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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ainda não desistiu de ter a deputada federal Caroline de Toni (PL) como candidata ao Senado nas eleições deste ano. Durante evento em Florianópolis, nesta segunda-feira (9), o presidente estadual da legenda e candidato à reeleição no estado respondeu sobre a movimentação da parlamentar, que na semana passada comunicou internamente a membros da legenda que estava de saída do partido.
"Ela fica. Ela não vai sair", cravou Mello, ao ser questionado pela reportagem da Gazeta do Povo sobre o futuro da liderança e a candidatura dela ao Senado pelo PL. "Ela vai ser o que ela quiser, é uma mulher preparada", acrescentou o governador, quando perguntado especificamente sobre a possibilidade de Caroline de Toni manter seu projeto de ser candidata a senadora. Em 2026, são duas vagas ao Senado em disputa em cada estado da federação.
A confiança demonstrada por Jorginho Mello na resposta concedida durante um evento público contrasta com o que reverberou nos últimos dias a partir dos bastidores e com o desejo manifestado pela própria parlamentar. De acordo com apuração da Gazeta do Povo, o movimento pela desfiliação é visto por ela como uma medida de sobrevivência política para o projeto de chegar ao Senado. Diante da pressão interna, Caroline de Toni tem pedido para que sua decisão seja respeitada.
O fator Carlos Bolsonaro e a Federação União-Progressistas
O obstáculo para a permanência de Carol de Toni no PL não está na relação com Jorginho Mello, mas na engenharia das alianças para 2026 costuradas pelo presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, e que inclui a escolha dos nomes que disputarão o Senado. Em entrevista à Rádio Estúdio FM, de Jaraguá do Sul (SC), a deputada revelou que a cúpula nacional do partido Progressistas (PP) exigiu que ela não disputasse o Senado como condição para manter a coligação com o PL.
"E o Valdemar falou claramente para mim o seguinte: ‘Não, Caroline, não vai ser chapa pura. E, se o Jorginho quiser chapa pura, eu vou intervir no partido. O Jorginho não vai conseguir chapa pura porque eu tenho os meus acordos aqui em Brasília'", disse De Toni na entrevista à rádio.
Nesse tabuleiro, o senador Esperidião Amin (PP) surge como a figura que ocupa o espaço pretendido por Carol na chapa de Jorginho Mello. Na última quinta-feira (5), Amin disse que não é o momento de antecipar definições. “Não sei nem se ele [Jorginho Mello] sabe, mas nós só vamos saber disso no final de julho, começo de agosto”, pontuou o senador, reforçando que o tempo do PP é diferente do cronograma de urgência da deputada.
Também conta contra as pretensões da deputada o desembarque no cenário político catarinense do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL). Com transferência do domicílio eleitoral anunciada no final do ano passado, ele é o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina.
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Embora seja cobiçada por diversos partidos, como Avante, Podemos, MDB e PSD, Caroline De Toni tem conversas avançadas com o Novo desde o ano passado. De acordo com o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, a expectativa é que a deputada aceite o convite nos próximos dias.
"Pelo Novo, a candidatura da Carol ao Senado é inegociável. O Brasil precisa de senadores com independência, preparo técnico e coragem para cumprir o papel constitucional do Senado, e a Carol reúne todas essas condições", disse Ribeiro.
Se a mudança se confirmar, a chegada da parlamentar reforça a estratégia nacional da sigla, que espera eleger três das seis cadeiras da região Sul disponíveis no Senado Federal – além de De Toni, o deputado Marcel Van Hattem, no Rio Grande do Sul, e Deltan Dallagnol, no Paraná.







