidência. A candidatura foi oficializada na convenção da coligação Juntos por Rondônia, que reuniu PL, Podemos, DC, Novo e Mobiliza. Os suplentes são Guilherme Teodoro e Dilceu Fernandes, ambos do PL.
Sem dinheiro do fundo eleitoral nem do fundo partidário, a campanha foi bancada por pessoas físicas. Segundo as prestações parciais entregues ao TSE, Scheid arrecadou R$ 2,86 milhões — quatro doadores responderam por 95,5% do total.
A maior doação, de R$ 1,355 milhão, veio de Carla Rosana de Freitas, que o site Informa Rondônia identifica como mãe do suplente Teodoro. O próprio suplente doou R$ 121,7 mil, e Freddy e Letícia Menegussi, juntos, R$ 1,25 milhão.
Na campanha, Scheid apresentou a defesa dos produtores rurais como uma pauta ligada à geração de empregos, à produção de alimentos e à segurança jurídica para quem investe no estado. Depois de eleito, ele afirmou que pretende atuar pelo fortalecimento do agronegócio e das empresas.








