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Embora ainda não tenha confirmado publicamente qualquer intenção eleitoral, o ex-deputado estadual Gelson Merísio (Solidariedade-SC) voltou ao centro das articulações políticas em Santa Catarina. Interlocutores passaram a citá-lo nos bastidores como possível nome para a disputa ao governo do estado em 2026.
As movimentações recentes, que incluem aproximação com lideranças do PT e do PSB, alimentam a leitura de que a eventual entrada dele no páreo pode abrir caminho para uma candidatura de Décio Lima (PT) ao Senado.
Apesar de filiado ao Solidariedade, interlocutores políticos acreditam que, caso decida disputar o Executivo estadual, a candidatura de Merísio possa ser formalizada pelo PSB, partido do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A estratégia em discussão tem como pano de fundo a ocupação do espaço da centro-esquerda em um estado historicamente dominado pela direita.
Presença em evento com PT fortalece especulações
O debate ganhou força após um encontro de Merísio com a deputada federal Ana Paula Lima (PT) no fim de janeiro, em Itapema (SC). O ex-deputado federal, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nacional e nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Décio Lima participou do encontro, que teve registros em publicações nas redes sociais.
Apesar do tom institucional da publicação — “Sextamos com um encontro afetuoso e de compromissos com Santa Catarina e a Democracia” —, o gesto foi interpretado como um sinal político relevante. Merísio teria sinalizado disposição para aceitar o desafio de disputar o governo, embora não tenha feito qualquer anúncio público até o momento.
Procurado pela Gazeta do Povo, o ex-deputado não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Possível candidatura de Merísio reorganiza cenário
A eventual entrada de Merísio no jogo eleitoral é vista no cenário eleitoral como um fator capaz de alterar o tabuleiro político catarinense, principalmente por reforçar a expectativa de uma disputa em dois turnos. A avaliação é que, somada à possível candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), a participação de Merísio no voto popular dificultaria uma antecipada da corrida ao governo.
A tese é justificada pelos resultados eleitorais de Merísio no passado. Em 2018, quando concorreu ao governo estadual pelo PSD, o candidato venceu o primeiro turno com 1.120.985 votos (31,12%), superando Carlos Moisés (PSL, à época), que obteve 1.071.211 votos (29,74%). No entanto, no segundo turno, Merísio teve 1.075.242 votos e acabou derrotado para Moisés, que recebeu 2.644.179 votos.
Apesar da derrota, o desempenho de Merísio segue sendo tratado por aliados como indicativo de competitividade, com potencial de compor um palanque mais amplo e, ao mesmo tempo, liberar Décio Lima, até então cotado para uma disputa ao governo, para uma disputa ao Senado.
Lima concorreu ao governo em 2018 e em 2022. Na última eleição, contou com apoio e articulação de Merísio. Pela primeira vez no estado, o PT chegou ao segundo turno, na disputa vencida por Jorginho Mello (PL), que fechou a disputa com 70,79% da preferência popular.
Estratégia da esquerda aposta em alianças moderadas e disputa legislativa
Para o analista político e pesquisador em Educação e Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Daniel Pinheiro, o movimento é coerente com uma estratégia mais cautelosa da esquerda no estado. “Existe uma abertura para a esquerda construir alianças com setores mais moderados. O nome do Gelson Merísio se encaixa nesse perfil e pode fortalecer um projeto de centro-esquerda, especialmente no Legislativo e no Senado”, afirma.
O pesquisador vê o nome de Décio Lima ao Senado como possibilidade estratégica. "Não é apenas uma disputa pelo Executivo, mas uma tentativa de ganhar força no Congresso e na Assembleia [Legislativa]”, avalia.
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