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Eleições 2026

Candidatos de esquerda e direita devem desafiar a reeleição de Jorginho Mello em SC

Eleições 2026 Santa Catarina
Jorginho Mello vai tentar emendar mais quatro anos como governador de Santa Catarina. (Foto: Jonatã Rocha/Goveno de Santa Catarina)

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Único governador do PL que buscará o segundo mandato nas eleições de 2026, o chefe do Executivo de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), deve enfrentar a oposição nas urnas tanto da esquerda quanto da direita catarinense. O cenário eleitoral na corrida pelo governo do estado considerado como o mais conservador do país aponta para o favoritismo de Mello, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Levantamento divulgado pelo instituto Neokemp no fim de 2025 aponta que Mello oscila entre 41,3% e 44,7% das intenções de voto do eleitor catarinense. Pela proximidade com o maior líder da direita brasileira, o governador catarinense se torna um alvo da esquerda e pode voltar a enfrentar nas urnas Décio Lima (PT-SC).

Em 2022, Mello venceu o candidato petista no segundo turno e foi eleito governador catarinense. Após a derrota nas urnas, Lima foi nomeado por Lula como presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mantendo-se no holofote para uma nova disputa ao governo em Santa Catarina.

A presença de Lima no palanque é considerada estratégica para o projeto nacional do PT que busca a reeleição de Lula, que possui um alto índice de rejeição no eleitorado catarinense. “Antes dele, tivemos um presidente que não deixou nem um tijolo em Santa Catarina. Lula veio duas vezes ao estado, entregou o Contorno da BR-101, reabriu o Porto de Itajaí e garantiu cinco vezes mais investimentos em infraestrutura do que o governo anterior”, disse o pré-candidato petista em entrevista à Gazeta do Povo.

Presidente do Sebrae nacional, Décio Lima é pré-candidato do PT ao governo de Santa Catarina.Presidente do Sebrae nacional, Décio Lima é pré-candidato do PT ao governo de Santa Catarina. (Foto: Erivelton Viana/Divulgação Assessoria Décio Lima)

Para Daniel Pinheiro, professor de Administração Pública e pesquisador em Educação Política na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a esquerda pode repetir na corrida ao governo a estratégia eleitoral que levou Lima para o segundo turno. Apesar da derrota nas urnas, a candidatura manteve Lula na vitrine estadual durante o segundo turno em 2022, quando o petista venceu a corrida presidencial contra Bolsonaro.

Além disso, a chapa foi beneficiada pela polarização. “Embora sem tanta força em Santa Catarina, a esquerda se aproveitou de um cenário de muita instabilidade da direita, que dividiu tanto os votos que acabou permitindo a chegada do PT ao segundo turno”, comenta Pinheiro.

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Prefeito lança pré-candidatura ao governo e se intitula “direita real”

Ex-deputado estadual e federal, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD-SC), lançou a pré-candidatura ao governo de Santa Catarina com foco no eleitorado de direita e pode atrapalhar os planos de Mello, que tem no catarinense conservador a sua principal base eleitoral.

“Quando o debate é direita, todos nós somos. Agora, se é para descobrir ou discutir quem é de direita real, aí eu ganho. Porém, eu não quero botar isso na pauta. A minha pauta principal é a capacidade de governar”, declarou Rodrigues em entrevista à Gazeta do Povo, no último mês de setembro.

João Rodrigues está no quarto mandato como prefeito de Chapecó, município no oeste de Santa Catarina. João Rodrigues está no quarto mandato como prefeito de Chapecó, município no oeste de Santa Catarina. (Foto: Leandro Schimdt/Prefeitura de Chapecó)

Na avaliação do analista político Daniel Pinheiro, o prefeito chapecoense tem potencial para ser beneficiado pela articulação política do PSD, que é liderado nacionalmente por Gilberto Kassab e tem dois governadores no Sul do país: Ratinho Junior no Paraná e Eduardo Leite no Rio Grande do Sul. Os dois governadores são considerados pelo PSD pré-candidatos à Presidência da República em 2026.

Mesmo se não vencer, Rodrigues deve ganhar visibilidade durante a campanha, principalmente entre o eleitorado de direita mais conservador, o que pode pavimentar o projeto estadual. “Ele sai como candidato para mostrar força, pensando na próxima eleição, especialmente se fizer um segundo turno contra o Jorginho Mello, o que o colocaria como nome forte para o futuro. Ele tem adesão na direita conservadora, incluindo também o eleitorado mais moderado, o que é uma característica do PSD”, avalia Pinheiro.

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Novo cogita lançar prefeito de direita ao governo de SC nas eleições 2026

Outro prefeito da direita catarinense que aparece entre os cotados é Adriano Silva (Novo-SC), mandatário de Joinville, a maior cidade do estado. O Novo de Santa Catarina tem planos de lançar a candidatura de Silva ao governo. Nos bastidores, o prefeito afirma que prefere completar o segundo mandato e depois concorrer como candidato a governador, então nas eleições de 2030.

Apesar da disputa pública pelas duas vagas ao Senado, após a confirmação que Carlos Bolsonaro (PL-RJ) deve sair candidato pelo estado catarinense, o analista político afirma que a direita mostra mais cautela nas articulações ao governo estadual. Para ele, a postura é reflexo das eleições de 2022, quando o PT polarizou com o PL a disputa no segundo turno.

Eleições governo SCPrefeito da maior cidade de SC, Adriano Silva foi reeleito no primeiro turno em 2024. (Foto: Divulgação/Novo Joinville)

“Na última eleição, a divisão da direita ajudou muito o Décio [Lima], que conseguiu surpreender e chegar ao segundo turno. Se a direita se dividir muito na próxima eleição, isso pode facilitar um cenário parecido”, disse Pinheiro.

  • Metodologia da pesquisa citada: Neokemp ouviu 1.200 catarinenses a partir dos 16 anos em 95 cidades do estado entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2025. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

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