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Reeleição em jogo

Esperidião Amin assume PP em SC para viabilizar reeleição ao Senado

Senador Espiridião Amin (PP-SC), em sessão no Senado Federal.
Senador Espiridião Amin (PP) não abre mão de concorrer em 2026 e tem se aproximado de PSD e MDB. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

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Em um movimento para tentar conter a fragmentação interna e retomar o protagonismo nas negociações eleitorais, a direção nacional do Progressistas (PP) designou o senador Esperidião Amin (PP) para presidir o partido em Santa Catarina. A decisão, assinada pelo presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, ocorre em um momento de ebulição na política catarinense, marcado pela saída de Topázio Neto do PSD e pela pressão da base pepista por um alinhamento ao governador Jorginho Mello (PL).

A mudança na presidência estadual, que estava sob o comando de Leodegar Tiscoski, manteve a relação de nomes da comissão provisória que dirige a sigla, mas altera o eixo de poder. Ao assumir o controle direto, Amin fortalece sua posição como o "fiel da balança" nas articulações para o pleito de 2026, freando, ao menos temporariamente, o movimento de adesão irrestrita ao governo estadual que ganhava corpo entre os pré-candidatos a deputado estadual e federal.

A intervenção nacional veio após reunião ocorrida na segunda-feira (16), em que Amin saiu mais cedo. Na ocasião, a maioria das lideranças e pré-candidatos manifestou preferência por se manter como base do governo Jorginho Mello e apoiar seu projeto de reeleição. A nota oficial com o encaminhamento foi assinada pelo então presidente Tiscoski, pelos deputados Felippe Collaço e José Milton Scheffer, além do secretário de Indústria e Comércio de Santa Catarina, Silvio Dreveck.

"O Progressistas e suas lideranças reafirmam, ainda, que sua principal prioridade no processo eleitoral deste ano é a reeleição do senador Esperidião Amin, aliada ao objetivo de construir uma forte bancada estadual e federal", finalizou o texto divulgado pelo partido.

Em movimento oposto, Amin já sinalizou que pretende dialogar com o PSD de João Rodrigues e até com o MDB, partido que historicamente foi o principal adversário dele no estado, mas com quem ele agora afirma ter aprendido a "suportar".

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A decisão do colegiado está em suspenso após a mudança na liderança do partido. Mesmo assim, permanece a divergência interna. O apoio ao PL de Jorginho é defendida por quem acredita que o PP teria palanque forte e a possibilidade de acordos regionais que evitariam competições predatórias em bases eleitorais do PP, como no Sul do estado.

Por outro lado, a chapa majoritária do atual governador já está pré-definida com nomes do PL para o Senado, incluindo a deputada federal Caroline de Toni e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, o que escanteia as pretensões de reeleição de Amin. Para os defensores da aliança com Mello, o atual senador do PP poderia disputar a eleição de forma "avulsa", fora da chapa oficial do governador, o que já foi rejeitado pelo político.

Outro fator de desequilíbrio tem origem em divisões regionais. O grupo do Sul, liderado pelo deputado estadual Pepê Collaço e pelo secretário-geral Aldo Rosa, defende a união com o PL para garantir a sobrevivência de mandatos regionais. Na segunda-feira, após a reunião oficial, este grupo chegou a jantar com o governador na Casa d’Agronômica para sinalizar lealdade.

O grupo do oeste, capitaneado pelo deputado Altair Silva, inclina-se para uma composição com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). Na região, Jorginho Mello não detém a mesma hegemonia que no restante do estado e a força de Rodrigues é vista como um trunfo eleitoral, inclusive para dar maior protagonismo à candidatura de Amin.

Nas articulações para o pleito de 2026, a federação União Progressista (PP e União Brasil) também será determinante para orientar a posição dos pepistas. Em Santa Catarina, a relação entre o governo Jorginho e o presidente do União Brasil, deputado federal Fábio Schiochet, é de distanciamento, o que dificulta uma adesão automática do bloco ao projeto do PL.

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