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Partido Novo na gestão do PL

O novo mapa do poder em Santa Catarina até as eleições

Partido Novo ingressa no governo de Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina.
Jorginho Mello (PL) conta com uma bancada maior na Assembleia Legislativa e lidera a intenção de voto segundo pesquisa AtlasIntel publicada no início deste mês. (Foto: Roberto Zacarias/Governo de SC)

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Com o fim da janela partidária e o prazo para renúncia de prefeitos que querem disputar as eleições deste ano, os últimos dias redesenharam o tabuleiro político de Santa Catarina. Ao todo, oito prefeitos deixaram seus cargos e nove deputados trocaram de partido no estado.

Entre as principais mudanças, está a entrada do partido Novo no governo Jorginho Mello (PL). O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), aceitou ser o pré-candidato a vice-governador e passou o bastão municipal para a vice-prefeita, Rejane Gambim (Novo), primeira mulher a comandar aquela que é a maior cidade catarinense.

O Novo também ganhou espaço no Executivo estadual. Arão Josino, ex-prefeito de Ascurra, foi nomeado para a Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), cargo estratégico por concentrar o orçamento e os investimentos do estado. Além dele, outros nomes da legenda devem migrar para o governo.

A entrada do Novo no governo de Santa Catarina é marcada pela posse de Arão Josino como secretário de Planejamento na gestão Jorginho Mello.A entrada do Novo no governo de SC é marcada pela posse de Arão Josino como secretário de Planejamento. (Foto: Jonatã Rocha/Governo de SC)

"O Partido Novo traz uma visão clara de futuro, com foco em responsabilidade, eficiência e planejamento. Defende que o desenvolvimento econômico e a geração de oportunidades passam por uma boa gestão dos recursos públicos", defende Josino.

Segundo ele, a Secretaria de Planejamento tem um papel estratégico dentro do governo. "Seremos responsáveis pela gestão da carteira de programas de governo, garantindo suporte técnico às secretarias para que as ações saiam do papel e gerem resultados concretos."

Arão Josino também afirma que Jorginho Mello pediu uma liderança de atitude. "Ele não quer projetos que fiquem apenas no papel, mas ações que se transformem em entregas reais para a população", diz.

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SC como termômetro

Santa Catarina é o estado mais conservador do país e funciona como termômetro do campo da direita brasileira. A consolidação de Jorginho Mello com o partido Novo pode ser um modelo replicável para outros estados. No entanto, a escolha de Adriano Silva pegou alguns políticos tradicionais de surpresa. 

O MDB esperava a vaga após meses de aproximação com Mello. Com o anúncio da parceria com o Novo, o diretório estadual do MDB formalizou, por decisão unânime, o rompimento com o governo e deliberou pela construção de um projeto próprio. 

A decisão acabou acelerando a formação de um bloco rival, liderado pelo PSD, com o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), como principal nome. As principais baixas no Executivo foram a saída do deputado federal Carlos Chiodini (MDB), que deixou a Secretaria de Agricultura, e do deputado estadual Jerry Comper (MDB), que abriu mão da Secretaria de Infraestrutura.

João Rodrigues renunciou e lançou formalmente sua pré-candidatura ao governo. Além do MDB, a movimentação atraiu outros aliados.

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, anunciou apoio a Rodrigues. A composição prevê um nome do MDB para vice-governador e a indicação do senador Esperidião Amin (PP) ao Senado.

PL lidera nas pesquisas e cresceu no Legislativo

O fator central de toda essa movimentação é a vantagem eleitoral do atual governador catarinense. Conforme a pesquisa divulgada pelo Instituto AtlasIntel em 1º de abril, Jorginho Mello lidera a intenção de voto do eleitor, oscilando entre 49,4% e 49,9%. Na sequência aparece João Rodrigues (PSD) com 21,4% e 20,9%, nos dois cenários testados.

A pesquisa ouviu 1.280 pessoas entre os dias 25 e 30 de março. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O próprio instituto contratou e divulgou a pesquisa. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº SC-05257/2026.

Outra vantagem está na Assembleia Legislativa. Com as trocas de partido, o PL de Jorginho Mello ficou com uma bancada maior. Quatro deputados estaduais migraram para a sigla, elevando de 11 para 14 cadeiras no plenário, ou seja, 35% dos 40 parlamentares da Casa.

Somando os dois deputados do Republicanos, partido também alinhado ao governo, mais um deputado do partido Novo, o atual governador tem ao menos 17 parlamentares na base, mais de 40% do Legislativo de Santa Catarina.

Já na bancada federal, o PL catarinense conta com sete deputados, após Ismael dos Santos ter seguido o caminho de Ricardo Guidi e migrado para a sigla, deixando o PSD sem representação na Câmara. Geovânia de Sá também deixou o PSDB e ingressou nos Republicanos.

Disputa no Senado

Dois senadores catarinenses encerrarão seus mandatos em 2026: Esperidião Amin (PP), que tenta a reeleição, e Ivete Silveira (MDB), que ocupou a vaga de Jorginho Mello quando ele foi eleito governador em 2022. A disputa pelo Senado é o maior ponto de tensão dentro do campo da direita no estado.

A indicação de Carlos Bolsonaro (PL) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criou um impasse sobre quem será o segundo nome do bloco conservador: Amin ou a deputada federal Caroline de Toni, que enfrenta um imbróglio dentro do PL.

Em entrevista ao videocast "A vida segue", do grupo ND, que foi ao ar nesta semana, Amin esclareceu que de sua parte não há frustrações com a chegada de Carlos ao estado. "Não me senti nem traído, nem passado para trás. Eu pertenço ao estado, e quero ser, como sou hoje, senador de Santa Catarina."

pesquisa da AtlasIntel aponta que De Toni e Amin são os preferidos na disputa, com 30,7% e 20,1% das intenções de voto, respectivamente. Carlos Bolsonaro aparece em terceiro lugar, com 18,3%. Neste ano, os eleitores de cada estado elegerão dois senadores.

O único senador que chega a este momento com maior tranquilidade é Jorge Seif (PL). Após o TSE manter o mandato dele, rejeitando um pedido de cassação por suposto abuso de poder econômico nas eleições de 2022, ele deve atuar na campanha de reeleição de Jorginho Mello.

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